Reportagem

Ndalatando celebra 66 anos de existência com olhos virados ao crescimento social

Marcelo Manuel | Ndalatando

Jornalista

O município de Cazengo, (Ndalatando), obteve nos últimos anos, ganhos que o podem catapultar para um nível de desenvolvimento sustentável e transformá-lo numa das mais importantes de Angola, isto é, caso se concretizem todos os projectos em carteira elaborados pelo Executivo e Governo local.

29/05/2022  Última atualização 08H35
Ndalatando, a famosa Cidade Jardim, comemora festas num cenário de progressos sociais © Fotografia por: Nilo Mateus |Edições Novembro | Ndalatando

Este desejo vai se tornar uma realidade, com a implementação da segunda fase do projecto habitacional do quilometro Onze, em Ndalatando, província do Cuanza-Norte, que compreende a construção de 450 casas, que arranca a qualquer momento, fruto da disponibilização, pelo Presidente da República, das verbas necessárias para o efeito, no passado dia 24 de Maio.

De acordo com o director provinvial do Gabinete de Estudos, Planificação e Estatística do   do Cuanza-Norte, Ednildo Teixeira, o Executivo disponibilizou, para a materialização do projecto, um total de 4.439.940.000,00 (quatro mil milhões, quatrocentos e trinta e nove milhões, novecentos e quarenta mil kwanzas.  

Numa altura em que a cidade de Ndalatando, capital da província, celebra os seus 66 anos desde a sua elevação à categoria de cidade, a 28 de Maio de 1956, com carências de zonas habitacionais, o director frisou que  do projecto vai minimizar as carências habitacionais no seio de algumas famílias sinistradas de Cazengo e pessoas singulares.

Fez saber que as três empresas que vão  construir as moradias já estão selecionadas e nos próximos 15 dias podem  escalar o local de construção, para o arranque dos primeiros trabalhos. As residências serão todas de tipologia T-3.

Ednildo Teixeira sublinhou que, a fiscalização está orçada em 167.456.100,00 (cento e sessenta e sete milhões, quatrocentos e cinquenta e seis mil e cem Kwanzas).

O munícipe Apolinário Portela acredita que a nova urbanização, para além de  o alargamento da cidade de Ndalatando, vai trazer mais  emprego para a juventude local, nas áreas de , carpintaria, electricidade, canalização e em outros sectores.

Estão ainda complementadas acções de autoconstrução dirigida e serviços sociais, na mesma área, onde já estão erguidas cerca de 30 casas.

As obras do Quilómetro 11 começaram em Maio de 2020 e  foram financiadas por contribuições e doações de particulares, facto que atrasava os trabalhos, conforme reconheceu o governador do Cuanza Norte, Adriano Mendes de Carvalho.

O projecto, localizado a 11 quilómetros de Ndalatando, ocupa 262,32 hectares, para mais de três mil lotes.

 

Retoma das obras da Urbanização de Cazengo 

As obras de construção da primeira fase da Urbanização de Cazengo, em Ndalatando, província do Cuanza-Norte, reiniciaram no mês de Fevereiro e prevê-se a conclusão de 14 prédios, com um total de 212 apartamentos, 11 dos quais de tipologia A e três do B.

O padrão A, corresponde a 176 apartamentos nos andares de cima e o B, na parte térrea (rés-do-chão), contará com 36 apartamentos e 12 lojas.

Dois anos depois da sua paralisação por causa de constrangimentos financeiros e agravada com o surgimento da pandemia da Covid-19, o fiscal da Obra, Tiago Nhanga da empresa TECPROENG, afirmou que neste momento foram já ultrapassadas todas as questões de cariz financeiro e até ao momento os trabalhos decorrem sem sobressaltos.

Sem avançar o nível de execução física e financeira dos trabalhos, nem o tempo de execução do mesmo, Tiago Nhanga precisou que, neste momento está a ser reajustado o cronograma de trabalho devido o tempo que tudo ficou parado e tão logo seja concluído tanto a cabimentação financeira e o tempo de actividade serão divulgados publicamente.

O director da Obra, Rui Campos, destaca a existência de 120 trabalhadores, na sua maioria locais. Aventou a possibilidade do aumento do número de trabalhadores, de acordo com a evolução dos trabalhos.

A maquete do projecto espelha que os apartamentos serão de tipologia T-3, com sala de estar e de jantar, cozinha, três quartos, um dos quais suite, instalação sanitária comum, área de circulação, arrumos, lavandaria (exterior), e varanda.

Consta ainda do plano, a construção de uma rede viária, estação de tratamento de água e outra de tratamento de águas residuais e posto de saúde. A construção de escolas, creches, parque de estacionamento e esquadra policial serão comtemplados na segunda fase.

 

Habitantes satisfeitos com reinício de obras 

Cidadãos interpelados pela reportagem do Jornal de Angola e vivem em bairros desordenados e em zonas de difícil  acesso em Ndalatando, dizem estar satisfeitos com o arranque das obras de construção  da  centralidade de Ndalatando.

Mateus Domingos Zua, de 31 anos, é um dos moradores do bairro Sassa, arredores de Ndalatando, falou das vantagens de viver na centralidade em relação ao bairro distante dos serviços, sobretudo, públicos, e com dificuldades de acesso.

Outra vantagem apontada por Mateus Domingos Zua, é o fornecimento e abastecimento de energia elétrica e água sem interrupções. "Por isso, penso em adquirir um apartamento na centralidade de Ndalatando e só espero que as obras não voltem a paralisar”, disse.

Marta Antonieta tem o sonho de futuramente conseguir uma residência naquela urbanização, pelo facto do futuro hospital e escola dos filhos ficarem mais próximos de casa.

Acredito que a vida na urbanização  será muito diferente da vida que temos no bairro, disse Marta Antonieta.

 

Mais água para a cidade de Ndalatando

Um outro projecto ligado à melhoria do fornecimento de água potável a sede municipal de Cazengo, Ndalatando, província do Cuanza-Norte, com o carácter urgente, avaliados em mais três mil milhões de Kwanzas, financiados pelo Executivo, também vai arrancar nos próximos dias,  segundo o governador Adriano Mendes de Carvalho.   

De acordo com o governante o projecto de Cazengo está avaliado em 3.246.876.750,00 (três mil milhões, duzentos e quarenta e seis milhões, oitocentos e setenta e seis mil, setecentos e cinquenta kwanzas), disponíveis através do despacho Presidencial número 58/22 de 16 de Março.

A fonte de captação será erguida por detrás do morro 1014, a partir do leito do rio Lússue, com uma conduta do tipo DN 250, com cerca de seis quilómetros e 200 metros, que vão reforçar o sistema já existente a nível de Ndalatando. As obras arrancam depois dos acertos burocráticos entre o Governo Provincial de Cuanza-Norte e a empresa contratada.

Com a conclusão das obras, prevê-se a melhoria do fornecimento de água a  cerca de 50.000 habitantes residentes nos bairros Carreira de  Tiro, Mahamba, Tiro aos Pratos, Camundai, Vista, Mesquita e Sassa. As zonas Leste, Centro e Sul da cidade de Ndalatando, vão ser abastecidas com o reforço da capacidade já instalada do projecto Mucari.

Segundo Adriano Mendes de Carvalho o referido projecto vai servir de alternativa,  enquanto se aguarda pela conclusão do projecto criado a partir do rio Lucala, a 36 quilómetros, cujas obras arrancaram a cerca de seis meses, com a execução das obras do centro de captação, tratamento e colocação da tubagem que vai transportar o "precioso líquido", num percurso com cerca de 40 quilómetros. 

 

Obras do PIIM em curso e outras já finalizadas

Em relação às obras do PIIM, foram inauguradas recentemente as obras de asfaltagem das ruas do bairro da Juventude e Sassa, periferia de Ndalatando, numa extensão de cerca de cinco quilómetros, desde Fevereiro, garantindo maior conforto e dignidade aos moradores locais.

O encarregado do projecto, Fernando Moreno, frisou na ocasião, que para além da asfaltagem foram feitas a construção de mais de dois quilómetros de lancis, sistema de drenagem, mais de 10 mil metros quadrados de passeios e sinalização vertical e horizontal

Um bilião e 180 milhões de Kwanzas constituem o valor da obra, acrescido de um investimento de 35 milhões e 400 mil Kwanzas, destinado ao pagamento à empresa fiscalizadora.

A Administração Municipal de Cazengo procedeu, também, a terraplanagem e limpeza de passagens hidráulicas de três quilómetros, nos bairros 11 de Novembro e 28 de Agosto. Estão em curso a construção de 77 salas de aulas, um aterro sanitário e morgue do Hospital Sanatório.

Actualmente, o município sede tem 1793 Km2 de superfície compreendendo a Comuna da Canhoca, Sectores de Zavula e Zanga, 117 bairros, sendo 46 da periferia e 71 suburbanos, controlando 115 Autoridades Tradicionais e uma População estimada em 143.596 habitantes, segundo os resultados do Censo de 2014.

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