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Nigéria: Incendiada instalações da Comissão Eleitoral

A Comissão Eleitoral da Nigéria (INEC) anunciou, quarta-feira, que uma das suas delegações foi incendiada, domingo, no Estado de Ebonyi, no Sudeste do país, três meses antes das eleições presidenciais e parlamentares.

01/12/2022  Última atualização 07H10
Homens armados ainda não identificados vandalizaram a sede da CNE no Estado de Ebonyi © Fotografia por: DR

"O nosso escritório no Governo local de Izzi em Iboko foi incendiado", disse o porta-voz do INEC, Festus Okoye, em comunicado divulgado pela Reuters.

O ataque, realizado por homens "não identificados", não resultou em vítimas, todos os materiais ficaram destruídos, incluindo cartões de eleitor, acrescentou.

Este é o terceiro incidente do género ocorrido este mês, após o ataque a dois escritórios do INEC no Sudoeste, região normalmente poupada de tais violências. A 25 de Fevereiro, os nigerianos elegerão um sucessor do Presidente Muhammadu Buhari, que não pode concorrer à sua sucessão  por ter cumprido dois  mandatos consecutivos , o limite estipulado pela Constituição.

Buhari apresenta um balanço considerado pela oposição como "catastrófico”, tanto economicamente quanto em termos de segurança.

O INEC alertou recentemente sobre a ameaça de escalada da violência durante a campanha eleitoral, acrescentando que registou, pelo menos, 50 ataques desde o início do exercício, há quase dois meses.

 Embora nenhum grupo tenha reivindicado a responsabilidade pelo ataque de domingo, o Sudeste da Nigéria viu um grande número de ofensivas atribuídos ao Movimento dos Povos Indígenas de Biafra (IPOB), que procura reeditar um Estado separado para o grupo étnico Igbo.

  Mais de 100 polícias mortos desde Janeiro

De acordo com a mídia local, mais de 100 polícias e outros agentes de segurança foram mortos desde o início do ano passado em ataques direccionados.

No fim-de-semana , 19 pessoas foram mortas e 60 raptadas em ataques perpetrados por homens armados em duas cidades do Noroeste. "Mais uma vez, os bandidos atacaram-nos. Invadiram a cidade de Zurmi na quarta-feira à noite e mataram 19 pessoas", disse Attahiru Mohammed, secretário da Coligação de Grupos da Sociedade Civil de Zamfara, à Efe.

 "No mesmo dia, atacaram a cidade de Kaura Namoda e levaram mais de 60 pessoas, na sua maioria mulheres", acrescentou Mohammed. Ambas as aldeias pertencem ao Estado de Zamfara.

De acordo com o líder da sociedade civil, os homens armados eram mais de 40 e deslocavam-se em motociclos. "Muitas pessoas esconderam-se nos arbustos e depois fugiram para a cidade de Dauran em busca de segurança, mas outras não tiveram tanta sorte e recuperamos 19 corpos, que já foram enterrados", disse um residente de Zurmi, Aliyu Mukthar.

A reação rápida dos residentes de Zurmi impediu que o número de vítimas aumentasse. Na aldeia de Kaura Namoda, porém, os criminosos surpreenderam um grupo de pessoas que se encontrava a rezar, lamentou o líder da sociedade civil. Embora a Polícia e o Exército estejam a patrulhar a área do ataque, muitas pessoas ainda não regressaram a casa por receio de novos incidentes.

Os Estados centrais e Noroeste da Nigéria sofrem ataques frequentes de "bandidos", um termo utilizado localmente para descrever bandos criminosos que cometem roubos, agressões e raptos em massa para obterem resgates lucrativos.

A violência continua apesar das repetidas promessas do Presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, de acabar com o problema e do destacamento de forças de segurança adicionais para a área.

No fim- de-semana passado, um grupo de bandidos raptou cerca de uma centena de pessoas em várias cidades do Estado de Zamfara, incluindo Kanwa e Maradun, bem como em aldeias mais pequenas. Já ontem, as autoridades disseram que três polícias foram mortos na região de Porto Harcourt, importante centro petrolífero do país.


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