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Nações Unidas e CEDEAO contra mais adiamentos

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou por unanimidade um documento, no qual  declara que não aceita outro adiamento das eleições legislativas na Guiné-Bissau,  remarcadas para 10 de Março, lamentando os consecutivos atrasos durante todo o processo de preparação.

24/12/2018  Última atualização 05H37
DR © Fotografia por: Mário Vaz diz que a CEDEAO admite impor sanções a quem criar obstáculos ao processo eleitoral

Reunido, em Nova Iorque, para analisar a situação na Guiné-Bissau, o Conselho de Segurança considerou 10 de Março como “a última data aceitável para as promessas de renovação do Governo”. Aquele órgão da ONU lamentou que as crescentes expectativas internacionais de re-
formas políticas indispensáveis para a estabilidade do país fossem frustradas com o cancelamento das eleições a 18 de Novembro e “pela ultrapassagem da data recomendada pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) da sua realização” até final de Janeiro de 2019.
Durante a reunião, o secretário-geral adjunto das Nações Unidas para os assuntos políticos, Tayé-Brook Zerihoun, e o presidente da Configuração para a Guiné-Bissau na Comissão de Consolidação da Paz, o brasileiro Mauro Vieira, afirmaram que não é   justificável qualquer outro atraso, já que o país conseguiu o registo de 95 por cento dos eleitores este mês e tem em seu poder os fundos e ‘kits’ da comunidade internacional para a realização das eleições.
Na reunião foi também abordada a questão do relatório do Secretário-Geral que recomenda a dissolução da missão da Organização das Nações Unidas para a consolidação da paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS) no espaço de dois anos, divulgado este mês. Os Estados-membros do Conselho de Segurança consideram que “a reconfiguração da missão precisará de novas prioridades, coordenadas com as etapas da fase de transição para a nova constituição governativa do país”, nos diferentes níveis.
A implementação integral do Acordo de Conacri, que visa o fim do impasse político e realização de eleições livres e justas, continua a ser considerada imperativa por parte daquele órgão das Nações Unidas.

José Mário Vaz e a CEDEAO
O Presidente José Mário Vaz, que participou no fim-de-semana em mais uma cimeira da CEDEAO, disse que aquela organização admite voltar a impor sanções a quem criar obstáculos ao processo eleitoral no país.
“O comunicado final da reunião diz que aquele que tentar travar o processo ou   procurar criar dificuldades, sofrerá sanções”, afirmou José Mário Vaz. O Presidente guineense falava aos jornalistas no aeroporto Osvaldo Vieira, em Bissau, após ter regressado de Abuja, Nigéria, onde participou na última conferência do ano dos Chefes de Estado e de Governo da organização regional.
“Não estou preocupado porque sei que o processo já ganhou o ritmo ideal. Nunca existiram problemas no recenseamento e muito menos nas eleições. Portanto, sei que isto tudo vai correr bem e que va-mos ter eleições livres, justas e transparentes”, sublinhou o Chefe de Estado.
Nas declarações aos jornalistas, José Mário Vaz justificou a escolha de 10 de Março pelo facto do presidente da Comissão Nacional de Eleições, José Pedro Sambu, ter dito que ela “preenche todos os requisitos para evitar contestações” e porque a “maioria dos partidos políticos preferiram aquela data”.
“Pedimos, nesta conferência, o devido acompanhamento. A vinda dos dois técnicos da CEDEAO permitiu a subida do nível de confiança, uma vez que são homens preparados e experientes, que podem ajudar a que o processo seja livre, justo e transparente”, disse.
O Chefe de Estado guineense pediu também o apoio dos jornalistas para todos os guineenses andarem juntos, respeitarem a data das eleições e “evitar que haja problemas”.

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