Política

Mudanças vão dando os seus frutos

O Presidente da República, João Lourenço, admitiu que muitos avanços registados ainda não se reflectem, de forma directa, na vida da população, ainda confrontada com o agravamento de preços dos produtos da cesta básica, por força da especulação de alguns comerciantes desonestos e, também, da baixa oferta de bens essenciais de produção nacional.

24/12/2019  Última atualização 08H25
Vladimir Alexandre

Na mensagem de Ano Novo dirigida ontem à Nação, João Lourenço disse que, para corrigir esta situação, o Executivo vem tomando todo o tipo de medidas de fomento e incentivo ao aumento da produção interna de bens e serviços, das exportações e da oferta do emprego.
João Lourenço lembrou que a economia angolana deve contar com o investimento do sector empresarial privado nacional e estrangeiro, que tem um papel de destaque a desempenhar neste domínio.
Apesar de ainda serem muitas as dificuldades sentidas, João Lourenço afirmou que o país conhece progressos no campo da defesa dos direitos fundamentais do cidadão, da exigência de maior rigor na gestão dos recursos públicos, combate ao nepotismo e à impunidade e da luta contra a corrupção.
Na mensagem, o Chefe de Estado lembrou que o Executivo continua comprometido e empenhado em criar as condições para proporcionar à maioria da população melhores condições de vida. Realçou que o país está próximo do fim de mais um ano, durante o qual voltou a enfrentar e superar situações difíceis, derivadas de uma conjuntura interna e internacional de contornos críticos.

Atenção ao sector social
João Lourenço disse que foi dada atenção particular do Executivo para o sector social, com vista a melhor servir as populações na educação, na saúde, na energia, no saneamento básico e na água potável. Entretanto, manifestou-se contra “a visão pessimista de quem ainda duvidava de que Angola vive novos tempos”.
O Chefe de Estado lembrou que as decisões que o Executivo tem vindo a tomar inserem-se numa perspectiva de mudança, que vai dando lentamente os seus frutos. “Tem sido fundamental o apoio que temos recebido dos mais variados sectores da sociedade angolana, do sector empresarial público e privado, das associações cívicas e culturais, das igrejas e da sociedade civil em geral”, disse.
Esse apoio, sublinhou o Presidente João Lourenço, demonstra que a via escolhida para a implementação de um novo paradigma de governação do país foi a mais correcta e responde às expectativas da grande maioria do povo, que voltou a acreditar que o progresso e desenvolvimento de um país e a felicidade do seu povo assentam numa sociedade que valoriza o trabalho, a disciplina, a prestação de contas.
“Nesta data, mais do que nunca, importa cultivar os valores da paz, da fraternidade e da solidariedade, num momento em que a nossa sociedade voltou a ser abalada recentemente por alguns actos de criminalidade violenta, incluindo a violência doméstica contra a mulher, a criança e os velhos e que não podemos tolerar”, afirmou o Presidente da República, sublinhando que as autoridades competentes vêm tomando as medidas mais adequadas no combate à criminalidade violenta, no sentido de proteger a vida e a dignidade humana, e a propriedade pública e privada.

Vítimas da seca
Por ocasião da quadra festiva, o Chefe de Estado estendeu uma palavra de conforto às vítimas da seca severa que assolou o Sul do país, ao mesmo tempo que manifestou o seu agradecimento a todos aqueles que se juntaram à onda de solidariedade que se formou e que contribuiu para minimizar o sofrimento das populações afectadas. “Termino esta mensagem exortando a todos os angolanos e angolanas a continuarem a praticar gestos humanitários e solidários em relação àqueles que se encontrem em situações mais precárias e vulneráveis”, concluiu o Chefe de Estado, desejando a todos paz e harmonia e um Novo Ano portador de mais prosperidade e realizações no plano pessoal e profissional.

CASA-CE: Lufada de ar fresco

O coordenador para área Política e Revitalização da CASA-CE, Manuel Fernandes, sublinhou que a mensagem do Chefe de Estado surge como uma lufada de ar fresco diante da difícil situação que o país atravessa e que é preciso fé e esperança, até no âmbito da gestão das expectativas.
Para o político, a mensagem reafirma o que o PR tem dito sobre os dias melhores que estão por vir. “Os angolanos precisam, de facto, de dias melhores. Acho que o PR devia ter falado dos antigos combatentes, pois se hoje temos a autodeterminação, enquanto povo, foi em função da luta que eles empreenderam. Existem estratos da nossa sociedade que precisam de uma atenção especial”, disse.
Na sua opinião, o PR devia fazer menção ao problema da estabilidade macroeconómica e da depreciação do Kwanza. “Não vamos conseguir ter um desenvolvimento sustentável se não tivermos produção interna, estabilidade macroeconómica e uma moeda forte, capaz de atrair investimento privado estrangeiro”, defendeu o político.
Para Manuel Fernandes, o país deve reorientar a sua diplomacia económica, que ao invés da busca por capital privilegie a vertente económica do investimento, o que poderá permitir a industrialização e mecanização da agricultura e, com isso, fomentar o emprego e poupar divisas.

PRS: Uma mensagem realista

“O Presidente da República fez uma radiografia da actual Angola”, disse o líder do PRS, ao Jornal de Angola, em reacção à mensagem de Ano Novo do Chefe de Estado.
Benedito Daniel disse que, na mensagem, o Presidente da República expressou “a realidade do país e o momento em que nos encontramos, uma forma de nos levar a compreender que a fase difícil que Angola vive é temporária, apelando por dias melhores, mesmo diante dos cépticos que querem pôr em causa as reformas em curso”.
Para Benedito Daniel, a mensagem do Chefe de Estado é realista e traça a situação difícil, mas questiona: “O que podíamos esperar de um país que foi dilacerado por 42 anos? Mas, acho que não é culpa do PR, é culpa do MPLA. Uma situação destas não podia ser resolvida em dois anos. É fácil destruir e muito difícil construir. Existem sinais de melhoria, mas não chegaram ainda ao povo. Penso que estes sinais chegam ao povo com mais energia, água, saneamento básico, menos fome e menos pobreza. Estes sinais ainda não chegaram às comunidades”, declarou.
Líder do PRS desde 2017, em substituição de Eduardo Kwangana, o partido de Benedito Daniel defende o federalismo como a forma de governação que melhor se adequa ao combate às assimetrias regionais.

ADRA: Um discurso sensato

Cecília Kitombe, da ADRA, reconheceu que o Presidente da República tem comunicado muito. “Penso que foi um discurso sensato, na medida em que reconhece a situação económica e social do país e que as reformas económicas em curso, embora não populistas, elas vêm para durar”.
A responsável sublinha que existem questões em face das reformas que não podem ser adiadas, com realce para às ligadas à inflação e à queda vertiginosa do poder de compra e o agudizar da pobreza e da fome.
“Estas questões não são resolvidas com discursos de esperança, mas com decisões imediatas para contrapor a precariedade com que está marcada a vida das pessoas nos bairros e comunidades”, disse a activista, que sublinhou também o facto do povo “estar há 40 anos a viver de esperançaS”. Na sua opinião, existem questões de cariz imediato que precisam de ser resolvidas e de modo prioritário, que passam pelas transferências sociais às famílias vulneráveis. Para ela, o programa de transferência de mais de nove mil kwanzas às famílias vulneráveis deve inadiavelmente começar em Janeiro, para mitigar os graves problemas de pobreza e fome.
Outro aspecto apontado é que se imprima seriedade e se torne abrangentes os programas de combate à fome e à pobreza, criticando o facto do Executivo estar a apontar mais para a dimensão macro da economia sem olhar para a perspectiva micro.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Política