Mundo

Nigéria admite pobreza em 63 % da população

As autoridades nigerianas indicaram ontem que seis em cada 10 dos seus cidadãos vivem na pobreza, o equivalente a mais de 130 milhões de pessoas no país mais populoso do continente. Um relatório do Instituto Nacional de Estatística (NBS) revela que 133 milhões de pessoas, 63 por cento da população, são “multidimensionalmente pobres”.

20/11/2022  Última atualização 10H30
Milhares de cidadãos nigerianos vivem abaixo da linha da pobreza, de acordo com dados da NBS © Fotografia por: DR

Segundo a Reuters, o estudo, com a participação de várias organizações, incluindo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), revela que mais de dois terços das crianças - 67,5  por  cento - também são "multidimensionalmente pobres” e sublinha que 51 por cento de todos os pobres da Nigéria são crianças. O documento refere que o Índice Multidimensional de Pobreza é de 0,257, o que "indica que os pobres na Nigéria experimentam um quarto de todas as possíveis privações”, ao mesmo tempo que detalha que a parte norte do país é a mais afectada por esta crise.

Assim, especifica que 65% do total, ou seja, 86 milhões de pessoas, vivem no Norte, enquanto os restantes 35 por cento, 47 milhões, vivem no Sul. "Os níveis de pobreza entre estados variam significativamente, com uma incidência de pobreza multidimensional que varia entre 27 por cento em Ondo e 91 por cento em Sokoto”, apontou. O NBS notou que "mais de metade da população da Nigéria é pobre e cozinha com estrume, madeira ou carvão, em vez de energia mais limpa”. "Há grandes privações aparentes a nível nacional em higiene, saneamento, segurança alimentar e habitação”, lamentou.

”Globalmente, a incidência de pobreza económica é inferior à incidência de pobreza multidimensional na maioria dos estados”, disse, antes de notar que "40,1 percentuais da população é pobre, de acordo com o limiar nacional de pobreza 2018/2019”.

No mesmo estudo, conclui-se que "a pobreza multidimensional é maior nas zonas rurais, onde 72 por cento da população é pobre, contra 42 por cento nas zonas urbanas”. O relatório assinalou ainda que "as maiores privações se encontram no indicador de participação infantil, segundo o qual mais de metade das crianças pobres carece de estímulos intelectuais cruciais para o desenvolvimento da primeira infância”.

"A pobreza infantil é predominante nas zonas rurais, com quase 90 por cento das crianças nestas zonas a sofrerem de pobreza”, referiu o relatório do NBS, que detalhou que estes números também são mais elevados no Nordeste e Noroeste do país, sendo mais baixos no Sudeste e Sudoeste. Nestes casos, os números de Noroeste e Nordeste mostram que 90 por cento das crianças são pobres, enquanto no Sudeste e Sudoeste caem para 74 e 65,1 percentuais, respectivamente. A incidência da pobreza infantil multidimensional é superior a 50 por cento em todos os estados e ultrapassa os 95 por cento em Bayelsa, Sokoto, Gombe e Kebbi.


  Campanha para as presidenciais

O Partido de Todos os Progressistas (APC, na sigla em ingês), actualmente no poder, iniciou ontem a campanha presidencial em Jos (Estado do Planalto) para as eleições a serem realizadas no final de Fevereiro de 2023.”Para vocês, jovens, fizemos uma promessa de que hoje pode ser difícil cumprir, mas a esperança não está perdida. Não vamos decepcioná-los”, disse o candidato presidencial do APC, Bola Ahmed Tinubu.

No seu discurso, Tinubu elogiou as realizações do actual presidente, Muhammadu Buhari, prometendo um futuro brilhante para todos os nigerianos. "A Nigéria vai ficar bem e a nossa esperança vai renovar-se de novo”, prometeu o candidato presidencial.

Há um total de 18 candidatos para as eleições presidenciais, mas apenas quatro têm uma chance realista de triunfo:Bola Tinubu, do Congresso de Todos os Progressistas (APC); Atiku Abubakar, do principal partido da oposição, o Partido Democrático do Povo (PDP); Peter Obi, do Partido Trabalhista (LP); e Rabiu Musa Kwankwaso, do Novo Partido Popular da Nigéria (NNPP).

O início da campanha eleitoral, entretanto, ficou marcado por um incidente fatal. A polícia da Nigéria disse que supostos separatistas do Biafra mataram a tiro o governante o líder tradicional de Obudi Agwa, na Área de Governo Local de Oguta do estado de Imo, Eze Ignatius Asor, e dois dos seus assessores.

Segundo a Reuters, os atiradores visitaram o palácio em Oguta sob o pretexto de relatar uma situação de emergência antes de abrirem fogo. Não ficou imediatamente clara a razão pela qual o monarca, Eze Ignatius Asor, foi alvo do ataque. As autoridades nigerianas disseram que os atiradores também atacaram o escritório de um grupo de vigilância comunitária enquanto fugiam – matando pelo menos uma pessoa e roubando três motocicletas. O grupo separatista Povo Indígena de Biafra – que a polícia culpou pelo assassinato – ainda não se pronunciou. O grupo está em campanha por um estado separatista de Biafra, no sudeste do país.

Num outro incidente, um soldado nigeriano matou ontem a tiro um trabalhador humanitário e um militar, tendo ainda ferido o co-piloto de um helicóptero da ONU no nordeste da Nigéria, dominado pelos jihadistas, disseram as autoridades locais citadas pela Reuters, naquilo que foi o primeiro incidente que enluto o início da campanha para as presidenciais.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Mundo