Opinião

Mudança de mentalidade

"É hora de desenvolvermos um trabalho conjunto para devolver a paz nas estradas e todos juntos devemos agir já, salvar vidas, garantindo a segurança rodoviária”, disse a Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, pouco depois da marcha contra a sinistralidade rodoviária, que decorreu há dias em Luanda.

22/11/2022  Última atualização 05H00

De facto, urge agir já porque, como defendeu a segunda figura na hierarquia do Estado angolano, os números dos acidentes de viação e as consequências falam por si.

Podemos dizer que as estatísticas são dolorosas, a julgar pelo facto de a sinistralidade rodoviária constituir a segunda causa de morte no país, apenas superada pela malária, uma realidade que importa mudar, com urgência. Ao lado dos números da fatalidade estão, seguramente, outros que nunca devem passar despercebidos e não acreditamos que passem, sobretudo, porque as suas sequelas convivem com as pessoas, famílias e, muitas vezes, com as realidades físicas dos espaços sinistrados. Quando se diz que de Janeiro a Outubro deste ano o país registou 11.066 acidentes de viação que resultaram em 2.529 mortes, notamos que o número de feridos, 12.960, é seis vezes mais, o que somado num único ano, num biénio ou quinquénio, nos dará números monumentais. Embora não tenhamos os números exactos dos últimos cinco anos, mas partindo  do princípio de que a taxa de sinistralidade tenha se mantido inalterada ou, mesmo com as variações para baixo, veremos que os dados de feridos dobraram sempre em três, quatro ou cinco vezes. Significa dizer que por força da sinistralidade rodoviária, o número de pessoas que passam à condição de portadores de deficiências, todos os anos, é muito alto, daí a necessidade, como defendeu oportunamente a Vice-Presidente da República, "de se agir já”.

Por outro lado, o número de danos materiais é igualmente grande porque, embora incalculável financeiramente, os 11.066 acidentes de viação que ocorreram de Janeiro a Outubro do corrente ano trouxeram consigo um manto de destruições que, quando traduzido em cifrões, corresponde, seguramente, a milhares de milhões de kwanzas.

É verdade que fica sempre mais fácil olhar para a sinistralidade rodoviária do ponto de vista das fatalidades, normal em razão do bem vida em causa, mas importa termos o quadro completo fundamentalmente para que, ao olharmos tudo inerente a ela saibamos reflectir sobre os seus danos na globalidade e tomar medidas. E estas devem passar invariavelmente pela forma como usamos a estrada, quer como automobilistas, quer como peões que, como devemos admitir, nem sempre ocorre de maneira segura.

Basta olharmos para a condição técnica de metade dos carros que circulam nas nossas estradas, ao modo como é feita a condução, à forma como inadvertidamente as pessoas andam na estrada, como se tivessem o direito de partilhar todo o asfalto com as viaturas, apenas para mencionar estes elementos, para chegar à conclusão das consequências previsíveis.  Do estado das vias, da reduzida ou falta de iluminação nas estradas, entre outras condições menos boas que impactam negativamente na condução e mobilidade, já todos sabemos. E de nada vale insistir naquelas variáveis que, em condições normais, deviam exactamente servir para que todos os excessos fossem evitados. Se um condutor sabe que a estrada, por exemplo, não está boa, por que é que excede na velocidade e se um peão sabe que existe a pedonal, mesmo distante do local em que se encontra, por que é que arrisca atravessar pela estrada? Agir já, como disse a Vice-Presidente da República, também coordenadora da Comissão Nacional de Viação e Ordenamento do Trânsito, passa por mudança de mentalidade.

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