Entrevista

“Nossa missão e compromisso com o país exige um esforço de todos”

Kamuanga Júlia | Saurimo

Jornalista

A Refriango desde cedo começou a definir a sua estratégia de contingência, com base no alinhamento da Organização Mundial de Saúde e Ministério da Indústria. O plano arrancou com um processo de sensibilização interna aos colaboradores acerca dos comportamentos de prevenção e protecção a adoptar, transversalmente a todas as equipas e também um reforço da limpeza em áreas susceptíveis de contágio, segundo explica o Administrador Executivo, Estevão Daniel.

24/04/2020  Última atualização 10H23
DR

Como a Refriango preparou-se para atender as medidas de segurança sanitária?

Dentro das medidas de segurança sanitária, iniciou-se com o rastreio da temperatura diária a todos os colaboradores. A equipa de gestão começou a preparar um plano de contingência de negócio, onde se avaliaram as actividades do negócio que são imprescindíveis aquelas que não poderiam parar e as que se poderiam reduzir. Identificaram-se também os recursos essenciais, as matérias-primas, fornecedores, prestadores de serviços e logística, que são necessários para manter em funcionamento a empresa por forma a satisfazer as necessidades dos clientes.

E acerca da gestão do pessoal em serviço?

Mesmo antes de arrancar o Estado de Emergência, foram identificados os trabalhadores que seriam necessários para garantir, sobretudo as actividades que são imprescindíveis para a produção e correcto abastecimento. No alinhamento das recomendações do plano de emergência, por forma a reduzir as hipóteses de contágio, desenhou-se um plano para a acomodação de 750 colaboradores dentro do nosso complexo industrial do Kikuxi, onde de imediato tivemos uma excelente aceitação voluntária em espírito de missão.

Para locais de concentração de pessoas, a observação das regras de higiene são fundamentais. Como actuou a empresa neste particular?

Foram colocados doseadores de álcool em gel em todas as instalações, a desinfecção rigorosa de todos os edifícios e áreas de trabalho e colocação de sinalética de posição nos diferentes espaços, nomeadamente os refeitórios por forma a assegurar a distância recomendada.Para garantir o distanciamento social, houve a redução da capacidade nos transportes colectivos fornecidos pela empresa. As áreas comerciais, marketing e administrativas passaram a regime rotativo e teletrabalho.

Com quem têm trabalhado e quais os critérios de escolha de parceiros e entidades a beneficiar?

Como já referi, estamos a trabalhar em parceria com o Ministério da Saúde e Governo Provincial de Luanda, porém existem muitos pedidos que são endereçados de forma individual à administração da empresa. No entanto, é nosso entender que a nossa missão e compromisso com o país exige um esforço de todos e uma vez que somos uma empresa com mais de 14 marcas, que trabalham com dezenas de embaixadores, reunimos a participação de 50 embaixadores, para doar 5.000 litros de álcool em gel a mais de 50 instituições, onde cada um deles seleccionou quem apoiar com a ajuda dos seus fãs.

Que produtos, em que quantidades e regularidade têm disponibilizado?

Temos uma política permanente de apoio a várias instituições, como por exemplo o Instituto de Oncologia e a três diferentes orfanatos; Não há Órfão de Deus, Arnaldo Jansen e Mamã Muxima, onde o acompanhamento e ajuda é anual. Desde a entrada do período de emergência no país, temos estado na linha da frente no apoio ao Ministério da Saúde e GPL, quer ao nível das doações de produtos de higiene e bebidas, para a Linha 111 CISP – Centro Integrado Segurança Pública, Projecto Angola Solidária, aos Centros de Acolhimento Temporário dos sem abrigo, Acolhimento dos Passageiros do Voo de Cabinda em Cacuaco, Cruz Vermelha de Angola, Serviços de Saúde das FAA, apoio às famílias carenciadas com a administração da Ingombota, município de Luanda. Paralelamente, colocou os trios eléctricos a circular pelos Bairros da grande periferia de Luanda, a comunicar as medidas preventivas à população com menor acesso à informação. O Programa de Rádio Blue FM e a Voz dos Tais, têm sido importantes na veiculação das mensagens preventivas e de esclarecimento da doença.

As dificuldades também são ocasiões de oportunidades. Como pretendem maximizar a vossa produção nestes dias?

A nossa equipa tem estado muito atenta ao que se passa no mercado e verificado junto dos clientes e consumidores quais as necessidades, e todo o plano de produção tem sido elaborado de forma a que não haja qualquer ruptura no mercado. Temos uma estrutura preparada para manter o total abastecimento dos nossos produtos, em especial da água Pura, em todas as localidades do país.

Recentemente falou-se na redução em 50 por cento da vossa produção, sem com isso afectar a resposta ao mercado. Como é possível?

A empresa começou há cerca de dois meses, quando esta crise já atingia outros países do mundo, a preparar um plano de produção que garantisse stock dos produtos de menor rotação para um maior nível de cobertura, estando actualmente a produção focada em produtos de maior rotação. Em termos de distribuição, conseguimos abastecer o mercado diariamente sem qualquer ruptura de todo o nosso portefólio, como mais de 200 referências.

Há um quase que generalizado aumento dos preços de todos produtos. Para o vosso caso é apenas nos revendedores ou a partir de vossas unidades fizeram-se actualizações?

No sector das bebidas os aumentos têm sido residuais, contudo é possível que existam aumentos de preços no mercado considerando a desvalorização da moeda que se tem sentido nas últimas semanas.

Como olhar para a vossa empresa no pré e para o pós-Covid?

Sempre fomos uma empresa próxima dos seus clientes e focada em soluções. O momento que estamos a passar é de muitos desafios e acreditamos que em conjunto iremos ultrapassá-los, sendo que estamos confiantes no pós-Covid e mantemos a nossa estratégia de continuar a desenvolver produtos de acordo com os gostos do consumidor, adaptados à realidade e com um alto nível de qualidade, foi assim que conseguimos fazer o sucesso do nosso portefólio de marcas Blue, Nutry, Speed, Welwitchia, Pura ou Tigra.

A qualidade dos produtos é às vezes questionada. Há razões para preocupações?

Antes pelo contrário, um dos nossos pilares base é a qualidade. Somos a única empresa da indústria de bebidas em Angola com a certificação internacional ISO 22000, que tem vindo a ser renovada anualmente. Esta é a mais exigente certificação de qualidade alimentar, que atesta todo o processo produtivo. Vários dos nossos produtos têm também arrecadado prémios internacionais pela sua qualidade, por exemplo a Água Pura é já Grand Prix do Monde Selection, pela quantidade de medalhas de Ouro que tem ganho ao longo dos últimos 10 anos. A última campanha da Água Pura, evidencia a importância e o rigor do processo produtivo, uma água sujeita a mais de 10.000 análises mensais.

A vossa acção está limitada à província de Luanda?

Não. A nossa acção do ponto de vista de medidas preventivas e ajuste à nossa forma de trabalhar, foram implementadas em todo o país onde a empresa opera. Do ponto de vista do apoio a instituições e doações, chegamos também a Benguela e Huambo. As dificuldades de deslocação condicionam sermos mais abrangentes.

Como pensam salvaguardar os postos de trabalho ante tamanha crise dos mercados?

No último ano, foi-se ajustando os postos de trabalho de acordo com a contracção que o mercado tem sofrido nos últimos três anos. Quero acreditar que a actual condição do país não seja longa, para que a nossa economia possa rapidamente recuperar.

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