Economia

Novas salinas de Calombolo arrancam este ano

Os operadores do sector salineiro na província de Benguela estão a trabalhar no sentido de produzirem, dentro de dois anos, 250 mil toneladas de sal por ano, quantidade considerada suficiente para as necessidades do país, considerou o secretário de Estado das Pescas, Carlos Martinol, citado pela Angop.

14/04/2019  Última atualização 17H52
Angop © Fotografia por: Cidade do Sal recebe avultados investimentos para uma produção interna de 250 mil toneladas por ano em 2021

Segundo o governante, que integrou a equipa económica do Conselho de Ministros que nas últimas 48 horas trabalhou na zona litoral de Benguela (Catumbela, Benguela e Baía Farta), só a salina Calombolo produziu, em 2018, 110 mil toneladas de sal. Com um pouco mais de investimentos, disse, vai ser possível aumentar o volume de produção até atingir as 250 mil toneladas por ano.

“É uma questão de contas, porque só uma salina já dispõe de uma quota anual considerável no cômputo da produção nacional, cujas estimativas apontam para cerca de 120 mil toneladas de produção interna, contra uma necessidade actual de 250 mil toneladas”, realçou Carlos Martinol, deixando a ideia de haver necessidade de afinar os dados estatísticos para aferição, com exactidão, da real produção interna.

Ainda assim, acrescentou, o Ministério das Pescas e do Mar proibiu a importação de sal grosso, de modo a estimular a produção interna.Fernando Ferreira, sócio-gerente da salina Tchiome, com mil hectares, cujas obras de construção começaram há dois anos, disse à Angop que a empresa está a fazer um investimento de 40 milhões de dólares, obtidos de várias fontes internas e externas, que vão permitir atingir uma produção pico de 160 mil toneladas anuais já no próximo ano.“Dentro de três meses, a salina vai dar início à produção de sal em, pelo menos, 56 a 60 hectares, com os primeiros 350 trabalhadores, mas em 2020 vai atingir-se o pico da produção (160 mil toneladas), podendo a força de trabalho evoluir para mil empregos”, admitiu.

Dos 40 milhões de dólares, disse terem beneficiado de um financiamento do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), na ordem dos nove milhões de dólares, e os demais recursos foram obtidos a partir de créditos externos e tesouraria própria.

Salina de Calombolo

A salina de Calombolo, com dois mil hectares, dos quais 180 em produção e 900 em construção. Ricardo Jorge Mestre Coelho, chefe de produção, informou que se tudo correr bem, dentro de quatro meses mais salinas entram em funcionamento para perseguir uma produção de 150 mil toneladas estabelecida pela empresa para este ano de 2019.

Com 180 hectares em produção, conta com 800 trabalhadores, que no ano passado alcançaram uma produção de 110 mil toneladas.A salina da Macaca, situada igualmente na mesma zona da “Cidade do Sal”, comuna do Chamume, incorpora várias unidades de produção, com consideráveis quantidades de sal já iodizado, numa área de produção especificamente preparada.

José Gomes da Silva, director provincial do Gabinete da Agricultura, Pecuária e Pescas, disse haver na região nove salinas em produção, o que reforça a tese da necessidade de maior acompanhamento estatístico dos níveis de produção, com vista a aferir-se, com exactidão, se o país continua a ter uma produção anual de 150 mil toneladas ou terão já sido superadas. Antes de ter visitado a “Cidade do Sal”, a equipa económica do Conselho de Ministros deslocou-se ao aviário “Ovos de ouro”, situado no troço Benguela-Dombe Grande, que fornece ao mercado 24 mil ovos por mês, mas carece de financiamento para aumentar a produção.

Além destas unidades produtivas, os integrantes da equipa coordenada pelo ministro do Estado para o Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, visitaram cerca de vinte unidades industriais ligadas à produção alimentar, material de higiene, escolar, de construção civil e têxtil.Após o encontro com empresários da província, que marcou a última etapa de trabalho de dois dias, os governantes regressaram a Luanda.

 

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