Sociedade

Município de Cacongo regista fraca captura de pescado

Alberto Coelho | Cabinda

Jornalista

Até há pouco tempo desenvolvida por cerca de 80 pescadores, em função da crise financeira que assola o país o número ascendeu a mais de mil, na sua maioria jovens que perderam o emprego e encontraram na pesca a solução para contornar o desemprego.

31/12/2020  Última atualização 13H35
© Fotografia por: DR
 No entanto, apesar das condições propícias de Cabinda para o exercício da pesca, os pescadores do município de Cacongo queixam-se dos constantes derrames de petróleo no mar e apontam o dedo a exploração petrolífera que é desenvolvida na província como a causa da fraca captura de pescado e, por conseguinte, dos prejuízos registados no sector.
Em declarações ao Jornal de Angola, o vice-presidente das Comunidade Pesqueira de Cacongo, Pedro Simba, afirmou que, além de danificarem os artefactos de pesca, vezes há que os recorrentes derrames de petróleo nos mares de Cabinda impedem o exercício da pesca entre dois a três meses.Lamentou que a situação acarrete dificuldades e prejudica o bem-estar social dos pescadores e respectivas famílias. Sempre que se verificam derrames, explicou, por exemplo, a Chevron, empresa que explora a produção petrolífera nos Blocos Zero e 14 leva tempo demasiado tempo a indemnizar os lesados.

"Com o dinheiro da indemnização poderíamos desenvolver uma outra actividade enquanto estivermos interditados de ir ao mar ou, então, investir na melhoria das condições de pesca. Temos o registo de um derrame há mais de ano que até agora não recebemos a indemnização”, lamentou. Apesar deste e de outros constrangimentos, os pescadores de Cacongo manifestam vontade em trabalhar, contribuir na diversificação da economia local e melhorar a renda familiar, sobretudo neste período crítico que o país atravessa.

Pedro Simba incluiu a deterioração das embarcações, falta de artefactos de pesca e da subvenção dos preços dos combustíveis para as embarcações, entre as dificuldades vividas pelos pescadores. Acrescentou que, no quadro do empreendedorismo, reclamam do Governo a implementação de políticas viáveis que facilitam o acesso aos financiamentos bancários.As dificuldades, conforme referiu, diminuiram os níveis de captura de pescado, tornando difícil satisfazer as necessidades do mercado, uma vez que a associação dispõe apenas de seis  embarcações de madeira de fabrico artesanal acoplados a motores de poupa e 100 canoas movidas a remos.

Segundo apurou o Jornal de Angola, por falta de meios mais sofisticados, a actividade dos pescadores tornou-se muito limitada e se resume a pesca artesanal de tipo "banda-banda", com o uso de redes de rasto e através  de canoas que deslocam-se a poucas milhas da costa, sobretudo nas áreas de Fútila e Txichissi. Caso sejam cedidos os apoios necessários aos pescadores, Pedro Simba assegura que a comunidade de pescadores está disposta a melhorar a actividade, aumentar os níveis de captura para atender os consumidores locais e dos municípios de Cabinda e Buco-Zau."Apelo o apoio do Governo na aquisição de novas embarcações e artefactos de pesca, bem como na subvenção dos preços dos combustíveis, para permitir que os pescadores desenvolvam a sua actividade sem sobressaltos”, disse.
Novo mercado 

A partir de Setembro do próximo ano o município de Cacongo vai contar com um novo mercado para comercialização de pescado. Inserido no Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), a obra está orçada em 142 milhões e 857 kwanzas e o acto de consignação teve lugar na passada quinta-feira, na vila de Lândana. Conforme está definido no contrato, a obra será executada num período de oito meses.

O vice-governador provincial para a Área Técnica e Infra-estruturas, Joaquim Maliche, exigiu do empreiteiro maior celeridade, melhor qualidade e cumprimento dos prazos na execução do projecto. Falando em representação do governador provincial, Marcos Nhunga, no acto de consignação da obra, avisou que "as obras do PIIM mal executadas não serão pagas”.Marcelino Capita, da SM-Fiscalização, empresa fiscalizadora do empreendimento, garantiu qualidade na obra. 

"Estamos cientes das nossas obrigações e dentro da Lei da Contratação Pública estamos dispostos a fazer valer a eficiência da construção da empreitada”, disse.O novo mercado de peixe no município de Cacongo está constituído por uma zona de vendas com capacidade de 109 bancadas, quatro rampas de acesso e uma zona administrativa com uma sala de reuniões, um gabinete para o gerente do mercado, zona de recepção e uma loja para a venda de artefactos de pesca.De acordo com o projecto, a gerência do mercado tem um acesso privilegiado com a área de vendas, para permitir o monitoramento e dirimir qualquer conflito que possa surgir entre as vendedoras.

O empreendimento possui ainda uma área de lavagem  de pescado, área de fiscalização e estatística para o controlo da qualidade, quantidades e tamanho do pescado a ser comercializado, área de gastronomia e área para a venda de produtos do campo. Espaço de processamento, congelação e conservação de pescado, posto de transformação para fornecimento de energia eléctrica da rede pública, fonte alternativa de energia eléctrica e zona de estacionamento de viaturas constam, igualmente, do empreendimento a ser erguido numa área de aproximadamente 956,5 metros quadrados de um total de área bruta de 6.423 metros quadrados que abrange o empreendimento.

Maior dignidade nas vendas 

A consignação das obras do novo mercado do peixe foi marcada pela euforia da maior parte das peixeiras que se fizeram presentes na cerimónia. Expectantes com o futuro, foram unânimes em afirmar que o novo mercado vai conferir maior dignidade ao negócio da venda de peixe. 

Maria Buanga e Carolina Simba, peixeiras há vários anos, afirmaram ao Jornal de Angola que o actual mercado deixou de oferecer condições para a comercialização do pescado. Carolina Simba, por exemplo, apontou a carência de bancadas, de câmaras de congelação e área para escama do peixe. Inclui ainda a degradação do tecto entre os constrangimentos no processo de venda. Para a Comunidade Pesqueira de  Cacongo, o projecto abarca valências que vão ajudar os homens do mar da região a desenvolver a sua actividade sem grandes problemas."Pela sua dimensão, este mercado vai exigir mais empenho da nossa parte de modo a satisfazermos as necessidades do mercado”, assegurou Pedro Simba.

Melhorias nas infra-estruturas sociais

Em Cacongo, a implementação das obras inseridas no PIIM vai dar um rosto diferente ao município com o melhoramento das infra-estruturas sociais e consequentemente o nível de vida dos cidadãos, considerou a administradora municipal.

Em declarações ao Jornal de Angola, Marta Beatriz precisou que, no caso em concreto, as peixeiras sempre reclamaram de um lugar digno para exercerem a venda ao nível da Vila de Lândana, uma vez que o actual mercado, com capacidade para 50 vendedoras, deixou de oferecer condições para tal propósito.

"Um local digno para a venda de peixe foi sempre uma reclamação apresentada pelas peixeiras à administração. Com a implementação deste projecto, é mais um problema que vamos resolver, porque a actual sombra onde as peixeiras vendem é um projecto concebido pela OMA para satisfazer as necessidades das suas militantes”, disse.

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