Sociedade

“Naturopatas sem qualquer formação são um perigo”

Alexa Sonhi

Jornalista

O organizador do congresso, o naturopata José Nguepe, disse que o evento serviu para elucidar a sociedade sobre o potencial das plantas na cura de muitas doenças, sobretudo da Covid-19.

25/09/2021  Última atualização 07H15
Venda de plantas medicinais precisa de um maior controlo das autoridades sanitárias do país © Fotografia por: DR
A Inspecção Geral da Saúde (IGS) alertou, quinta-feira, em Luanda, os perigos que representam os naturopatas que exercem a profissão sem estarem qualificados nem licenciados para o efeito.

A inspectora-geral da Saúde, Nídia Saimbo, que falava durante o encerramento do III Congresso de Medicina Natural, disse que essa situação tem estado a causar vários problemas de saúde às pessoas que procuram serviços prestados por esses indivíduos.

No evento, organizado pela Clínica Videira Nguepe, que decorreu sob o lema "Medicina Natural no Contexto das Epidemias”, a inspectora-geral acusou esses falsos terapeutas de prestarem  mau serviço aos pacientes, por não cumprirem as normas e ignorarem as regras de biossegurança, em tempo de pandemia da Covid-19.

Nídia Saimbo frisou que, por conta dessas debilidades, um total de 26 unidades de medicina natural tem as licenças empatadas, para que possam, primeiro, melhorar as condições de atendimento a nível do pessoal qualificado.

Neste momento, o país reconheceu 42 clínicas de medicina natural, que respeitam as balizas e a relação entre a sua actividade e a medicina convencional.

A inspectora salientou que a medicina natural tem estado a merecer atenção na agenda do Executivo, ao reconhecer os avanços científicos dos trabalhos desenvolvidos pelos médicos naturopatas e, prova disso, foi a aprovação da Política Nacional da Medicina Tradicional e Natural.

Com a aprovação deste dispositivo legal, o Executivo pretende regular o exercício da medicina tradicional e complementar a produção, conservação, distribuição, armazenamento, comercialização e uso de fitoterapia e outros recursos naturais no Sistema Nacional de Saúde. 
Potencial das plantas

Referiu que a ideia foi, igualmente, abordar a capacidade que as plantas têm na melhoria do sistema imunológico do ser humano.
José Nguepe salientou que, apesar das plantas ajudarem muito na cura da doença, é preciso que se tenha cuidado no seu uso, para evitar o interacção medicamentosa, uma vez que cada medicação tem um princípio activo.

Durante o congresso, foram abordados assuntos relacionados com a interacção dos fitoterapeutas e os medicamentos químicos nas grandes endemias e pandemias, a importância dos laboratórios biomédicos nas pandemias, doenças emergentes e reemergentes e o impacto do Covid-19 em Angola e a medicina natural.

No fim da actividade, foi lançado o livro de autoria de José Nguepe, intitulado "O Impacto da Covid-19 em Angola e a Medicina Natural”.
Câmara apela à formação 

Também preocupada com a formação dos seus associados está a Câmara Profissional dos Terapeutas de Medicina Tradicional e Natural de Angola, segundo o presidente da organização, Kitoco Maiavangua.

Defendeu a necessidade dos praticantes da medicina tradicional se formarem bem, desde os cursos médios e aos superiores em Naturopatia e Fitoterapia, para melhor conhecerem a natureza da profissão e as potencialidades das abordagens médicas modernas.

Kitoco Maiavangua, que falava, ontem, durante o encontro metodológico dos terapeutas tradicionais, sublinhou que a Câmara Profissional dos Terapeutas tem identificado os associados formados.

Por isso, avisou que "os que trabalham de forma empírica, ou seja, sem formação vão pertencer apenas ao Fórum da Medicina Tradicional de Angola. Só quem tem formação superior em Naturopatia ou Fitoterapia vai fazer parte da Câmara Profissional dos Terapeutas de Medicina Tradicional”.

Para o caso dos profissionais com certificado de formação superior em Naturopatia ou Fitoterapia feito dentro ou fora do país, Kitoco Maiavangua disse que esses deverão passar por um estágio de três meses e, em função do aproveitamento que tiveram, vão ser enquadrados numa dessas duas classes estabelecidas.

Até agora, a Câmara tem inscritos 1.200 terapeutas tradicionais, mas a nivel do país existem 60 mil praticantes de medicina natural. Destes, 31 mil são parteiras tradicionais.

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