Opinião

Novembro, sempre!

Altino Matos

Novembro tem um lugar especial na história do país, não fosse o mês tridimensional: da Independência Nacional, da Pátria e do povo angolano. Carrega todas as memórias do processo da Luta de Libertação Nacional, a político-ideológica, a cultural e a socioeconómica. Por isso não foi um acaso, claro está, sempre foi uma certeza, e o dia 11 de Novembro é o Marco de conquistas e transformações, como elevou à celebração da data o nosso jornal na edição de sexta-feira.

13/11/2022  Última atualização 06H25

As conquistas são inúmeras, desde já o direito à auto-afirmação como povo, usando de todas as prerrogativas políticas e sociais, entre as quais a cidadania; o direito à autodeterminação como Estado de Direito e Democrático; a soberania, o maior, o que confere a qualquer povo reclamar por direito próprio e assistido pelo Direito Internacional Público um lugar no Universo dos países. Acresce-se o direito à opção de estar ou não no concerto das nações. Naturalmente, que a Administração do nosso Estado pautou sempre por conduzir o país ao centro das grandes decisões, imbuído de valores de integração e liberdade, unidade e coesão.

Desta forma, Angola nunca ficou de fora dos grandes debates internacionais, ali onde não pode estar, por insuficiência de instrumentos da ordem bi ou multilateral, fê-lo com recurso aos mecanismos políticos à disposição da Organização das Nações Unidas. Foi assim desde que é país independente. Mesmo na vigência da bipolaridade saída da Segunda Guerra Mundial, Angola enfrentou as situações, marcando uma posição política a favor das grandes causas da humanidade, a saber, o direito à autoafirmação e a faculdade de se fazer uso de todas as formas de liberdade. Por isso, nunca como Estado fizemos um recuo na política internacional. É verdade que em determinadas circunstâncias alteramos os procedimentos tácticos, mas nunca significou um recuo.

A nossa Administração soube antecipar-se aos quadros políticos, fazendo leitura dos sinais, orientou as manobras necessárias para manter a maior, na verdade, a mãe de todas as conquistas, a soberania. Isso foi possível porque a nossa matriz política está feita para todos os tempos da política internacional. Somos um Estado que de viva voz não se cansa de afirmar o direito à liberdade de todos os povos do mundo. Somos um povo que nos 47 anos de celebração da Independência Nacional mostrou porque ultrapassou as adversidades e superou as diferenças que confundiram o significado da organização do Estado.

Na homenagem aos Heróis da Pátria, feita na sexta-feira, 11, pelo Chefe de Estado, João Lourenço, no Museu  Nacional de História Militar, em representação de todos os angolanos de Cabinda ao Cunene, ficou a confirmação de que todos temos consciência plena do valor da soberania. Pois foi esta interpretação final da sua dimensão que permitiu reconhecer ao Estado o direito exclusivo de congregar a força militar da Nação, a obrigatoriedade de ditar ordem política e de incluir as instituições do Estado em todos os espaços reconhecidos no contexto nacional e internacional como património do povo angolano.

Tudo isto conjugado com o esforço de todos, hoje estamos aqui orgulhosamente a celebrar  os 47 anos de Independência Nacional. E nessa hora em que falamos das conquistas, reconhecemos, pela dinâmica, que na constância das transformações estão presentes os desafios. Por exemplo, enquanto apelamos a uma melhor equação das alterações do quadro da produção de energias fósseis, o Executivo avançou para a criação de condições exploratórias de produção de energias limpas. Juntou-se aos melhores nessa área e lançou-se ao desafio.

Angola, mais uma vez, não vai só, está de mãos dadas com todos os países africanos produtores de petróleo. Os Estados defendem que a mudança do segmento de energias fósseis para a produção de energias limpas deve ter em conta factores de estabilização da indústria no continente, certos de que, por mais que se queira, não será possível andar num passo tão rápido quanto o desejável.

Porém, os desafios são muitos, e todos devemos nos empenhar, para consolidarmos o desenvolvimento. Estamos conscientes que ainda falta muito, claro. O bom nessa caminhada, é que todos sabemos que nenhuma nação se ergue num abrir e fechar de olhos, nem alcança o desenvolvimento, assim do nada, como sói dizer-se, pois são precisos anos e anos, com paragens, recuos e avanços. Por isso, quanto à Independência Nacional, celebremos o dia 11 com a palavra de ordem: Novembro, sempre!

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