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Nigerianos vão hoje às urnas

Cerca de 84 milhões de nigerianos vão hoje às urnas escolher um novo Presidente da República e definir a configuração de um novo Parlamento, com a perspectiva de que seja capaz de responder aos desafios do momento de modo a que possa ser preparado um futuro mais consentâneo com as enormes potencialidades económicas do país.

16/02/2019  Última atualização 12H04
DR © Fotografia por: Muhammadu Buhari pleita pela reeleição e Atiku Abubakar representa a mudança.

A protagonizar a esperança dos nigerianos estão duas personalidades diferentes: Muhammadu Buhari, que luta pela reeleição, e o antigo Vice-Presidente, Atiku Abubakar, que tenta apresentar-se perante os eleitores como o rosto da mudança.
Ambos são originários do Norte do país, mas apresentam propostas diferentes que têm em comum a tentativa de resolver os principais problemas que afectam neste momento a Nigéria.
Há pouco mais de quatro anos atrás, o Presidente Buhari e o seu partido, o Congresso de Todos os Progressistas, podiam regozijar-se por terem o apoio generalizado da população do Norte e do Sudoeste do país, sendo esta última área um habitual bastião do rival Partido Democrático do Povo, que agora apoia Atiku Abubakar.
Estava-se, na altura, ainda na ressaca da retumbante vitória de Muhammadu Buhari, um homem do Norte, contra Goodluck Jonathan, do Sul e que então liderava o Partido Democrático do Povo.Apesar de os analistas locais dizerem que não existe um candidato claramente favorito, dada a divisão de apoios que um e outro têm, a verdade é que uma série de problemas e de erros de governação fez com que, aos poucos, o estado de graça de Buhari e do Congresso de Todos os Progressistas se fosse perdendo ao ponto de hoje, mesmo no Norte, sua zona de origem, a popularidade ter atingido os níveis mais baixos de sempre.
Na Nigéria, a clivagem étnica e tribal tem tido uma influência decisiva nos grandes momentos, ou seja quando, como agora, se vai eleger um novo Presidente da República.
Na altura de contabilizar os apoios, fica claro que o problema da violência étnica faz com que o partido de Muhammadu Buhari tenha perdido apoios em estados como o de Benue, Nasarawa e Belt.
Por outro lado, o Congresso de Todos os Progressistas continua a ter a confiança dos eleitores de Lagos e Kano, dois dos estados que têm sido decisivos em eleições anteriores raramente votando contra o Presidente em funções, tendo a excepção acontecido há cinco anos quando viraram as costas a Goodluck Jonathan, por razões que ainda não estão claramente identificadas.

País dividido ao meio
A Nigéria continua um país dividido ao meio. De um lado está o Norte, com a população mais pobre, e do outro o Sul, onde o desenvolvimento e os investimentos têm sido maiores, muito por força das receitas obtidas com as explorações petrolíferas que ali estão instaladas.
Para se ter uma ideia das diferenças, basta dizer que o rendimento médio anual de um habitante de Ktasina, local no Norte onde nasceu Muhammadu Buhari, é de 400 dólares, enquanto em Abuja, ou Lagos, esse mesmo rendimento é de quase 9 mil dólares.
O problema do desemprego continua hoje a ser relevante, atingindo 23 por cento da população, apesar de desde 2000 os governos terem aplicado diversos programas de apoio à economia visando, precisamente, a criação de novos postos de trabalho, sobretudo para a juventude.A questão da segurança é outro problema que o futuro Presidente terá que enfrentar. Trata-se de uma violência que não resulta só da acção “terrorista”, mas também das disputas étnicas intercomunitárias.
Dados oficiais revelaram que nos últimos quatro anos morreram 10 mil pessoas em virtude desses conflitos étnicos. No Norte, de maioria muçulmana, predominam os hausa-fulani, enquanto no Sudoeste, onde existe um misto de muçulmanos e cristãos, estão os yorubas e os igbos.
Tanto Muhammadu Buhari como Atiku Abubakar são fulanis, mas têm como vice-presidentes nas suas listas de candidaturas homens do Sul. Buhari conta com Yemi Osinbajo, um pastor yoruba, enquanto Atiku Abubakar optou por Peter Obi, um veterano político igbo.

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