Política

Ndonda Nzinga pode ser o porta-voz da FNLA

Bernardino Manje

Jornalista

Ndonda Nzinga, porta-voz do último congresso da FNLA, deverá ser nomeado, nos próximos dias, secretário para a Informação e Propaganda do partido, revelou, ao Jornal de Angola, uma fonte daquela formação política.

22/10/2021  Última atualização 07H30
© Fotografia por: DR
A fonte do Jornal de Angola chamou a atenção para o facto de, em caso de efectivação, a nomeação de Ndonda Nzinga violar os estatutos do partido, que estabelecem que os membros do secretariado devem ser, por inerência, membros do Bureau Político.
Ndonda Nzinga, que voltaria a exercer um cargo que já tinha ocupado no primeiro mandato do ex-presidente, Lucas Ngonda, não foi reconduzido ao Bureau Político da FNLA formado na sequência do último congresso, que elegeu Nimi a Simbi presidente do partido.

"A sua nomeação seria ilegal e, a acontecer, o presidente Nimi a Simbi estaria a começar o mandato com uma violação dos estatutos, uma acusação que era feita, constantemente, ao ex-presidente, Lucas Ngonda”, disse a fonte.

Contactado, o secretário-geral do partido, Aguiar Laurindo, não confirmou, nem desmentiu, a informação em posse do Jornal de Angola, anunciando, para a próxima semana, a divulgação e tomada de posse do elenco do secretariado da FNLA, o órgão executivo do partido, depois de vários dias de consultas.

Uma outra eminente figura do partido também disse não ser possível nomear-se Ndonda Nzinga para um cargo do secretariado, a não ser que sejam feitos "alguns arranjos” para catapultá-lo ao Bureau Político. 
Ndonda acusado de chantagem     
                                                                                   Algumas fontes da FNLA revelaram, ao Jornal de Angola, que a provável nomeação de Ndonda Nzinga ao cargo de secretário para a Informação e Propaganda do partido, pode ser justificada com supostas chantagens que este estaria a fazer à direcção do partido para que fosse repescado para o Bureau Político e assumisse uma função no secretariado nacional.

"Como ele estava com a incumbência de trabalhar na documentação do 5º Congresso a ser remetida ao Tribunal Constitucional, ameaçou não fazê-lo, caso não analisassem a sua situação", denunciou uma fonte.

A mesma revelação fez uma outra fonte, acrescentando que era por isso que, pelo menos até ontem, a documentação não tinha sido entregue ao tribunal, quando já passam mais de 30 dias desde o congresso."A própria reunião do Comité Central só se realizou dez dias depois do congresso, quando deveria ser no último dia do conclave ou no imediatamente a seguir”, sublinhou a primeira fonte, para sustentar o que considera serem as dificuldades que o novo presidente tem enfrentado para constituir o executivo.

O Jornal de Angola fez tentativas para ouvir a versão de Ndonda Nzinga, mas foram infrutíferas porque não atendia às chamadas telefónicas. Ante à insistência, atendeu mas não pôde falar mais porque se encontrava num óbito e desligou o telefone.

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