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Nações Unidas levantam sanções impostas à Eritreia

Sem qualquer tipo de surpresa, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou por unanimidade o levantamento das suspensões que havia imposto à Eritreia, em 2009, como forma de punir o apoio que este país na altura dava a diferentes grupos terroristas, entre eles o Al-Shabab.

16/11/2018  Última atualização 06H00
DR © Fotografia por: Presidente da Eritreia, Isaias Aferwerki, procura condições para a reaproximação com vizinhos

Além de um embargo à venda de armas, a Eritreia tinha igualmente visto congeladas as contas bancárias de muitos dos seus dirigentes no exterior, que estavam igualmente impedidos de viajar para o estrangeiro.
Proposta pelo Reino Unido, esta acabou por ser apoiada pelos Estados Unidos e aprovada por unanimidade, conforme tinha sido pedido há dias pelo Governo da Etiópia, com quem a Eritreia manteve uma guerra que durou mais de 20 anos.
A Eritreia assinou em Junho um acordo de paz com a Etiópia, tendo depois assumido um compromisso de cooperação com a Somália, sob os auspícios das Nações Unidas.
Segundo o compromisso, a Eritreia fica obrigada a desmantelar todos os locais de apoio ao grupo Al-Shabab e a entregar à Justiça os principais dirigentes dessa organização que, eventualmente, ainda se encontrem no interior do país.
Em 2009, o Conselho de Segurança das Nações Unidas tinha aprovado, por 13 votos a favor, um pacote de sanções acusando a Eritreia de armar, treinar e equipar diferentes grupos terroristas, entre os quais o Al-Shabab.
 
Repetidas condenações
Durante os últimos nove anos, as Nações Unidas expressaram repetidamente a sua condenação pelo facto de alguns países terem vendido armas à Eritreia, que depois eram enviadas para a Somália, onde o Al-Shabab as usava para múltiplas acções terroristas que mataram centenas de pessoas.
A Eritreia era igualmente criticada por constantes violações dos direitos humanos, nomeadamente com a aprovação de uma lei que tornava o serviço militar compulsivo e por tempo indeterminado, facto que levou milhares de jovens a fugirem do país engrossando o grande naipe de imigrantes clandestinos a caminho da Europa.
Na ocasião, as contas que os principais dirigentes do país tinham no estrangeiro foram congeladas e os seus titulares impedidos de viajar para lá das suas fronteiras.
Ao longo destes nove anos, a Eritreia negou repetidamente as acusações de apoio a grupos terroristas, alegando que se tratava de uma “fabricação” criada pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos, insinuando que por detrás das sanções estava a intenção de apoio à Etiópia, com quem na altura mantinha uma guerra que se prolongou por duas décadas.
A Eritreia ocupa uma importante posição estratégica no Mar Vermelho, no entroncamento das ligações entre a Europa, África e o Médio Oriente, o que não impediu que sentisse sérias dificuldades económicas em virtude do efeito das sanções.
Agora que essas sanções foram levantadas e que o relacionamento entre o Presidente Isaias Aferweki e o Primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, é excelente, está criado o ambiente de reaproximação entre a Eritreia e os países vizinhos.
Para lá do acordo de cooperação assinado com a Somália, a Eritreia está a normalizar as suas relações com o Djibuti, que lhe poderá reabrir as portas para parcerias económicas estratégicas com os restantes países da região do Corno de África. O próximo passo nesse novo relacionamento será trabalhar para a criação de um bloco económico forte, naturalmente  liderado pela Etiópia, e capaz de promover o crescimento e o desenvolvimento de toda a região, considerada uma das mais pobres do continente africano.

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