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Mulheres no Soyo aderem ao planeamento familiar

Victor Mayala | Soyo

Jornalista

No total, 3.692 mulheres em idade sexual activa, no município do Soyo, província do Zaire, efectuaram, desde Janeiro, planeamento familiar, superando o número (2.332) registado em 2021, disse, ontem, ao Jornal de Angola, um médico da secção da maternidade do hospital local.

08/09/2022  Última atualização 10H52
Consultas têm servido para sensibilizar as adolescentes e jovens sobre as práticas sexuais © Fotografia por: Adolfo Dumbo | Edições Novembro | Soyo
Lopes Nunes avançou que o número de mulheres que procura, diariamente, os serviços de planeamento familiar na região, tende a aumentar, facto que, como disse, indicia uma mudança de consciência por parte das famílias, em relação à procriação.    

"Nos últimos tempos nota-se uma mudança de consciência das famílias em relação ao número de filhos a ter e, com isso, passaram a procurar mais os serviços de planeamento familiar. Antigamente havia o conceito, na realidade africana, de que gerar muitos filhos era benéfico. Os filhos eram tidos como mão-de-obra, porque o sustento das família estava, grandemente, dependente do trabalho do campo, mas o contexto actual é diferente”, referiu o médico diplomado em Ginecologia e Obstetrícia.

Lembrou que o planeamento familiar constitui um método importante para evitar casos de gravidez precoce. "Quando os tabus deixarem, também, de impedir o pai de falar, directamente, com a filha sobre sexo, teremos menos casos de gravidez precoce”. 

Deu a conhecer que a Secção da Maternidade do Hospital Municipal do Soyo tem recebido muitas meninas, da faixa etária entre os 15 e 17 anos, em estado de gestação, sem, contudo, avançar o número de casos registados no decurso do presente ano. 

O médico lembrou, na ocasião, as consequências de uma gravidez precoce, que resultam, como referiu, do facto de o organismo não atingir a maturação necessária, fazendo com que muitos partos terminem em cesariana.  

"A maioria das meninas que recebemos tem idades entre 16 e 17 anos. Os partos delas terminam, normalmente, em cesarianas, porque a bacia não teve um desenvolvimento compatível, ou seja, não há maturação do corpo para engravidar”, esclareceu, recordando que muitas adolescentes vítimas de gravidez precoce são discriminadas.  Avançou que o desprezo decorre, por um lado, do facto de muitas delas não serem assumidas pelo parceiro, o que, às vezes, resulta num abatimento do estado psicológico da menor, reflectindo-se, depois, no desenvolvimento da própria gravidez.  

Joana Francisca Maria, 25 anos, é uma das mulheres, em idade sexual activa, que decidiu aderir ao planeamento familiar. Sentada entre várias outras mulheres que aguardavam serem atendidas pelo médico, disse à nossa reportagem ter sido aconselhada por uma das primas a procurar os serviços de planeamento familiar, para evitar gravidez indesejada. Contou que já tem dois filhos e que decidiu colocar um "ship”, um método contraceptivo que tem duração de cinco anos.

Paulina Manuel, 21 anos, faz, igualmente, parte do grupo de mulheres encontradas na sala de espera pela nossa equipa de reportagem. Disse ser, também, mãe de dois filhos com pais diferentes e nenhum deles a assumiu. Em função desta realidade, Paulina Manuel teme por uma eventual gravidez, sem que antes encontre um parceiro que possa assumi-la como esposa. "Vim fazer planeamento, porque já tenho dois filhos de pais diferentes e não quero ter o terceiro, sem antes ter a certeza de que este homem vai realmente ficar comigo”.

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