Reportagem

“Ndozi foi um grande comandante”

Jaquelino Figueiredo | Mbanza Kongo

Jornalista

A escassas horas de Angola assumir o seu destino, enquanto país, o comandante Ndozi (David António Moisés) à frente dos companheiros das FAPLA, travava, na zona do Kifangondo, arredores de Luanda, uma das mais ferrenhas batalhas, para impedir o avanço dos comandos do Exército da ELNA/FNLA e forças zairenses, de Mobutu.

15/11/2021  Última atualização 10H32
Jornalista da Rádio Nacional de Angola (RNA), Miguel António, hoje reformado, acompanhou de perto o desenrolar das acções militares em Kifangondo, como repórter. Esteve ao lado do comandante Ndozi.  "O papel do comandante Ndozi, na batalha de Kifangondo, foi determinante para que o saudoso Presidente Agostinho Neto proclamasse a liberdade de Angola e o nascimento deste território como um país livre”, explicou.

Para o então repórter da RNA, a batalha do Kifangondo resultou de um erro propositado das então autoridades portuguesas, que terão premeditado a desestabilização de Angola, enquanto novo país. "A batalha do Kifangondo deu-se já em 1975, quando chega a UPA/FNLA, a UNITA e o MPLA para a cidade de Luanda. O erro do Governo português na altura, foi ter deixado entrar os movimentos com armamento em Luanda”, lembra.

Dias antes da proclamação da independência, segundo Miguel António, a FNLA tinha tropas em Luanda que haviam tentado tomar o poder, mas a pronta intervenção das forças do MPLA, na altura Exército Popular de Libertação de Angola (EPLA), comandadas pelos comandantes Ndozi e Ngongo, expulsaram a tropa de Holden Roberto até à fronteira Norte.
"Após a FNLA ter sido derrotada em Luanda, foi perseguida até à fronteira. Lembro-me que, o general Ndozi e o general Ngongo, estava eu a fazer reportagem, entramos na zona do Sanza Pombo (Uíge) e aparecemos no município do Soyo (província do Zaire) a empurrar a tropa de FNLA até ao ex-Zaíre, de Mobutu, actual RDC”, contou.

Inconformado, Holden Roberto solicitou reforço a Mobutu, o antigo Presidente do Zaíre. Este, por sua vez, enviou comandos zairenses para virem combater as forças do MPLA. "Holden, enquanto cunhado e amigo do Mobutu”, sublinha, para lembrar a bravura do general Ndozi e outros chefes, que travaram as forças do Mobutu, em Kifangondo.

"Houve grandes combates. Eu estava lá como repórter, havia tropas do ex-Zaire, no lado do Panguila, a avançar para o nosso lado (Centro de Luanda). Há ali uma ponte. Durante os grandes combates, como as forças do ex-Zaire progrediam, foi assim que o general Ndozi ordenou a destruição da ponte, para travar o avanço da tropa zairense que vinha para impedir a proclamação da independência. Nós, com a nossa Marinha de Guerra e a tropa cubana "Sinfuengo”, com aquela arma Mona Kaxito e a tropa, devidamente coordenada pelo comandante Ndozi, conseguimos escorraçar a tropa do Mobutu”, acrescentou.



Guerra pós-independência
Economista de formação, Miguel António realça que, após a proclamação da Independência, em 11 de Novembro de 1975, os três movimentos, MPLA, UNITA e FNLA, entraram em rota de colisão e recomeçou a guerra para a disputa do poder. A situação veio a conhecer o fim, apenas com a morte de Jonas Savimbi, a 22 de Fevereiro de 2002.

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