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Moscovo lança ultimato e exige resposta ao Ocidente

A Rússia alertou, esta sexta-feira (14), os Estados Unidos e a OTAN de que não irá aguardar indefinidamente por uma resposta às suas exigências de garantias de que a Aliança Atlântica não se expandirá na Europa do Leste.

15/01/2022  Última atualização 07H30
Governo russo acredita que há um plano do Ocidente para atrasar a solução da situação © Fotografia por: DR
"Estamos a aguardar uma resposta por escrito dos nossos colegas. Acreditamos que entendem a necessidade de fazê-lo imediatamente e por escrito. Não vamos esperar para sempre”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov.
O chefe da diplomacia russa disse acreditar que há, do Ocidente, um plano para atrasar a resolução da situação.

Lavrov argumentou que, quando o Conselho OTAN-Rússia foi criado, negociaram-se acordos políticos sobre códigos de conduta e comportamento no contexto das Forças Armadas e de sistemas de armas, mas "ninguém falou em consultas com a OSCE ou com a União Europeia (UE)”.

"Queremos ver a sua resposta por escrito, ponto por ponto, disposição por disposição. Queremos que nos convençam que isso nos convém. Tudo por escrito, por favor”, esclareceu Lavrov.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo não explicou como reagirá a Rússia se obtiver uma resposta negativa dos Estados Unidos e da OTAN sobre as condições que apresentou.

Contudo, vários altos funcionários de Moscovo - incluindo o vice-ministro russo e negociador-chefe com os Estados Unidos, Serguei Riabkov -, já alertaram para a eventualidade de uma resposta militar, se Washington e a OTAN nada fizerem.

"Como o Presidente russo, Vladimir  Putin disse, isso dependerá do que os especialistas militares recomendarem”, avisou Lavrov.
"Se as nossas propostas forem rejeitadas, se isso acontecer, avaliaremos a situação, informaremos o Presidente. Durante a sua conferência de imprensa anual, em Dezembro,  disse que, nesse caso, todos os factores seriam levados em consideração, incluindo a nossa segurança”, explicou o chefe da diplomacia russa.

Questionado sobre se a Rússia fortalecerá a sua presença militar fora das fronteiras, caso as suas exigências de garantias de segurança não sejam atendidas, Lavrov limitou-se a responder que a Rússia tem "extensos laços militares com parceiros e aliados e presença em várias regiões do mundo”.

Na quinta-feira, Riabkov já tinha dito que a Rússia não descartava a possibilidade de reforçar a presença militar em Cuba e na Venezuela.
Lavrov acusou ainda a OTAN de "tentativas de expansão artificial”, ao tentar atrair não apenas a Ucrânia, mas também países escandinavos que não são membros da Aliança Atlântica.
 
 Posição americana

As negociações diplomáticas com a OTAN não estão a ter qualquer avanço. A Rússia não cede e mantém presença militar na fronteira com a Ucrânia. Os EUA dizem-se preparados para agir se a Rússia invadir a Ucrânia.

Foi o segundo encontro em Viena, na Áustria, mas foi o terceiro encontro no total para discutir o conflito Ucrânia-Rússia. A OTAN e os países-membros tentam mediar os avanços militares russos na fronteira com a Ucrânia. A Rússia quer garantir que o país vizinho não entre na Aliança Atlântica e ganhe apoio de vários países, como por exemplo os EUA, que acreditam que a Rússia está a planear uma invasão à Ucrânia.

Jake Sullivan, Conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, admitiu numa conferência de imprensa que os EUA estão "preparados para continuar com a diplomacia” sobre a estabilidade no euro-atlântico, mas que estão "igualmente preparados” se a Rússia escolher um caminho diferente.

A Rússia parece preferir um caminho diferente. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia continua a não descartar a possibilidade de enviar recursos militares para Cuba e para a Venezuela caso a OTAN não pare com as actividades militares de defesa à Ucrânia.

A Rússia insiste na mensagem de querer negociar. Uma negociação que para alguns especialistas não existe, como acredita Jamie Shea.

Em entrevista à "Euronews”, o antigo vice-secretário-geral adjunto da OTAN diz que tudo depende da Rússia. "A bola está no lado de Putin”, diz Shea. Putin está, de acordo com Shea, a "maximizar exigências inaceitáveis para não encontrar nenhuma solução” e para usar o fracasso das negociações como pretexto para invadir a Ucrânia”, acusa Shea.

A Lituânia, que também faz fronteira com a Rússia, fala da maior ameaça de conflito desde a Segunda Guerra Mundial e já prepara vários cenários, incluindo o de confronto militar directo.

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