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Nem a máscara pára a festa

De 9 de Janeiro a 6 de Fevereiro, Camarões será o berço do futebol africano, com 24 equipas a discutirem o título continental mais importante, fixado nesta edição em cinco milhões de dólares para o campeão. É a 33ª edição da Taça das Nações Africanas (CAN), que será disputada este ano sob uma pandemia, com fim incerto, e o ranger de dentes de treinadores europeus, chateados pela ausência dos “seus” jogadores.

09/01/2022  Última atualização 04H00
Argelinos querem repetir o feito alcançado pelos camaroneses e egípcios, revalidar o ceptro © Fotografia por: DR
Para os adeptos africanos é momento de festa, oportunidade de ver cara a cara craques mundiais como Salah, Sadio Mané, Riad Mahrez e tantos outros, conhecidos apenas pelas televisões para a maioria. É a magia do futebol que chega pela primeira vez a um país que inspirou gerações e gerações de estrelas africanas, do Cairo ao Cabo.

É, ao fim e ao cabo, uma justa e atrasada homenagem a Roger Milla, aos Oman-Biyik, Song (Rigobert, no caso o central, e não o médio), Marc Viven Foé, Eto´o e outros incontáveis craques camaroneses que contribuíram para a construção da identidade do futebol africano. É por eles, também, que as portas do futebol mundial, europeu em particular, se abriram para muitas das estrelas que desfilam hoje nos relvados da Europa e da Inglaterra.

A Nigéria fez também a sua parte. Costa do Marfim, Senegal e o Ghana idem. A Libéria, Mali, Marrocos, Egipto, Congo Kinshasa, Argélia, Gabão, África do Sul, Zâmbia, igualmente. Porém, a memória do futebol ainda celebra a brilhante participação dos Camarões, no Itália 90´. A dança de Roger Milla, nos festejos de um golo, tornou-se num cartaz do futebol africano. Por isso, aos deuses do futebol africano todo o tributo é pouco.

A 33ª edição será jogada em cinco cidades, Yaoundé, a capital e a terra de Roger Milla, é a sede com o maior estádio (Stadio d´Olembé), com capacidade para 60 mil espectadores e acolhe dois grupos. Talvez não chegue à lotação, por culpa e só da pandemia que pode afugentar adeptos, pois a exigência de apresentação de testes feita nas últimas 72 horas para além de cartão de vacinas pode inibir.

O Governo de Paul Biya talvez seja chamado a subvencionar os testes para evitar estádios vazios. Jogar sem público é amputar a alma da prova. A dança dos adeptos, os tam-tam dos tambores, as cornetas e os gritos em cada golo é a força que mobiliza os jogadores. São as lembranças que qualquer um carrega. A organização sabe disso, e tem por isso nos ombros a responsabilidade de fazer "magia” para colocar em segurança público nos estádios.

Além de Yaoundé, as outras sedes são Garoua, Limbé, Bafoussam e Douala, a segunda cidade mais importante dos Camarões. É uma edição que tem tudo para estar na história, pela pandemia, o bolo para o campeão, o vice e os semifinalistas, e a estreia do novo brinquedo de luxo da FIFA (VAR) em todas as 52 partidas.

 
O clima e a pandemia

O clima quente dos Camarões pode ser um dos grandes adversários para os craques africanos que actuam na Europa. Cidades como Garoua são imensamente quentes e pode impossibilitar que os jogadores dêem tudo que deles se espera.
A par do clima, a pandemia é um desafio para a organização, mesmo que estejam assegurados os testes mais avançados para as equipas antes das partidas, conforme acordo feito pela Confederação Africana de Futebol e o Governo de Paul Biya. O Governo camaronês garantiu reunir todas as condições para permitir que as selecções joguem em segurança.

 
A fila das apostas

A Argélia apresenta-se, nos Camarões, como favorita à revalidação do título, segundo muitas previsões. No entanto, na história da competição apenas duas selecções conseguiram tal feito: o Egipto e os Camarões. Os faraós "abusaram” inclusive, ganhando três títulos consecutivos (2006, 2008 e 2010). Um feito como nenhuma outra equipa ousou fazer.

Os Leões Indomáveis tentaram imitar os faraós, mas o máximo que conseguiram foi  conquistar por dois anos consecutivos (2000 e 2002). Nenhuma outra selecção chegou próximo, nem mesmo as Super Águias e os Elefantes, com todos os craques mundiais tiveram a possibilidade de igualar o feito do Egipto e dos Camarões.

Apesar das apostas encaminharem-se para a Argélia, campeã em título, ninguém arrisca abdicar de colocar no topo das hipóteses o Egipto, os Camarões, a Nigéria e o Senegal. Essa ordem é, aliás, a mais natural para quem segue hoje o futebol africano. A explicação pode ser encontrada no facto de cada uma dessas equipas reunir no seu plantel jogadores capazes de levar às costas um país.

É verdade que a Argélia conta igualmente com craques como Riad Mahrez, porém não tem a dimensão de Salah ou Sadio Mané. Por detrás deles há outros nomes, capazes de fazer estrago a qualquer defesa. Na segunda linha das hipóteses estão Costa do Marfim, Marrocos e a Tunísia, pela tradição que carregam nos respectivos currículos. Portanto, são remotas as hipóteses de ser uma equipa diferente.

Teixeira Cândido

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