Cultura

Morte do guitarrista Calili enluta a classe artística

Manuel Albano

Jornalista

A cultura nacional, em geral, e a música, em particular, ficaram mais empobrecidas com a morte do guitarrista Carlos Timótio “Calili”, ocorrida terça-feira (16), por doença, em casa, na Rua 17 da Comissão do Rangel, em Luanda.

17/11/2021  Última atualização 09H25
Guitarrista partiu, mas deixou a sua grande marca “Trigo Limpo” © Fotografia por: DR
Incrédulo ainda está, o cantor Dom Caetano disse que foi com enorme dor que teve o conhecimento da morte do "colega e companheiro”, cujo contributo para o desenvolvimento da música angolana é inesquecível.

Dos poucos conservadores e exímio baixista, segundo Dom Caetano, "Calili” foi dos poucos que conseguiu manter-se fiel como instrumentista baixo, especialidade que tem atraído poucos "admirados”, nos últimos anos.


Ele disse, tocava outros ritmos, mas era mesmo o baixo que o mais encantava. "Precisamos valorizar mais os instrumentistas pelo grande suporte que dão ao produto final de qualquer música”, defendeu.

Dom Caetano, que é da segunda geração dos Jovens do Prenda, na década de 1980 até 1990, sempre admirou o profissionalismo do malogrado que vem de uma geração anterior à sua nos "Jovitos”.


O autor de "Sou angolano” referiu que Calili, que pertenceu aos Jovens do Prenda e os Kiezos, dois maiores agrupamentos no país, fez parte do projecto musical "Kudimuena” (Reencontro), que realizou uma digressão pelo país e o Leste da Europa na década de 1983 e 1984.


"Calili” é referência nacional, tendo as suas "impressões digitais” nos mais variados agrupamentos musicais do país, como os Muzangola, FAPLA Povo, Jovens do Prenda e Kiezos. Encontramos as impressões digitais do "Kota Calili”, como  era  tratado pelos mais próximos, dentre vários sucessos do cancioneiro nacional, em "Ilha Virgem”, "Adeus Solidão”, "Marica”, com o seu Conjunto "Os Jovens do Prenda”, "Joana Wa ié” e "Ginginda”, de António Paulino, "Kinito Oh Lóbela”, de Kinito, "Eme ngui nguenji”, de Kim Santos, "Kikola”, de António Paulino, "Joana Mukua Di Fuba”, de Robertinho, "Scânia 111”, de Proletário, "Senhor Director” e "Ngalenga Kubata”, de Pedrito e a sua grande marca "Trigo Limpo”.

Pelo passamento físico do guitarrista "Calili”, o ministro da Cultura, Turismo e Ambi-ente, Filipe  Zau, endereçou, ontem, uma nota de condolências à família enlutada.

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