Economia

Novas soluções para o cultivo do arroz nas regiões do Norte

Marcelo Manuel | Ndalatando

Jornalista

A adaptação de dez variedades de arroz em solos da província do Cuanza-Norte, resultado de ensaios feitos nos últimos quatro meses na Estação Agrícola do Quilombo, está a ser apontada como solução para a produção regular do cereal no Norte angolano.

23/05/2022  Última atualização 09H20
© Fotografia por: DR

O responsável da iniciativa, Célcio Luamba, informou que os solos da região Norte possuem as mesmas características físico-químicas, facto que, em sua opinião, pode facilitar a adaptação positiva da semente localmente experimentada, a baixo custo e sem recurso a regadio permanente.

Segundo o agrónomo, entre as espécies de arroz ensaiadas constam a Nerica-1, L-19, Wab-189, Lilewa-7, Nvuazi, IR12, N-255 e 4.850, Fofifa e Testemunha, variedades provenientes do Brasil, Índia, Moçambique, sendo a última de origem nacional. Para cada variedade foram ensaiadas 40 gramas, que permitem a colheita de dois quilogramas em cada uma, gerando uma colheita total de mais de 20 quilogramas. "As sementes germinaram sem recurso a qualquer técnica de correcção de solos ou qualquer forma de adubação”, referiu, ao destacar que, durante os quatro meses de sementeira, as plantas foram apenas regadas com água da chuva.

Célcio Luamba frisou que, durante a sua permanência em alguns países da Europa, por onde se formou, nunca obteve resultados tão satisfatórios quanto aos obtidos nos ensaios do Quilombo, relativamente a produção de arroz. "Angola é um país abençoado, em termos de solos e chuva, e não precisamos de muita tecnologia ou aditivos, para a produção de alimentos”, observou.

A necessidade de ampliação dos ensaios na próxima época chuvosa, por forma a garantir que outras partes de Angola possam usar o arroz criado a nível local, para o cultivo, foi manifestada pelo agrónomo, por este acreditar que a sua experiência pode ajudar na produção do arroz em escala, diminuindo os níveis de importação e garantir mais emprego para a juventude no meio rural.

"A nossa maior dor de cabeça prende-se com a falta de energia eléctrica, uma vez que, se resolvido, podemos ampliar as zonas de ensaios e experimentar outras variedades agrícolas, para garantirmos o uso de sementes adaptáveis aos nossos solos e adquiri-las a baixo custo”, concluiu.

A província do Cuanza-Norte possui seis perímetros irrigados, com particular destaque para os do Luinga e Mussabo, onde, até meado dos anos oitenta, se cultivava arroz, produto já exportado para a Europa e América.

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