Economia

Negócios das empresas avaliados em 537,7 mil milhões de kwanzas

Ana Paulo

Jornalista

O Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) permitiu, nos últimos três anos, a aprovação na banca de 795 projectos e um volume de negócios nas empresas de 537,7 mil milhões de kwanzas, pelos quais prevê a geração de 60 mil empregos, segundo dados avançados, ontem, em Luanda, pelo secretário de Estado para a Economia.

21/07/2021  Última atualização 08H10
Secretário de Estado para a Economia, Mário Caetano João, apresentou os números dos três anos de apoio à produção local © Fotografia por: Paulo Mulaza | Edições Novembro
Mário Caetano João disse na apresentação dos resultados do PRODESI, que os principais financiadores desta iniciativa foram o Banco de Desenvolvimento Angolano (BDA), BIC e BAI.
Conforme detalhou, até ao momento, foram submetidos à banca 1.431 projectos, estão em negociação 96 e em relação a montantes aprovados, os valores fixaram-se em 659,9 mil milhões de kwanzas.

De acordo com Mário Caetano João, estes números representam uma mais-valia para o sector, porquanto até ao surgimento do Projecto de Apoio ao Crédito (PAC) tinha-se menos de 40 projectos aprovados. Em 2020, chegou-se aos 600 e, até à presente data, já são mais de 700.

Quanto ao desempenho das actividades por pacote de apoio, as medidas de Alívio Económico, gerida pelo FACRA e outras Operadoras de Microcrédito (OMC), financiaram dois mil milhões de kwanzas, correspondente a cerca de 1.683 projectos de microcrédito financiados.

No processo de entrega de microcrédito, destacam-se a KixiCrédito, que financiou 539 projectos, seguida da FácilCred, com 456, WileteCrédito, com 440. As restantes estão relacionadas com a CooperaFaje (59), Multicrédito (48), GingaCred (56), NespeCred (42) e, por último, a Ki Crédito (43).
O respectivo balanço apresenta ainda bons resultados na área de apoio às vendas, com o registo dos produtores nacionais no Portal da Produção Nacional (PPN), onde estão controlados, até à presente data, mais de 13 mil produtores residentes nas 18 províncias do país.

Ainda neste domínio, o Ministério da Economia e Planeamento realizou um total de 40 feiras  da Produção Nacional, que resultou num volume de negócio de mais de 530 milhões de kwanzas.
Os eventos resultaram ainda na presença de 1.218 produtores e permitiram a assinatura de 47 Contratos de Compra Futura.

Das feiras realizadas, 33 decorreram no primeiro semestre de 2021, culminando com 26 encontros das fileiras produtivas, com a participação de 196 produtores, com 81 operadores de comércio e distribuição e compradores, e oito contratos de compra de produção.
O secretário de Estado, Mário Caetano João, reconheceu, por outro lado, que o PRODESI foi também positivo no domínio da capacitação, com a realização de 1.870 acções nas áreas de empreendedorismo e cooperativismo.


Crescimento dos sectores  
O secretário de Estado para a Economia destacou ainda os resultados  divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), referente a 2020, segundo os quais, embora ainda tímidos, houve um crescimento no sector da Agricultura de 5,6 por cento, Pescas com aproximadamente três por cento e a Indústria Transformadora com um crescimento aproximado a um por cento. O volume de negócios na Indústria Transformadora foi de 56,64 mil milhões. A perspectiva é de gerar 26 mil postos de trabalho.

"Os resultados alcançados são animadores, mas, há necessidade de se trabalhar mais e melhor para que o país desbloqueie e retome a trajectória do crescimento económico  inclusivo", defendeu Mário Caetano João, que reconheceu que o sector está numa fase de viragem.

Por outro lado, Mário Caetano João reconhece que a acção e amadurecimento das estruturas económicas são hoje desafiantes, devendo ser vistas como um pressuposto para a salvaguarda das empresas competitivas bem como a dignidade das famílias.
"Com a força e coragem do empresariado nacional, dos produtores do ramo animal e vegetal, dos industriais, dos operadores de comércio e distribuição, dos transportadores de mercadorias, dos operadores de têxteis e confecções, e os do turismo é expectável que todos tenhamos, rapidamente, um crescimento robusto da produção nacional, substituindo, racionalmente, as importações e fomentando a diversificação das exportações", disse.

Conforme declarou Mário Caetano João, volvidos três anos do PRODESI, podemos afirmar que o programa existe, é real,  sendo o principal aliado  dos empresários e da produção nacional no esforço conjunto,  que visa alcançar o desenvolvimento económico pretendido pelo Executivo.

Disse, por outro lado, que o Executivo trabalha no programa de forma coordenada e integrada, dando passos firmes para a melhoria do desempenho do sector empresarial privado, além de facilitar a realização de negócios que acrescentem valor e promovam a economia nacional.


  USD 24 milhões nas exportações

As exportações realizadas no âmbito do PRODESI ficaram avaliadas em 24 milhões de dólares, segundo o director para a Inovação e Competitividade do MEP, João Nkossi. O montante descrito é fruto de três produtos mais exportados, nomeadamente sementes, com cerca de 11,82 milhões de dólares; a cerveja com cerca de 5,21 milhões e a embalagem  de vidro para fins diversos com cerca de  2,51 milhões.

Nesse capítulo, os países que mais exportam para Angola foram Brasil, Estados Unidos e Índia.
Quanto às importações, os produtos mais requisitados foram a carne de frango com um gasto de 117,34 milhões de dólares, arroz com 85,64 milhões e óleo alimentar com 63,41 milhões.

Por via destes três produtos, o país tem registado gastos avultados e de forma a reduzir estes desperdícios aos cofres públicos, o Portal do Produtor Nacional tem gizado esforços no processo de registo dos produtores nacionais, sobretudo, os que mais produzem  e  têm no seu plano de acção projectos por implementar nas respectivas fileiras e cadeia de valor. Nesses casos, o PRODESI assume a facilitação para que estas e outros iniciativas cheguem à banca e obtenham o respectivo financiamento com taxas e juros bonificados.
São destinos principais das exportações nacionais o Congo Brazzaville, República Democrática do Congo e Camarões.


  Atingir 10 mil produtores
O Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) pretende, no segundo semestre deste ano, através do Serviço de Apoio ao Produtor, prosseguir com a operacionalização da rede de Agentes de Mobilização e Apoio ao Produtor (AMAP) e atingir 10 mil produtores, registados no Portal do Produtor Nacional e capacitar mais de 600 actores-chave no Agronegócio.

De acordo com o director para a Inovação e Competitividade, João Nkossi, perspec-tiva-se, igualmente, iniciar as formações, no âmbito do "Envolver”, destinadas a técnicos do INAPEM e bancos comerciais, a assistência técnica de jovens mentores às cooperativas e continuar-se a executar as actividades para a melhoria do ambi- ente de negócios de forma a atingir a 168ª posição no "Ranking Doing Business”.

Já no Serviço de Apoio ao Financiamento, João Nkossi disse que se perspectiva promover a disponibilização de recursos de financiamento para os sectores alvos do PRODESI, beneficiando, com crédito no presente ano, 500 empresas e cem cooperativas, assim como disponibilizar-se nova tranche de financiamento para microcrédito. Frisou, por outro lado, que no Apoio às Vendas, o objectivo é disponibilizar o serviço "Made in Angola”, acompanhar a realização de 153 feiras, aumentar a presença do sector do turismo, da iniciativa privada, de prestadores de serviço e de actividades culturais nas feiras.

Está ainda em vista a realização de encontros das fileiras produtivas e promover a realização de mil contratos de compra, sendo que actualmente estão a ser desenvolvidas actividades para a melhoria do ambiente de negócios em 11 domínios, 6 considerados críticos e 5 abrangentes, de forma a melhorar a actual posição (177ª) no "Ranking DB”.

O PRODESI é o acrónimo do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações, aprovado pelo Decreto Presidencial 169/18, de 20 de Julho, para acelerar a diversificação da produção nacional e gerar riqueza, num conjunto de produções. A sua operacionalização está reflectida nos sectores da Alimentação e Agro-indústria, Recursos Minerais, Petróleo e Gás Natural, Florestal, Têxteis, Vestuário e Calçado, Construção e Obras Públicas, Tecnologias de Informação e Telecomunicações, Saúde, Educação, Formação e Investigação Científica, Turismo e Lazer.


  Jornal de Angola foi premiado
O Ministério da Economia e Planeamento homenageou, ontem, na gala comemorativa dos três anos de implementação do PRODESI, 500 integrantes e impulsionadores, que muito fizeram para que o programa fosse um sucesso, estando dentre os quais promotores, agricultores, empresários e órgãos de imprensa, realçando o Jornal de Angola.
O diário público, título do grupo Edições Novembro E.P, foi distinguido pela maior presença e divulgação das actividades sobre o PRODESI e pelo volume e peso das matérias divulgadas nesse período de três anos. Em relação às instituições financeiras, os bancos BDA, BAI e BIC foram os que apostaram mais no financiamento da economia real.

Já os bancos Millennium Atlântico, Caixa Geral de Angola e Yetu foram distinguidos pela performance no atendimento aos clientes.
No sector empresarial, as empresas Jardins da Yoba, principal criadora de sementes, e a Carrinhos & Empreendimentos foram destacadas por terem cumprido com o tempo estipulado para os reembolsos dos créditos com que foram beneficiadas.
Quanto ao processo de capacitação das cooperativas e empreendedores, saiu vencedor o INAPEM.

Ainda sobre as actividades de promoção dos produtos nacionais foi destacado o desempenho dos jornalistas Ana Isabel Paulo, do Jornal de Angola, Hermenegildo Manuel, da Angop, Joaquim Reis e Martins Chambassuco, ambos do Jornal Expansão. Da Rádio Nacional  foi distinguido Adriano Belmiro, da Revista Exame, Mariano Quissola e da TPA, Alexandre Cose.

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