Cultura

Nadir Taty partilha vivências com jovens do Cazenga

Manuel Albano

Jornalista

Numa conversa descontraída, durante duas horas Nadir Taty abordou com os jovens temas como o empreendedorismo e o auto-emprego, moda, indústria têxtil, artes e ofícios e liderança. Em suma, a actual situação do país e da juventude dominaram o diálogo.

29/08/2021  Última atualização 07H50
Nadir Taty partilhou a sua experiência de vida com a juventude do Cazenga © Fotografia por: Dombele Bernardo
Para Nadir Taty, o mais importante é o próprio jovem saber o seu posicionamento na sociedade. A estilista defende a continuidade das políticas direccionadas aos jovens, para os ajudar a alcançar os seus sonhos e objectivos. Segundo disse, as artes, a história, a cultura, devem fazer parte do desenvolvimento da juventude.

A importância de se agregar aos conhecimentos as melhores referências do mundo das artes, em especial da moda, é para Nadir Taty um factor indispensável de orientação da juventude. "Quando ouvem falar de mim, conseguem perceber que existe um presente, um passado e um futuro”, disse.

No domínio das artes, disse Nadir Taty, devem continuar os incentivos para que a juventude possa atingir outros patamares. "É importante acreditar no talento da juventude, dando-lhe a oportunidade de aumentar os conhecimentos académicos, que a irá posicionar e prepará-la para os grandes desafios no mundo das artes”.

A também empresária alertou para a necessidade do trabalho árduo para quem quer consolidar a carreira. O imediatismo, que tem acompanhado o fenómeno da globalização, na sua opinião, é difícil de combater, porque muitos jovens desconhecem as origens de quem é bem-sucedido. "É importante que se fale sobre os desafios, obstáculos e como ultrapassá-los com mestria e determinação, sem perder a nossa identidade”, realçou.  


Novos HorizontesPara Nadir Taty, a procura de novos horizontes no universo da moda africana e internacional, tendo em conta as novas tendências, é o maior desafio para quem pretende dar continuidade à carreira de estilista e design de moda. Para ela, criadores jovens têm estado a trazer propostas inovadoras para conquistar o mercado nacional, com objectivos e desafios bem definidos, na tentativa de encontrar na moda a possibilidade de ascender na carreira profissional e buscar novos factos culturais, o que "tem levado muitos jovens a apresentarem propostas inovadoras e ousadas, algumas das quais bem recebidas pelo público”.

Diante das dificuldades, dirigir o próprio atelier de costura no país não tem sido fácil, obrigando a uma "ginástica financeira” enorme. A ideia de criar um projecto próprio, disse Nadir Taty, tem despertado o interesse pelo mundo têxtil de muitos adolescentes, que procuram combinar cores com as novas tendências do mercado da moda. Os resultados destas misturas ousadas, assentes na combinação de cores, têm conseguido conquistar o público, frisou. Os anos de prendizagem constante, disciplina e determinação, são alguns dos segredos apontados pela empresária para quem pretende conquistar o mercado exigente e competitivo que é o internacional. Porém, aconselha, "é importante saber desenvolver projectos sobre a moda contemporânea, mas preservando sempre os traços culturais nacionais na produção das roupas”.


Os participantesCatarina Sebastião, 22 anos, está a fazer o terceiro ano do curso de Enfermagem na Universidade Kalandula. Já faz, por conta própria, trabalhos   de costura e design de moda. Disse que a concorrência e as dificuldades em adquirir a matéria-prima têm sido os seus maiores obstáculos. A falta de equipamentos é outro dos entraves. Mas o facto de ter uma boa agenda e contar com a colaboração de colegas, tem lhe permitido criar os seus modelos. Tudo começou há um ano. Sem experiência nem formação na matéria, a vontade de vencer na vida a tem ajudado a superar os obstáculos.

O jovem estilista Carlos João, mais conhecido nas lides artísticas como o "Homem Pano”, tem 28 anos e está no mundo da moda há dez. Conta que as dificuldades da vida o levavam ocasionalmente à arte do corte e costura. A falta de dinheiro para comprar roupa para frequentar a escola deu-lhe a oportunidade de mudar o rumo da vida. "A minha mãe deu-me um pano porque não tinha dinheiro para me comprar roupas. Fui ter com um alfaiate que me ofereceu um fato africano. Comecei a receber elogios e senti que tinha aí a minha fonte de inspiração. Decidi fazer um curso de design e formações em corte e costura”.O jovem estilista espera que a fábrica de tecidos Textang II resolva o problema da falta de tecidos para confeccionar as roupas. "E que   os preços dos tecidos no mercado baixem substancialmente”, augurou.  

Projecto vai a todos os municípiosO projecto Jango Comunitário está inserido no Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza (PIDLCP) do Executivo angolano, que tem procurado apoiar as iniciativas culturais e artísticas que ajudem a fomentar o auto-emprego. Esse exercício tem sido feito com os mais variados agentes culturais, instituições públicas e privadas, em parceria com a Direcção Provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos de Luanda.

Manuel Gonçalves, um dos promotores da iniciativa, reconheceu serem importantes os encontros dos jovens com figuras públicas. De acordo com o director provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos de Luanda, o Jango Comunitário vai percorrer todos os municípios.  Manuel Gonçalves assumiu o compromisso de apetrechar o Centro de Animação Artística do Cazenga, brevemente, com máquinas de costura. Anunciou que a próxima edição do Jango Comunitário vai acontecer no município do Sambizanga, também com uma figura pública de destaque. 

A primeira experiência contou com a presença da directora municipal da Juventude e Desportos do Cazenga, Beatriz Correia Victor, que na ocasião referiu ser importante a juventude tirar o maior proveito do encontro. Apadrinharam igualmente a iniciativa a presidente da Associação Globo Dikulu, Glória da Silva, a directora-geral da Fundação Arte e Cultura, Naama Margalit, bem como a presidente da Academia de Artes, Isabel André.

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