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Não está nada perdido

Um investidor estrangeiro comprou, recentemente, títulos de dívida pública angolana no valor de 4,5 mil milhões de kwanzas. Foi a primeira vez que um estrangeiro comprou dívida angolana na nossa moeda. Passo seguinte, já em eurobonds, na concorrida e famosa Bolsa de Londres, Angola ousou emitir dívida pública.

24/04/2022  Última atualização 07H50

A emissão de títulos no valor de 1,75 mil milhões de dólares, foi consumida num estalar de dedos. A operação acabou descrita pela elevada procura e os pedidos dos investidores, em plena Bolsa de Londres, superaram 2,3 vezes a oferta.

O Kwanza, a nossa moeda, vai galgando terreno face ao dólar e ao euro. Para um país que ainda depende muito de importação, esta valorização tem, certamente, impacto nos preços. As agências internacionais e até instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial prevêem que a economia cresça, este ano, acima dos 3 por cento, bem acima dos 2,4 por cento assumidos pelo Governo. Depois de vários anos de recessão, as previsões avançadas são excelentes, e mais, o endividamento do país está a reduzir. O FMI prevê que, depois de vários anos de subida constante e galopante, a dívida faça, desta vez, o percurso o inverso. Até 2027, deve cair para o equivalente a 36,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Para se ter uma visão real deste esforço, vale lembrar que, em 2020, a dívida pública representou 136,8 por cento de toda a riqueza produzida pelo país durante aquele período. No ano seguinte, já equivalia a 86,3 por cento.

A projecção do FMI é que agora, este ano, caia para 59,7 por cento e no próximo ano desça ainda mais um pouco, para 54,6 por cento. As reformas iniciadas em 2017 começam a dar resultados que permitem olhar para frente com mais certeza. É isso também que sentem os investidores. A confiança que o leva a acreditar no Kwanza para aplica r o seu dinheiro. Sem as reformas teríamos vivido, certamente, mais uma década perdida. É esta confiança, por exemplo, que traz a multinacional de diamantes De Beers de regresso a Angola, depois de 10 anos. Depois da saída atribulada em 2012, a multinacional De Beers anunciou investimentos de 33, 2 milhões de dólares, para a prospecção inicial de depósitos primários e secundários de diamantes nas concessões de Muconda (Lunda-Sul) e Lumboma (Lunda- Norte). O contrato com a Endiama já está assinado. Ao contrário do que apregoam alguns pessimistas, há razões para os angolanos se manterem optimistas. Desde 2017, muita coisa aconteceu, incluindo uma pandemia que roubou quase ano e meio à economia.

Desde Março de 2020, quando a Covid-19 eclodiu, o mundo parou. As fábricas fecharam, as pessoas (devido a restrições ou medo) ficaram em casa e os transportes reduziram drasticamente. Assistiu-se à paralisação quase total da actividade.

Para um país como Angola, que já vinha de uma luta para se recompor, o abalo foi maior. Afinal, com uma economia pouco diversificada, muito dependente do petróleo, o impacto tinha de ser maior. Realizar reformas no meio de restrições globais impostas pela pandemia foi ainda mais desafiador.

Os resultados hoje podem deixar orgulhosos os angolanos, que consentiram sacrifícios para que a economia do país ganhasse previsibilidade. Hoje é mais fácil as pessoas organizarem as suas vidas e saberem onde a economia os vai levar.  É de toda a justiça aplaudir a  melhoria da qualidade de vida, que hoje se observa com o surgimento de mais hospitais de referência em locais onde só haviam postos médicos, ou as escolas que surgem agora em todos os lugares, para reduzir a distância das crianças ao aprendizado. Há coisas que ainda precisam de ser melhoradas, é verdade. Mas hoje fica tudo mais fácil para iniciar a caminhada. Só precisamos manter a estabilidade. Por falar em estabilidade, vale, também, lembrar que, enquanto os preços dos alimentos sobem no mundo, pressionados  pela guerra entre a Ucrânia e a Rússia, cá dentro os preços vão caindo. Porque oportunamente, o país optou por avançar com uma reserva estratégica alimentar para fazer face às crises. Não está nada perdido!

 

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