Política

Nova governadora do Bengo aposta no sector social

A nova governadora do Bengo, Maria António Nelumba, avançou, sexta-feira(23), em Caxito, que o objectivo da sua governação deverá estar fundamentalmente focada na melhoraria de vida das populações locais, com programas e acções que reflictam no combate à fome e à pobreza, na Saúde, Educação, circulação de pessoas e bens, e noutros sectores que tenham impacto no bem-estar social das comunidades.

24/09/2022  Última atualização 09H40
Maria António Nelumba e Mara Quiosa cumpriram, ontem, o ritual de passagem de pastas © Fotografia por: Edmundo Eucílio | Edições Novembro | Bengo

Maria Nelumba,  que falava no acto de apresentação e passagem de pastas, orientado pelo ministro da Administração do Território, Dionísio da Fonseca, disse que essas acções deverão ser implementadas em todos os municípios da província.

 "Devemos trabalhar com outras entidades nacionais, para incrementarmos o apoio à agricultura familiar, melhorando as vias para o escoamento da produção local, incentivar os programas de desenvolvimento do comércio rural, de apoio à produção nacional, e de apoio ao crédito e de medidas de alívio económico”, referiu.

 Sublinhou que, à semelhança do que já vinha sendo feito pelo Executivo anterior, os programas de fomento de fruteiras, avicultura familiar, fomento da produção de café, recenseamento agro-pecuário e pescas, revitalização do projecto de aquicultura e pesca artesanal e aumento de cooperativas  vão merecer maior destaque durante o mandato.

Quanto à Indústria, Maria Nelumba disse que, apesar de a actividade ser ainda do tipo "simples”, são notáveis algumas iniciativas que merecem aplausos: "Desde já, comprometemo-nos a incentivar o surgimento de outras, quer do empresariado nacional, quer estrangeiro”.

Segundo a governadora, deste modo, o Executivo estará a contribuir para o aumento do emprego, junto da população, "que é o foco principal da governação central”, salientando que o sector do Turismo deverá merecer, também, uma maior atenção.

De acordo com Maria Nelumba, pelas características naturais, a província do Bengo apresenta um enorme potencial neste capítulo, sendo necessárias mais unidades hoteleiras, aldeamentos turísticos, resorts e restaurantes.

 "Actualmente, a nível global, há uma tendência para a expansão do turismo rural e esta região reúne requisitos. Sendo o homem o promotor de todo o desenvolvimento, prestaremos, igualmente, atenção ao reforço e capacitação dos recursos humanos a todos os níveis”, frisou.

 Acções do PIIM mudaram a imagem do Bengo

 No discurso de despedida, Mara Quiosa, que deixa o cargo de governadora do Bengo para assumir a mesma função na província de Cabinda, realçou as principais acções realizadas ao longo do seu mandato, principalmente as que estiveram enquadradas no Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), cuja carteira contava inicialmente com 74 projectos.

Segundo a ex-governadora do Bengo, fruto de um incremento na ordem dos 25 por cento, devidamente autorizado pelo Titular do Poder Executivo, foi possível o enquadramento de mais 43 projectos, que se encontravam paralisados de exercícios anteriores.

 "Assim, no total, tivemos 117 projectos inscritos, dos quais seis são de responsabilidade central, 30 de âmbito provincial e 81 de responsabilidade dos municípios”, explicou, para destacar a conclusão da 1ª fase do Projecto de Infra-estruturas Integradas de Caxito, "o maior projecto do PIIM no Bengo, com um orçamento de 16 mil milhões de kwanzas, que veio solucionar definitivamente o problema das inundações do casco urbano de Caxito, no tempo chuvoso”.

 De acordo com governante, a construção de uma bacia de retenção, a instalação de redes técnicas de drenagem das águas pluviais e residuais, asfaltagem de 12 quilómetros de ruas, colocação de passeios, lancis, e de postes de iluminação pública oferecem outra qualidade de vida às populações residentes no centro da cidade de Caxito.

 Durante o acto de passagem de pastas, sublinhou que o prosseguimento do Projecto de Infra-estruturas Integradas de Caxito será essencial para abranger outros bairros e arruamentos já identificados.

 "Procuramos dar ênfase especial aos sectores da Educação e da Saúde, com a construção, reabilitação e apetrechamento de escolas e unidades de saúde em toda a extensão da província, algumas das quais de grande dimensão, que se encontram em fase conclusiva, como as obras do Hospital Regional de Bula Atumba e do Hospital Regional dos Dembos”, disse.

 Realçou que o sector da Saúde ganhou um novo banco de urgência no Hospital Provincial do Bengo, e decorre, neste momento, a construção de um novo hospital geral, na zona do Bucula, arredores de Caxito.

 Acrescentou que, no âmbito da habitação, está a ser erguida uma nova centralidade, igualmente na zona do Bucula, que terá um total de mil apartamentos, escolas, centros de saúde e espaços para o exercício comercial. Para a implementação do Plano Estratégico de Desenvolvimento, revelou que foram traçados nove eixos fundamentais.

 Esclareceu que durante o seu mandato foi necessário aumentar a quantidade e qualidade das infra-estruturas escolares, melhorar o sistema de saúde nos municípios, através da aquisição de medicamentos e promoção da humanização dos serviços, apostar na recuperação das vias de comunicação, promoção de políticas de fomento habitacional e melhorar o abastecimento de água potável às sedes municipais.

 Mara Quiosa sublinhou que, durante o período, foi também necessário estimular os sectores produtivos para o aumento da produção nacional, incentivar o investimento privado, no sentido de garantir a empregabilidade e criar políticas públicas concretas e direccionadas para a juventude, além da construção de quadras polidesportivas, bibliotecas e centros de formação profissional.

 "Também será necessário acompanhar alguns projectos estruturantes em curso, como o projecto de electrificação dos municípios de Bula Atumba, Dembos, Pango Aluquém e Nambuangongo, cujos trabalhos de desminagem devem arrancar nos próximos dias”, informou.

 Na mesma senda, destacou o Projecto de Desenvolvimento Integrado da Barra do Dande, que pela dimensão e impacto económico e social, exigirá maior atenção da governação local,  tendo aconselhado à nova governadora no sentido de tudo fazer para que seja concluída a obra da estrada Caxito /Caiengue / Onzo/ Muxaluando, aguardada com muita ansiedade pelos munícipes de Nambuangongo.

 Ministro pede maior engajamento de todos

O ministro da Administração do Território, Dionísio da Fonseca, que testemunhou o acto de passagem de pastas, apelou a todos os colaboradores e população, em geral, no sentido de prestarem o apoio necessário à nova governadora do Bengo, Maria Nelumba, para que possa dar continuidade aos projectos em curso e desenvolver outros.

 "O trabalho de governação não se desenvolve de forma isolada. É um trabalho que requer o engajamento de todos, vice-governadores, directores provinciais, administradores municipais, empresários, dos parceiros sociais e de toda a população”, disse.

 Sublinhou, na ocasião, que uma das prioridades do mandato do Executivo angolano é o reforço da desconcentração administrativa e financeira, para fazer jus ao lema "A vida faz-se nos municípios”.

 Segundo o ministro, a nova governadora deverá trabalhar no reforço da competência de intervenção das administrações municipais e desconcentrá-la  o máximo,  para que nos municípios e comunas existam recursos capazes de concretizar os grandes anseios da população.

 Salientou que, na província do Bengo, as obras do PIIM estão bem encaminhadas, mas também já é altura de começarem a ser projectadas novas acções, no âmbito da implementação da segunda fase deste programa, dentre as quais deverá ser priorizado o Projecto de Fortalecimento de Protecção Social "Kwenda”.

 População pede mais emprego e infra-estruturas

Ao Jornal de Angola, o moto-taxista Victor Arsénio, de 30 anos, apelou à criação de mais empregos na província. "A minha moto pode avariar a qualquer momento e, se não conseguir dinheiro para mandar repará-la, vou deixar de sustentar a minha família. Por isso, peço à nova governadora do Bengo para que trabalhe seriamente na criação de mais postos de trabalho na província”, pediu.

 Se a agricultora Amélia Bernardo, de 28 anos, que também vende alimentos agrícolas e bebidas alcoólicas no mercado do Cawango, município do Dande, sonha com a baixa de preços dos produtos da cesta básica, a comerciante Evalina Mabió, de 32, quer ver melhorados os serviços de assistência médica e medicamentosa, além de defender um ensino de qualidade e a melhoria das vias de acesso ao interior da província.

 Para o empresário Alexandre José, o Governo deve criar políticas de incentivo à criação de pequenas e médias empresas, para que possam surgir mais empregos na província. "E as empresas que já funcionam, no Bengo, precisam de ganhar mais força e dinâmica no mercado local. Para tal, será necessário combater a burocracia que existe nos bancos, sobretudo, na cedência de créditos”, criticou. Já o professor António Moisés, de 30 anos, falou como um verdadeiro educador. Afirmou que o seu compromisso é com a sociedade e, por isso, defendeu melhores condições de trabalho e salários para todos os docentes: "Só com melhores condições de trabalho e remuneração condigna, os professores estarão motivados para desempenharem um serviço de qualidade”.

O promotor de eventos, há mais de dez anos, Oséias Ngunza pediu à nova governadora no sentido de prestar maior atenção à indústria cultural: "Nos últimos dois anos, fomos muito prejudicados pela Covid-19.  Somos os patrões dos artistas, ou seja, se não organizarmos qualquer tipo de eventos culturais, os músicos e outros agentes culturais não ganham absolutamente nada. Daí a necessidade de beneficiarmos de apoios financeiros da banca, para desenvolvermos mais e melhor as nossas actividades”.

Preocupada com o aumento da criminalidade na província, a estudante Ademira Bernardo, de 18 anos, defendeu a abertura de cursos profissionais mais atractivos para a juventude local.



Alfredo Ferreira  e Edvaldo Lemos | Bengo



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