Política

Mutilados de guerra clamam por apoios

Um grupo de 518 deficientes de guerra das extintas Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA), antigo braço armado da UNITA, pedem a desmobilização formal, para  beneficiarem dos apoios concedidos pelo Estado.

12/09/2018  Última atualização 09H08
Nicolau Vasco|Edições Novembro © Fotografia por: Secretário de Estado para a Acção Social entregou a primeira cédula à menor Juliana Jamba

Os ex-militares, alojados no bairro 11 de Novembro, a 60 quilómetros da cidade de Menongue, província do Cuando Cubango, manifestaram este desejo durante a visita do secretário de Estado para Acção Social, Lúcio do Amaral, que garantiu estarem a ser criadas as condições para que todos os antigos combatentes das extintas FAPLA e FALA que se encontram nas mesmas condições possam ser desmobilizados o mais rápido possível.
Lúcio do Amaral fez-se acompanhar de uma equipa multissectorial que está a trabalhar no registo dos referidos mutilados de guerra que a UNITA tinha abandonado nas matas de Mavinga, desde a assinatura dos acordos de paz de Luena em 2002, tendo o Governo da província do Cuando Cubango transferido os mesmos para Menongue, em 2016.
Augusto Samba, coordenador do grupo de deficientes de guerra, disse que desde a assinatura do Memorando de Entendimento do Luena, todos os ex-militares deficientes de guerra das FALA que habitam no bairro 11 de Novembro nunca foram desmobilizados, nem beneficiaram de qualquer tipo de apoio do Instituto de Reintegração Social dos Ex-Militares (IRSEM).
“Na assinatura do Memorando de Entendimento do Luena, os deficientes de guerra não foram acantonados, visto que o aquartelamento beneficiava apenas as forças no activo. Os mutilados foram abandonados pelos responsáveis da UNITA nas matas, entregues à sua sorte”, contou. O bairro 11 de Novembro, outrora denominado Cassela, foi criado em 2016 quando os 518 mutilados de guerra e as suas famílias que residiam no interior das matas de Mavinga, em condições precárias, foram transferidos para o município de Menongue, onde têm recebido apoio do Governo provincial.  No local, estão a ser construídas 500 casas evolutivas do tipo T-2, além de que têm sido distribuídas chapas de zinco, alimentação e medicamentos.

Dificuldades
Augusto Samba disse que o bairro 11 de Novembro tem 1.441 habitantes que vivem da pesca, piscicultura e agricultura de subsistência, mas que se debatem com inúmeros problemas, como a falta de escolas, posto e centro médico, energia eléctrica e água potável.
No capítulo da Educação, salientou, existem oito professores do ensino de base que alfabetizavam as crianças debaixo das árvores, mas paralisaram as actividades por falta de material didáctico para os docentes e alunos.
O único Posto de Saúde do bairro 11 de Novembro, assegurado por seis enfermeiros, foi construído a base de pau-a-pique, para atender os cerca de 1.441 populares que habitam na referida circunscrição.
As doenças mais frequentes são as diarreicas agudas, malária, reumatismo e asma. Augusto Samba informou que, mensalmente, a Administração Municipal de Menongue distribui medicamentos ao posto médico da localidade.
 
Apoio garantido   
Após auscultar as principais preocupações, o secretário de Estado para Acção Social garantiu que o seu ministério vai resolver, num curto espaço de tempo, todos problemas que afligem os moradores do bairro 11 de Novembro. Lucio do Amaral informou que os habitantes daquela localidade vão receber alfaias e imputs agrícolas, catanas, enxadas, charruas de tracção animal e cabeças de gado bovino para o desenvolvimento da agricultura. Vão beneficiar ainda de equipamentos de trabalho, tais como máquinas de costura, materiais de carpintaria, electricidade, construção civil e outros, para que os ex-militares que ainda têm condições de trabalhar possam garantir o seu auto-sustento e contribuir para o desenvolvimento do país.
 “É necessário que os ex-militares não vivam apenas dos subsídios de desmobilização, mas produzam e cultivem vários produtos para, posteriormente, venderem aos distintos mercados da província”, encorajou Lúcio do Amaral, para quem é necessário que os mesmos se agrupem em associações para que os programas e projectos que o Governo traçar possam beneficiar a todos e não apenas uma minoria.
 O secretário de Estado informou, igualmente, que vai ser construído no bairro 11 de Novembro um supermercado da rede “Nosso Super”, com intuito de diminuir a grande distância que os moradores percorrem para a compra de produtos da cesta básica.

Campanha de Registo   
A Delegação Provincial da Justiça e dos Direitos Humanos procedeu à entrega gratuita de cédulas pessoais e assentos de nascimento aos habitantes do bairro 11 de Novembro que não possuíam nenhum documento de identificação, informou o delegado em exercício.
Adérito Kambamba salientou que este processo, que vai durar seis dias, visa atribuir documentos de identificação a todos os populares que não os possuem, no âmbito do Despacho Presidencial n.º 80/13, de 5 de Setembro, que isenta o pagamento de emolumentos aos cidadaãos que se registam pela primeira vez.

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