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“Namoro pode ser saudável ou abusivo”

A psicóloga Suzana Diogo disse, ontem, ao Jornal de Angola, que o namoro pode ser considerado saudável ou abusivo.

14/02/2022  Última atualização 05H50
© Fotografia por: Edições Novembro
Definiu que o namoro saudável é aquele que a pessoa consegue ter como fonte do seu bem-estar, onde há respeito, companheirismo, reciprocidade, confiança, atenção e outros componentes que certamente ajudam a manter a saúde mental, indispensável para qualquer relacionamento que se proponha a ser duradouro.

Considera o namoro abusivo aquele relacionamento tóxico, que se caracteriza por acções que tendem a ferir a integridade física, psicológica e moral da outra pessoa.
Neste tipo de relacionamento, realçou, é notável a dominação de um em relação ao outro, a presença do ciúme excessivo, abusos, manipulação, controlo, ausência de diálogo assertivo, humilhação, difamação, calúnia e outras atitudes que prejudicam o relacionamento e sequestram totalmente a subjectividade da pessoa.

A psicóloga explicou que independentemente do tipo de namoro em que a pessoa está envolvida e a fase em que se encontra, é importante não permitir viver num relacionamento tóxico e aprender a identificar os sinais de uma relação desta natureza, porque pode carregar consigo algumas preocupações como o suicídio, homicídio, baixo auto-estima, isolamento social, distúrbios sexuais, depressão, ansiedade e o consumo excessivo de álcool e outras drogas.

Suzana Diogo alerta que os relacionamentos tóxicos podem provocar traumas às pessoas que vivem directamente com essa realidade.
A psicóloga realçou que o Dia de São Valentim, considerado como o patrono do amor, foi instituído no sentido de dar maior relevância a este sentimento, que a cada dia nos impulsiona para a vida.

"A data é marcada por expectativas, as ruas ficam decoradas de vermelho, branco e rosa, acendendo e reacendendo a vontade de estar cada vez mais perto de quem se deseja, como se fosse a lei da atracção, onde se acredita que pela força dos pensamentos, sentimentos e emoções as pessoas conseguem manter-se conectadas a quem desejamos”, definiu.

Destacou que é no namoro onde dá-se início ao processo de um relacionamento amoroso entre casais, porque envolve várias fases, tendo início e por vezes um fim.
No decorrer do namoro, realçou, podem surgir paixões, ilusões e também alguns empecilhos, como a violência, dependência emocional, intolerância e outros que tendem a torná-lo tóxico e insuportável para um ou para os dois. "É facto que em tempos idos, o namoro era feito de forma diferente, com algumas restrições e acções que requeriam a autorização dos pais".

Segundo Suzana Diogo, em alguns casos, eram os próprios familiares que escolhiam o namorado para a filha, em função das boas relações socioeconómicas, onde os namorados não dormiam juntos com frequência e liberdade com que se faz actualmente.

Acrescentou que, por vezes, os jovens davam início a uma relação amorosa sem mesmo se conhecerem. "São alguns exemplos claros da diferença entre o passado e o presente nesta matéria. Apesar de tudo, não podemos apenas pintar de negro o presente, que também trouxe consigo aspectos positivos, como a maior intimidade, envolvimento, partilha entre o casal”.

Hoje, por exemplo, destacou, já se fala em liberdade de escolha do parceiro e na possibilidade do término da relação quando se percebe alguma toxicidade no relacionamento, o que anteriormente não era regular ou permitido”. Anteriormente, esclareceu, se falava em namoro sério, hoje, ouve-se com frequência a palavra "ficar”, para se referir aos namoricos instantâneos e sem compromisso, havendo logo no primeiro encontro a possibilidade de manter relações sexuais, trocar beijos e carícias.

A psicóloga considera que, até certo ponto, nota-se perda dos valores morais e culturais, resultado de factores como o avanço da tecnologia, ausência do diálogo, tipo de educação e a falta de orientação.

Suzana Diogo não diz se o namoro anterior é melhor do actual ou vice-versa. Considera serem épocas diferentes e cada uma com as suas particularidades. "Não existe namoro perfeito, tal como não há ser humano perfeito. Namoro não é sinónimo de felicidade, pessoas solteiras também são e podem ser felizes”.

A psicóloga refere que não há idade certa para namorar. Contudo, é necessário que ao fazê-lo a pessoa tenha maturidade suficiente e esteja ciente das consequências, tanto no sentido positivo como negativo, saber se é a pessoa certa para partilhar os seus medos e sonhos ou ter filhos, em consequência de uma gravidez desejada ou não.

Para a especialista, o na-moro precoce e sem compromisso pode acarretar sérias consequências, como a gravidez indesejável, problemas no desenvolvimento e dificuldades de aprendizagem.
Salientou que existem vários tipos e formas de namoro, desde a mais básica que se assemelha a uma amizade até a mais completa que envolve intimidade, companheirismo, e envolvimento afectivo e sexual.

"Do namoro permissivo ao controlador e obsessivo, do mais aberto ao reservado, importa ressaltar que o melhor tipo de namoro é aquele que promove a felicidade para o casal”, considerou.

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