Sociedade

Namibe e Huíla vão receber luz eléctrica a partir de Dezembro

Vladimir Prata | Moçâmedes

Jornalista

A primeira central fotovoltaica do Namibe, cujo projecto foi lançado, sexta-feira(20), na localidade do Caraculo, a 60 quilómetros de Moçâmedes, capital da província, começa a gerar energia eléctrica a partir de Dezembro.

21/05/2022  Última atualização 08H10
Empresa Solenova vai produzir energia fotovoltaica que iluminará as províncias do Namibe e da Huíla © Fotografia por: DR

O projecto orçado em mais de 30 milhões de dólares, uma parceira entre a empresa Sonangol e a italiana ENI, vai produzir, numa primeira fase, 25 megawatts de energia eléctrica, e depois mais 25, para as províncias do Namibe e Huíla.

A parceria entre a Sonangol e a ENI resultou na criação da empresa Solenova, com 50 por cento de capital para cada uma, sendo esta a entidade que deverá executar e operar os projectos de energia renováveis. O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, que dirigiu o acto, referiu que Angola demonstra, com este projecto, que não está distraída em relação às mudanças que ocorrem no mundo.

"Temos que usar os nossos combustíveis fósseis, mas não podemos ficar distraídos em relação a todo este processo de transição energética. Para provar isso, estamos hoje aqui a lançar este projecto, para além doutros que estão a ser executados e dos que se seguirão”, referiu. Diamantino Azevedo realça que  a transição energética é um assunto que começou a ser abordado entre o Executivo e vários parceiros, desde o início do mandato prestes a terminar, em 2017, e que a resposta da empresa italiana ENI foi a mais prática.

"Sentimos que as mudanças que se iriam operar no mundo, hoje conhecidas como transição energética, precisavam, da nossa parte, uma resposta rápida, porque o nosso país não pode deixar passar ao lado esse momento importante que estamos a verificar no mundo, ou seja, a mudança que se pretende do paradigma de uso dos combustíveis fósseis para outras fontes de energia” disse.

O ministro recordou que o acordo para a implementação do projecto de energia fotovoltaica do Caraculo foi assinado em 2019, considerando que a etapa mais difícil está por vir. "Acabamos de fazer uma promessa ao go-verno do Namibe e à população da província, e queremos cumpri-la no tempo previsto e com a qualidade que se exige”, referiu.

Afirmou que, com este projecto, a Sonangol demonstra a sua estratégia em transformar-se numa empresa de energia e não manter-se exclusivamente como em-presa de hidrocarbonetos. Diamantino Azevedo falou, ainda, da existência de outro projecto de biocombustíveis em parceria com a ENI, o qual conta, igualmente, com a província do Namibe .

"Estamos, também, empenhados em projectos de hidrogénios. Para não criarmos estes projectos de forma empírica, criamos o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Sonangol e alargamos o seu objecto social  além dos hidrocarbonetos, também para energias renováveis e para os minerais para os carros eléctricos”, revelou.

O administrador executivo da Sonangol, Baltazar Miguel, realçou o facto de o projecto fotovoltaico de Caraculo ser o primeiro passo da empresa rumo às energias verdes, destacando a redução do consumo de gasóleo para a produção de electricidade  em cerca de 180 mil toneadas por ano, o que significará uma poupança de 20 milhões de dólares anualmente.

O director-geral da ENI, Bruno Mongino, destacou,  que a central de energia solar do Caraculo vai permitir a redução da emissão de gases com efeito estufa, num valor de 50 quilotons de CO2 por ano. Já o governador provincial do Namibe, Archer Mangueira, considerou que o projecto vai contribuir para o desenvolvimento sustentável das comunidades que terão melhorias no acesso à água, saúde e educação.

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