Cultura

Nguxi dos Santos inaugura a exposição “Vozes e Silêncios”

Analtino Santos

Jornalista

A exposição fotográfica de Nguxi dos Santos, intitulada “Vozes e Silêncios na voz da poética de Agostinho Neto”, será inaugurada, na quinta-feira, a partir das 17h00, no Palácio de Ferro, pelo ministro da Cultura e Turismo, Filipe Zau, no âmbito do Festival Nacional da Cultura (Fenacult), edição especial centenário.

22/11/2022  Última atualização 08H40
Lente de Nguxi dos Santos capta a voz poética de Agostinho Neto © Fotografia por: Armando Costa | Edições Novembro

Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, Nguxi dos Santos disse este trabalho é uma homenagem ao Fundador da Nação, resultante de uma série de fotografias que teve como inspiração os poemas como: "Sinto na minha voz”, "Desfile de Sombras”, "Adeus à Hora da Largada”, "Sábado nos Musseques”, "Crueldade”, "Não me peças sorrisos”, "Ópio” e "Negação”, de "A Renúncia Impossível”, bem como os poemas "Mussunda Amigo” e "Noites de Cárcere”.

O artista aproveitou a oportunidade para agradecer o apoio do Ministério da Cultura e Turismo na materialização deste projecto, assim como, para convidar todos os interessados. Música, declamação de poesia e uma breve apresentação de teatro marcaram a cerimónia de inauguração da exposição.

"Os poemas escolhidos e as fotos que as acompanham são uma pequena, mas ilustrativa e significativa mostra das vozes (e silêncios também!) subjacentes à voz poética de Neto. Ou seja, Neto, como acontece com os poetas, era  e ainda é a voz dos que não tinham e não têm voz”, disse Nguxi dos Santos.

Cristóvão Neto, autor do texto de apresentação, escreve que "uma exposição de arte é uma maneira sublime de mostrar o mundo ao mundo pelo olhar do artista. É, de certo modo, uma desconstrução de paradigmas, de sentidos, erguendo novos sentidos, por via da inversão do olhar; um novo olhar para realidades controvertidas. Isso é o que Nguxi dos Santos nos traz aqui: o seu olhar artístico, enquanto homem do audiovisual, do cinema, portanto, homem de cultura. Nguxi dos Santos propõe-nos revisitar Agostinho Neto, numa das  suas múltiplas dimensões: a de Poeta”.

A exposição surge no âmbito do FENACULT 2022 e no espírito das comemorações do centenário do nascimento de António Agostinho Neto, "ao preparar e apresentar esta exposição sobre as vozes e silêncios que subjazem na voz poética desse grande e incontornável vulto das letras angolanas, o que Nguxi dos Santos faz é convocar a nossa atenção, a atenção do cidadão (angolano ou não) para a imperiosa necessidade de lançarmos um olhar permanente sobre a obra poética desse Homem que marcou de modo indelével o 3º Quartel do século XX e cuja influência se estende até hoje”.

Nguxi dos Santos é um cidadão com uma longa folha de serviço em prol da Cultura angolana e não só. Bastará, para tal, referir que, por mérito próprio, foi duas vezes vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes, para além de ter sido agraciado com outros prémios, menções honrosas, diplomas e certificados, dentro e fora de Angola.

Durante 35 anos trabalhou na Televisão Pública de Angola, período em que foi Repórter de Guerra, tanto no programa "Opção”, quanto em filmagens da Batalha da Cahama, na província do Cunene, dos conflitos armados de Luanda, dentre outros. Realizou e produziu um filme e vários documentários, programas, exposições fotográficas. Também oficial militar na reserva, tem créditos bastantes para trazer-nos um olhar distinto sobre Neto.

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