Política

Namibe: Projecto vai acabar a transumância e devolver as crianças às escolas

Edna Dala

Jornalista

Construção das sete barragens de contenção de águas para a província do Namibe, anunciadas domingo pelo presidente do MPLA, vai acabar com a transumância e outras conveniências que têm retirado as crianças das escolas nas regiões afectadas pela seca severa.

16/08/2022  Última atualização 08H22
João Lourenço anunciou, no Lubango, as vantagens dos projectos em curso para a melhoria da vida das populações © Fotografia por: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Referindo-se às barragens do Bentiaba, do Bero, do Giraul, Curoca, Kalujamba, Namu a Ngando, João Lourenço disse que a pretensão, com estes projectos, é acabar com a transumância, a retirada forçada das crianças nas escolas e assentar as famílias que são obrigadas a deixar as terras por falta de água.

O projecto, segundo o candidato do MPLA a Presidente da República, vai impulsionar, sobretudo, os produtores de gado que poderão continuar a fazer pecuária, criar animais e dedicar-se à agricultura.

As barragens de contenção das águas que descem do Planalto da Huíla, pelos rios secos e nas linhas de água que se perdem no mar da província do Namibe, disse, vão ser reaproveitadas e armazenadas nas sete grandes barragens.

Ao apresentar o projecto aos militantes do Namibe, o líder do MPLA referiu que a Barragem do Bentiaba terá uma capacidade de armazenamento de 150 milhões de metros cúbicos de água para irrigar 540 hectares de terra e dar de beber 40 mil cabeças de gado.  A Barragem do Bero, continuou, vai beneficiar cerca de 100 mil pessoas e 60 mil cabeças de gado.

Já a Barragem de Kalujamba terá uma capacidade de armazenamento de 70 milhões de metros cúbicos de água e vai dar de beber a 85 milhões cabeças de gado. A de Namu Ngando Ngano armazenará 100 milhões de metros cúbicos de água e beneficiará, pelo menos, 85 mil cabeças de gado.

A Barragem de Giraul, na cidade de Moçâmedes, vai abastecer 30 mil habitantes e a de Curoca, a maior de todas, servirá 40 mil pessoas e dará de beber 170 mil cabeças de gado.

Dos programas de combate à seca no Sul de Angola, admitiu João Lourenço, o mais audacioso, dispendioso, e que vai levar muito mais tempo a ser construído, é o da província do Namibe. Com o programa de construção das barragens já avaliado, incluindo o custo global, referiu, o Governo está a trabalhar para a materialização destas obras.

Com a construção destas barragens, salientou o presidente do MPLA, a água será tanta que não servirá apenas para dar de beber o gado. Vai servir para o consumo e também para introduzir a esses povos o hábito de fazer agricultura e acabar com o assistencialismo.

Para João Lourenço, o assistencialismo não pode ser para sempre: "O assistencialismo hoje justifica-se, por não haver água. Por isso, o Estado e a sociedade civil vêm em socorro das populações, mas assim que aumentar a oferta de água às populações terão que produzir para si e vender o excedente para comprar roupas, calçados para os filhos irem à escola, tractor ou motorizada, entre outros bens”.

O candidato reiterou que a província do Namibe não conhecerá investimentos maiores e mais importantes do que a construção das barragens: " Podemos fazer investimentos de todo o tipo nesta província, mas não haverá investimentos maiores e mais importantes do que a construção destas sete barragens e não me refiro aos custos, mas a importância social e económica para a população desta província”.

João Lourenço, que se mostrou confiante na vitória, disse que para o mandato que se avizinha o partido tudo fará para dar início e concluir, de preferência no mandato 2022-2027, caso vença o pleito de 24 de Agosto, a construção destas barragens vai permitir acabar com o sofrimento do povo no que toca à escassez de água.

O projecto de construção de barragens do Namibe, reconheceu, é de uma engenharia muito mais complexa, com diques muito altos e mais extensos ainda em comprimento e vão além de armazenar mais água, do que as outras barragens.

Na ocasião, o líder do MPLA disse ter noção que o assistencialismo é uma medida paliativa para salvar vidas, minimizar o sofrimento das populações e do gado. O programa concebido para pôr fim à problemática da seca no Sul de Angola é ambicioso e abarca três províncias, a começar pelo Cunene que já executou o canal do Cafu, numa extensão de 165 quilómetros.

 

Combate à desertificação

No acto de massas, João Lourenço prometeu dar todo o apoio e seguir as políticas para combater a expansão do deserto, principalmente do Namibe, que neste momento ocupa 60 por cento do território da província.

Neste sentido, tudo deve ser feito para que daqui a alguns anos não ocupe 70 ou 80 por cento do território: "Precisamos lutar com medidas conhecidas pelos especialistas”.

Reconheceu existir desertificação em outras províncias, como Benguela e Cuanza-Sul, porém, a que mais preocupa é a do Namibe com dimensões maiores.

O deserto traz consigo a seca e em determinados períodos pode ser severa, e infelizmente, nos últimos anos tem sido. A desertificação, continuou, agrava a pobreza: "Temos procurado mitigar a pobreza provocada pela seca severa com medidas do Executivo, desde a distribuição de bens de sobrevivência, intervenção da sociedade civil e ONG, mas o assistencialismo não pode ser para sempre".

 

Unidade de tratamento de hemodiálise

Para a província das terras místicas da Welwítschia Mirabilis, o candidato do MPLA anunciou a montagem de uma unidade de tratamento de hemodiálise, que será acoplada ao Hospital Central Ngola Kimbanda.

A unidade de tratamento de hemodiálise, disse, não foi contemplada na altura em que foi construído o Hospital Central. Os doentes renais desta província são obrigados a deslocar-se à cidade do Lubango, subir a Serra da Leba. "Não é nada agradável, sobretudo, para um doente. É neste sentido que vamos montar uma unidade de hemodiálise no Hospital Ngola Kimbanda”, reforçou.

João Lourenço anunciou, também, para este ano, a admissão de 225 profissionais do sector da Saúde, entre médicos, enfermeiros e técnicos. Depois de destacar a realização de vários concursos públicos de admissão nos sectores da Educação e da Saúde, desde 2018 até ao momento, indicou o enquadramento de 1.170 profissionais da Saúde.

Para o efeito, prometeu para o próximo mandato, em caso de vitória, a conclusão dos hospitais municipais do Tômbua e da Bibala.

Desenvolvimento Integral da Baía de Moçâmedes.

João Lourenço destacou, também, o Projecto de Desenvolvimento Integral da Baía de Moçâmedes, que considerou bastante ambicioso e de grande importância para o Sul do país. "Vai alterar, profundamente, para melhorar a economia da Região Sul de Angola e a entrada em funcionamento deste programa que compreende dois projectos, nomeadamente, o Projecto de Requalificação do Porto Mineiro e do Terminal de Contentores”, disse.

O Terminal de Contentores e outros de menor dimensão, associados a estes, vão mudar, de forma radical, a cidade de Moçâmedes. Na fase de construção ou quando servir a economia, reforçou, vai garantir muitos postos de trabalho para os jovens.

 

Centro de redistribuição de energia

O candidato do MPLA a Presidente da República prometeu, no seu discurso de uma hora, a construção para os próximos tempos do Centro de Redistribuição de Energia para beneficiar os municípios de Moçâmedes e do Tômbua.

Anunciou, também, a Linha de Transmissão de 220 quilowatts para ligar Lubango à cidade de Moçâmedes. O projecto, acrescentou, tem como objectivo levar a Namibe a energia produzida no Lubango. A mesma energia produzida em Laúca, Cambambe, que será reforçada com a que virá de Caculo Cabaça, realçou, já chegou no Centro do país, Huambo e Bié.

Com essas Linhas de Transmissão para as províncias da Huíla e, a partir de Lubango e Matala, estende-se para o Namibe e Cunene.

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