Cultura

Morte de Jacinto Tchipa enluta a classe artística

Manuel Albano |

Jornalista

A cultura nacional, em geral, e a música, em particular, ficaram mais empobrecidas com a morte do músico e compositor Jacinto Tchipa, ocorrida na madrugada de quarta-feira (03), por doença, na Clínica Sagrada Esperança, Ilha do Cabo, em Luanda.

04/11/2021  Última atualização 08H30
Músico tinha uma carreira de êxito com temas que marcaram várias gerações de angolanos © Fotografia por: DR
A esposa Ana Paula Vilares disse, ontem, ao Jornal de Angola, que o malogrado passou por uma intervenção cirúrgica ao coração, no mês passado, que correu "muito bem”, mas há dias houve a necessidade de uma evacuação para a mesma unidade hospitalar devido a complicações respiratórias.

Com base em informações cedidas pela esposa, no dia 25 do mês passado, Jacinto Tchipa, uma das referências incontornáveis da música angolana, foi submetido, com sucesso, a uma operação para a desobstrução de uma das veias do coração. "Aparentemente estava tudo bem e sem nenhuma outra complicação”, contou.

Na segunda-feira, dia 1 de Novembro, explica, o marido teve, em casa, uma hemorragia nasal, o que obrigou a regressar à referida instituição hospitalar. "Na terça-feira ainda passou bem a manhã”, disse, acrescentando que registou uma alteração na noite do mesmo dia. "Ele tinha dificuldades em respirar. Sentia muita falta de ar, mesmo com os primeiros socorros prestados, infelizmente não resistiu”, lamentou a esposa.
Reacções

Incrédulo ainda está o cantor Bessa Teixeira, conterrâneo do malogrado, para quem foi com enorme dor que teve o conhecimento da morte do "colega, irmão e companheiro”, cujo contributo para o desenvolvimento da música angolana é inesquecível.

Para Bessa Teixeira, Jacinto Tchipa "foi um motivador e um elo de união de várias gerações, que compôs inúmeras canções de intervenção política”. "Tínhamos uma relação de irmão e quando ele viajasse para o Huambo, ficava hospedado em minha casa com a esposa, a tia Paula”, revelou.

Por sua vez, o cantor Carlos Lamartine recorda que viveu bons momentos e partilhou diversos palcos e tertúlias com o malogrado músico. "Lembro de ter recebido um convite de Jacinto Tchipa para ir conhecer o seu espaço de cultivo na Caála”.  

O presidente da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC-SA), Zeca Moreno, endereçou sentimentos de pesar à família do malogrado e à classe artística nacional e afirmou que Jacinto Tchipa deu o melhor pela valorização e divulgação da música angolana, enquanto factor de identidade.
A caminhada
Natural da Caála, província do Huambo, Jacinto Tchipa começou a carreira artística em 1973, quando gravou o primeiro disco de vinil "África”. Depois lançou três discos em vinil na década de 1980, com os títulos "A Cartinha da Saudade”, "Sissi Ola” e "Reconstrução Nacional”. Nos anos 2000 colocou no mercado dois álbuns, nomeadamente "Os Meus Sucessos” e "África”.

Autor de sucessos como "África”, "Maié Maié” e "Cartinha da Saudade”, o músico, que se notabilizou no mercado nacional durante a década de 1980, quando venceu, duas vezes consecutivas, em 1986 e 1987, o Top dos Mais Queridos, da Rádio Nacional de Angola (RNA), foi funcionário do Ministério da Defesa. 

Jacinto Tchipa há anos que sofria de hipertensão, o que o obrigou, após o diagnóstico médico, em 2017, a uma cirurgia cardíaca e ao uso de um marca-passo (aparelho para regular os batimentos cardíacos).

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