Coronavírus

Negócios renascem na Cidade da Praia; ninguém pretende caminhar para trás

Depois do período inicial conturbado, com avanços e recuos devido à pandemia da Covid-19, os negócios renascem na Cidade da Praia e ninguém quer voltar atrás nas restrições para combater a doença em Cabo Verde.

05/08/2021  Última atualização 05H55
© Fotografia por: DR
"Apanhei a Covid-19 aqui praticamente desde o início”, recorda à agência Lusa Jakeline Oliveira, gerente do restaurante-bar cabo-verdiano-italiano Alkimist, um dos mais antigos da zona balnear de Quebra Canela.
O estabelecimento comercial já tem cerca de 14 anos e Jakeline recorda que a pandemia da Covid-19 foi "trágica” para todos, principalmente para as empresas.

"A Covid-19 foi penalizante para todos, ainda está a ser, mas já melhorou bastante”, afirma a gestora, recordando os fechos, aberturas e reaberturas durante quase um ano e cinco meses de pandemia no país, o que levou a várias medidas restritivas.
"Estamos aqui, regressando e tentando levar as coisas da melhor forma possível”, prossegue, referindo que ainda não contabilizou os prejuízos da maior crise económica da história do país, mas acredita que "foram muitos”.

Jakeline Oliveira recorda as dificuldades durante a pandemia, tanto para o restaurante, como para os clientes, que estavam acostumados com festas e calor humano.
"Mas com a vacina eu penso que as coisas já estão a melhorar, e acredito que agora o certo é caminhar sempre em frente, já chega de caminhar para trás”, conclui a funcionária da restauração, um dos sectores mais afectados pela pandemia em Cabo Verde.

Outro dos restaurantes-bar mais antigos da capital de Cabo Verde é o Flor de Lis, na rua pedonal do Plateau, centro da Cidade da Praia, onde trabalha há quase três anos Iníria Sanches, como assistente comercial.
Em conversa com a Lusa, recorda que os primeiros meses da pandemia da Covid-19 foram complicados, mas não perde a fé em dias melhores.

O Flor de Lis fechou nos dois meses do ano passado em que vingou o Estado de Emergência e depois foi-se adaptando às várias restrições adoptadas pelas autoridades cabo-verdianas, com prejuízos a chegar aos 30%.
"Diminuiu bastante, de 20 a 30%”, contabiliza Iníria Sanches, avançando que o restaurante está a ganhar aos poucos o tempo perdido. "As pessoas vêm e agora estamos a adaptar-nos e acho que as coisas estão a melhorar muito”.

Para a responsável, os clientes estão agora mais confiantes, muito por culpa da vacina e da diminuição de casos no país, e o restaurante está com níveis de ocupação média de cerca de 70%.
"Espero que, com o tempo, cheguemos a 100% e vamos conseguir ultrapassar esta barreira”, refere a funcionária, ao meio da manhã e já com algum movimento no interior e na esplanada do restaurante.

No centro da Cidade da Praia, todas as lojas e serviços estão abertos, tendo como restrição o uso de máscaras e de álcool gel e algumas com limitação do número de clientes e distanciamento.


Artesãos

Também na rua pedonal do Plateau situa-se a sede da Associação dos Artesãos da Ilha de Santiago, que junta cerca de 50 membros activos, que trabalham em barro, pedra, cabedal, bijutarias, vestuário, rendas e bordados, tudo produtos tradicionais para uma lembrança do país.
Há três anos na associação, Gelson Andrade é o responsável pela fiscalização e sentiu os efeitos da pandemia da Covid-19, neste que é um dos muitos espaços de venda de ‘souvenirs’ na Cidade da Praia, sobretudo para turistas, nacionais e internacionais.

"Foi um sufoco”, recorda o artesão, lembrando que mesmo fechado no período de emergência, a associação continuou a pagar 100 mil escudos (906 euros) de renda mensal do espaço, além das despesas com luz, água e dos funcionários.
Com tudo praticamente parado e sem turistas durante vários meses, Gelson Andrade diz que o que tirou os artesões e a associação do sufoco foram as máscaras de pano que quase todos passaram a confeccionar para prevenir a infecção pelo novo coronavírus.

"Mas estávamos quase a fechar as portas”, refere o artista, garantindo estar agora mais aliviado, com as visitas que já chegam a 60% do habitual, e ainda mais nacionais e imigrantes e algum turista estrangeiro.
"Já vemos uma luz no fundo do túnel”, afirma o presidente da Fiscalização da Associação, que aproveita para apelar às autoridades cabo-verdianas a darem mais atenção aos artesãos.

"Não é só falar ou dar cartão, os artesãos precisam de produtos para trabalhar. O cartão não põe o artista a ficar profissional ou melhor do que já é, ajuda a ter um nome, mas o que queremos são produtos para trabalhar”, insiste Gelson Andrade, que também reclama da "concorrência desleal” de produtos e artesãos estrangeiros.

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