Cultura

Nacionalistas angolanas são retratadas em exposição

Manuel Albano

Jornalista

O sacrifício das mulheres angolanas e a busca pela auto-afirmação no contexto nacional são os destaques da exposição “Rainhas do N’gola” do artistas plástico angolano Isidro Sanene, patente no Centro Cultural Casa de Angola, em São Paulo, no Brasil, até o dia 19 de Janeiro de 2022.

27/12/2021  Última atualização 05H10
Mostra de pintura e escultura procura mostrar aos visitantes a importância da mulher angolana no desenvolvimento do país © Fotografia por: DR
O artista explicou, domingo (26), ao Jornal de Angola, via whatsapp, que na mostra, cada mulher representada nos quadros, traz consigo "um grito de emancipação, uma voz ainda silenciada pelas sociedades contemporâneas”.

A exposição, disse, foi feita para reflectir, ainda, o contributo da mulher militante, guerreira, empreendedora social, artista e activista, para o desenvolvimento de Angola. A mostra, de acordo com Isidro Sanene, que reside no Brasil, é parte de um projecto do Centro Cultural Casa de Angola em São Paulo, numa parceria com a Casa Preta Hub, a Galeria Diáspora, com o apoio do Consulado Geral de Angola em São Paulo.

O pintor disse que pretende com a mostra trazer ao debate o importante papel das angolanas na luta pela emancipação, direitos iguais, participação activa nas decisões de governação, liberdade de pensamento e escolhas. "A mostra com seis quadros de pinturas e uma escultura, foi escolhida para dar visibilidade às mulheres angolanas”, referiu.

Isidro Sanene explicou que a escultura exposta representa a mulher angolana emancipada, a zungueira no ponto mais alto de Angola, como um símbolo do poder feminino. "Cada mulher representa uma parte da sociedade, inclusive temos na exposição uma imagem da actriz Vanda Pedro que representa as mulheres criadoras e empreendedoras sociais”, explicou.
Quanto à escultura, disse, foram utilizadas as técnicas de concreto criativo, arame e latinhas de refrigerantes para compor a armação. "A ideia original é levar o projecto para Angola e expô-lo no Morro do Moco, no Huambo, como forma de atrair turistas ao ponto mais alto do país. Estou a idealizar produzir uma escultura de 20 metros, como forma de mostrar o potencial das mulheres angolanas”.

Os quadros, acrescentou, têm imagens de nacionalistas como Deolinda Rodrigues, heroína que teve um papel determinante na libertação do país do jugo colonial, passando pela integração no Esquadrão Camy, do MPLA, até à sua captura com outras guerrilheiras. "Criei imagens pintadas das guerreiras com barros e as cores e os símbolos da bandeira do país, para significar a labuta e o sacrifício por elas prestado pela nação”.

Toda a produção da mostra, adiantou, foi feita durante um mês. "A ideia foi mostrar como essas mulheres foram afectadas pela pandemia, o encerramento de fronteiras, ou são pelas relações familiares abusivas e o feminicídio crescente, mas ainda pouco debatido na sociedade. Elas são verdadeiras rainhas pois sustentam famílias”, disse.  A exposição foi visitada pela Cônsul Geral de Angola em São Paulo, Stela Santiago.


O percurso

Em finais de 2010, antes de deixar Benguela, cidade natal, Isidro Sanene publicou o seu primeiro livro "A Utopia das Marés”. Depois lançou o CD "SourceBios-2013”, assim como os livro "Pedaços da Alma”, "Quem falou amém”, "Antologia africana”, "Versos, textos e pretextos”, "Um conto de Halavala” e "A sociedade dos outros”.

Nas artes plásticas, Isidro Sanene tem mais de 160 obras espalhadas por países como Portugal, França, Chile, Itália, Estados Unidos da América, Brasil, Argentina e Zâmbia. Foi premiado várias vezes  no Brasil.


Actualmente é o director das actividades culturais do Centro Cultural Casa de Angola (CCCASP), inaugurado em Junho deste ano, com o objectivo de partilhar e fortalecer os laços culturais entre Angola e o Brasil.

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