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Nações Unidas alertam para aquecimento global “catastrófico”

Os compromissos assumidos pelos Estados signatários do Acordo de Paris estão a conduzir o mundo a um aquecimento global “catastrófico” de +2,7°C, longe do objectivo de 1,5°C para limitar os efeitos destrutivos da alteração do clima, alertou, sexta-feira, a ONU.

19/09/2021  Última atualização 04H45
Guterres avisa que o fracasso no cumprimento dos objectivos de limitar o aquecimento vai repercutir nas mortes e destruições © Fotografia por: DR
A seis semanas da conferência mundial da ONU sobre alterações climáticas (COP26), um relatório que avalia os compromissos nacionais de 191 países, publicado nessa mesma sexta-feira, "mostra que o mundo está num caminho catastrófico para um aquecimento de 2,7 graus”, declarou o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres.

O Acordo de Paris pretende estabelecer metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa, para limitar o aquecimento global a um aumento de menos de dois graus em relação à era pré-industrial, se possível a 1,5 graus, mas "o fracasso em cumprir este objectivo será medido em número de mortos e meios de subsistência destruídos”, insistiu Guterres, apelando a todos os Governos para proporem compromissos de redução de emissões mais ambiciosos.

Ao abrigo do Acordo de Paris, cada país devia rever até ao fim de 2020 a sua "contribuição determinada a nível nacional”, mas até 30 de Julho, apenas 113 países representando menos de metade das emissões globais de gases com efeito de estufa (49 por cento) apresentaram os compromissos revistos.

Com estas novas promessas, as emissões deste grupo de 113 países, entre os quais os Estados Unidos e a União Europeia, serão reduzidas em 12 por cento em 2030, em relação a 2010, o que a responsável climática da ONU, Patricia Espinosa, considerou um "vislumbre de esperança” que não apaga, no entanto, o "lado sombrio da equação”.
"No geral, os números das emissões de gases com efeito de estufa vão na direcção errada”, lamentou.

Considerando todos os planos, revistos ou não, dos 191 países subscritores do Acordo de Paris, as emissões deverão aumentar 16 por cento em 2030, em relação a 2010, quando deveriam baixar 40 por cento até 2030 para ficar em 1,5 graus ou 25 por cento para alcançar o objectivo dos dois graus.

O aumento "considerável” de 16 por cento "pode representar uma subida da temperatura de cerca de 2,7 graus até ao fim do século”, com consequências dramáticas, concluiu a especialista das Nações Unidas.


  Estados Unidos propõem redução de emissões de metano

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, propôs, sexta-feira, reduzir as emissões de metano em 30 por cento até 2030, uma iniciativa em parceira com a União Europeia (UE) que quer ver reforçada na cimeira do clima COP26.
"Temos de trazer as nossas maiores ambições possíveis para (a cimeira de) Glasgow (COP26). Para aqueles que ainda não o fizeram, o tempo está a esgotar-se”, disse Biden, na abertura do Fórum das Grandes Economias sobre Energia e Clima, organizado pela Casa Branca.
O Presidente norte-americano avisou que, sem os compromissos das grandes economias, "a meta do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura média global a 1,5 graus Celsius até ao final do século” fica em risco.

"Estamos a trabalhar com a União Europeia e com outros parceiros para lançar um compromisso global para reduzir as emissões globais de metano em pelo menos 30 por cento até 2030, a partir dos níveis de 2020”, disse Biden.

Alcançar essa meta "não só reduzirá rapidamente a taxa de aquecimento global”, mas proporcionará "outros benefícios muito valiosos, como a melhoria da saúde pública e da produção agrícola”, acrescentou o Presidente norte-americano.
O metano é o segundo mais frequente gás antropogénico (causado pela acção humana) que contribui para o aquecimento global, depois do dióxido de carbono (CO2), e é responsável por cerca de meio grau Celsius do aumento da temperatura do planeta, segundo a Casa Branca.

Biden espera convencer líderes de outros países a aderir à iniciativa sobre a redução de metano, que está programada para ser lançada oficialmente durante a cimeira de Glasgow.

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