Reportagem

Município de Calandula em meio a grandes desafios

Francisco Curihingana | Malanje

Jornalista

O município de Calandula assinala, hoje, 93 anos de existência. Fundado a 2 de Setembro de 1929, o município ganha maior visibilidade, pontificando as famosas Quedas de Calandula, as segundas maiores de África, que a par de outros encantos turísticos, como as Quedas de Musseleje, do Bango a Zenze, a Mesa da Rainha Njinga Mbande, dentre outros. O instrumento musical, marimba, é outra maior atracção.

02/09/2022  Última atualização 07H00
As Quedas de Calandula, localizadas no rio Lucala, bacia do Cuanza é o cartão postal da região e tem atraído um elevado número de turistas © Fotografia por: Edições Novembro

O administrador municipal,  Mateus Vunge,  considera que o município ainda está longe do nível de desenvolvimento desejado, mas muita coisa já foi feita.

"Nós estamos a falar de investimentos em vários sectores como a Educação, onde por exemplo está em curso a construção  e reabilitação de 26 salas de aula. Estamos a falar de 52 turmas que estarão disponíveis para o próximo ano lectivo prestes a arrancar. São cerca de 2 mil alunos que poderão beneficiar destas infra-estruturas”, precisou.

O município de Calandula vai ainda ter, no ano lectivo prestes a iniciar, um Instituto Técnico de Saúde, que está praticamente concluído, cuja abertura aguarda pela autorização do Ministério da Educação.

"O instituto vai ter 12 salas, incluindo um laboratório e uma biblioteca. Numa primeira fase vai abrir o curso de Enfermagem e de Análises Clínicas. Em termos de capacidade, estamos a falar em mais de 500 estudantes para o Instituto Técnico da Saúde”, disse.

O Instituto Técnico da Saúde vai receber jovens do município de Massango e da cidade de Malanje.

No domínio da Saúde, foi construído o Centro Médico Polivalente do município, que vai desafogar o Hospital Municipal. 

Potencial turístico
O município de  Calandula tem um potencial turístico e agrícola assinalável.

Nesta vertente há a destacar a existência de uma das maiores fazendas do país, a UNICANDA, que tem contribuído imenso na elevação do nível social das populações locais.

"Temos alguns investimentos no ramo do turismo e o sector da restauração também começa a ganhar vida", referiu o administrador, sublinhando o facto de ainda não corresponder à demanda. "Começamos a olhar para as Quedas de Calandula, que até ao momento carece de investimento, e pensamos realizar actividades para incentivar investidores nacionais e estrangeiros", referiu.

Para o desenvolvimento de Calandula, as autoridades têm em vista a criação de um Pólo, que prevê o surgimento de várias infra-estruturas numa área muito vasta.

Há a perspectiva de surgimento de resorts, hotéis, restaurantes, para garantir a hospedagem dos visitantes.  

"Ainda não temos o crescimento económico que gostaríamos de ter. Tudo depende do investimento privado, portanto, a capacidade do investimento privado é que vai ditar o crescimento do município. O Estado vai abrindo a possibilidade de investimento privado para que por si só, o mercado se auto-regule, mas, ainda assim,  vamos continuar a realizar acções de modos a continuar a mobilizar entidades para investirem e poderem beneficiar a comunidade do ponto de vista económico e gerar emprego para os jovens aqui do município”, disse Mateus Vunge, quando se referia às Quedas de Calandula.

  Habitantes do município aguardam por dias melhores

Virgílio Ambrósio vive naquele município há seis anos e ganha a vida com  um salão de beleza, que instalou bem no centro da vila.

O estabelecimento de energia, no município, catapultou  o negócio.  Diariamente, duas a seis pessoas procuram os serviços. 

José Viriato montou na principal avenida da vila de Calandula o seu negócio onde vende aparelhos diversos de telefones, kits da ZAP, dentre outros.

" Há muita gente que procura o meu serviço, principalmente os descodificadores da ZAP. O negócio é rentável, faço isso há 3 anos. Já consegui construir a minha casa, comprei mobília e assim vou andando”, disse.

Francisco Hebo vive há mais de sete anos em Calandula.

"Na verdade, o que nós queremos aqui, é que se diversifiquem as opções de formação. Queremos também que se implemente aqui no município o ensino superior, porque muitos de nós só não crescemos mais academicamente por falta de oportunidades de formação”, afirmou.

Depois de apontar que o fornecimento de energia eléctrica a partir da barragem hidroeléctrica do Laúca foi um dos maiores ganhos do município, o nosso interlocutor pediu às entidades administrativas locais para resolverem o problema do fornecimento de água potável que preocupa a população.

Bernardo Dala, que vive em Calandula há três anos, está satisfeito com a limpeza na vila.

"Já há mudanças notáveis. A forma como a vila se apresenta limpa é sinal de que alguma coisa está a mudar. A energia é já um bem. Há algum atraso na água, é preciso ver esse caso. Temos a certeza que as coisas vão acontecer”, disse Bernardo Dala.

João Manuel Salvador nasceu e vive há mais de 30 anos em Calandula. É professor. Para o nosso interlocutor, é urgente que se resolva a situação do abastecimento da água. "Há um défice enorme de água. Disse que os fontenários montados  pela Administração local não tem suprido as necessidades da população.

Madalena Jamba é técnica de enfermagem há três anos no município. Está satisfeita com o trabalho que faz e louva os esforços das autoridades administrativas pelo trabalho que têm vindo a ser realizado.

Pede o apoio de toda a comunidade para que possa dar o seu contributo na  melhoria do município.

 Com 70 mil e 73 quilómetros quadrados e com uma população estimada em mais de 100 mil habitantes, Calandula conta com as comunas sede, Cateco Cangola, Cuale e Quinje.

Até 1975, ano em que foi proclamada a Independência, Calandula era conhecida por Duque de Bragança, nome atribuído em homenagem ao soberano português Dom Pedro V.

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