Economia

Negócio do mel chega a facturar mais de 8 milhões de dólares/ano

O volume de 900 toneladas/ano de mel produzido em Angola, se vendido no mercado nacional, ao preço médio de 4.000 kwanzas pelo quilograma, gera uma receita estimada em 3,6 mil milhões de kwanzas (8,1 milhões de dólares).

03/08/2022  Última atualização 07H45
© Fotografia por: Dr

Esta mesma quantidade no mercado europeu, onde o custo do quilo é de 2,23, representa uma receita de pouco mais de 2,0 milhões de euros (875,2 milhões de kwanzas).

Se despachada para os Estados Unidos e Ásia, cujo preço ronda os 5,8 dólares, valerá ao menos 5,2 milhões de dólares (2,2 mil milhões de kwanzas).

Um estudo recente elaborado por especialistas ligado aos órgãos de apoio do Parlamento Europeu estimou em 2,7 milhões de dólares por ano no mercado internacional o valor do mel produzido em Angola.

Este negócio gera pelo mundo mais de 9 mil milhões de dólares por ano em receita.

Porém, constrangimentos na produção impedem o país de vender mel nos principais mercados do mundo, o que ainda assim preocupa os produtores.

Entrave à produção

Segundo Adelino Muxito, especialista em economia internacional, "o mercado global de mel é extremamente exigente e observa a lupa todo o processo de produção", um pormenor que, segundo o mesmo, tem sido o principal entrave à produção nacional.

"Para obter sucesso nas exportações, também é importante observar as tendências e demandas do mercado. Na comercialização de mel, os consumidores têm se preocupado cada vez mais com a origem dos produtos e procuram por alimentos orgânicos, naturais e cujo processo de produção respeita os mais elevados padrões de qualidade. Os apicultores angolanos devem levar em consideração estes aspectos para chegar ao mercado internacional", argumentou em declarações a este jornal.

Angola foi um dos maiores produtores de mel do mundo na década de 1950. Mas ao longo dos anos, a produção nacional permaneceu tradicional e artesanal e ficou para trás à medida que os apicultores de outros países passaram para as técnicas modernas.

A dependência de técnicas tradicionais de produção de mel é um obstáculo para produtores locais na obtenção do certificado internacional, elemento fundamental no processo de exportação.

Há cerca de 19 anos, o empresário Max Vicente, na província do Huambo, criou a Angola Networking, uma empresa voltada para as energias renováveis. Os constrangimentos na im-portação de matéria-prima para a actividade, levou a que o empresário redirecionasse a estratégia de ne-gócios e optou em apostar também no agronegócio. Foi neste contexto que surgiu a "Maxmel", um projecto ligado à produção e comercialização de mel.

"Todos os anos, as vendas da Maxmel aumentam, porque há muita procura de mel ao nível nacional. Mas a capacidade de produção continua ínfima, cerca de duas toneladas de mel por ano, numa área de 25 hectares", lembra o investidor.

Max Vicente procura aumentar o seu negócio de mel orgânico e natural "Maxmel" na província do Huambo, no coração de Angola. A Maxmel produz duas toneladas de mel por ano, que são vendidas inteiramente em Angola, mas o empresário gostava de explorar oportunidades de exportação.


Pedro Fernandes

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