Cultura

Morte de instrumentistas deixa um vazio na música

Analtino Santos

Jornalista

A música e a cultura angolana ficaram mais pobres com as mortes de Zé Fininho, Paquito e Pai Adão. Os dois primeiros exímios tocadores de dikanza e o último baixista que se notabilizou no África Ritmo.

29/06/2021  Última atualização 07H50
Músico “Zé Fininho” faleceu na madrugada de domingo © Fotografia por: Agostinho Narcíso | Edições Novembro
O  ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, Jomo Fortunato,  lamentou a morte dos três artistas. A classe artística, consternada, lamentou estas perdas, com mensagens de conforto e de reconhecimento da obra dos finados.
Raúl Tolingas foi um dos últimos artistas a ter contacto com Zé Fininho. "Levei-o ao hospital no sábado a tarde e quando me ligaram de madrugada fiquei em baixo. Éramos os últimos grandes tocadores de dikanza e recordo-me de que fui eu que o convidei para integrar o grupo Kituxi”.


  Manuel Claudino "Manuelito” também recordou o colega e amigo: "Zé Fininho era amigo dos seus amigos e um homem de poucas palavras. Ele tinha um toque caracteristico e usava o dedal. Penso que ele bebeu muito bem do mestre Euclides Fontes Pereira mas foi nos Negoleiros que esteve em evidência e destaque nos temas "Minha Cidade é Linda" e "Lemba". Recordo Paquito como um animador de Carnaval e no sucesso "Peixeira”, homem do Sambizanga, na Rua do Pombinha. Paquito foi também tipógrafo e Zé Fininho electricista”. 


José Domingos "Zé Fininho” natural de Luanda onde nasceu em 17 de Novembro de 1947 foi um exímio tocador de dikanza e percussionista filho do Bairro Operário, onde ainda pequeno se iniciou nos "Os Pequenos Sivucas”, formação de pouca visibilidade. Depois, os amigos e vizinhos  convidaram-no para ingressar os Negoleiros do Ritmo onde permaneceu durante 16 anos. Esteve na base da fundação do Semba Tropical, conjunto afecto à então Secretária de Estado da Cultura, com o qual  actuou em Portugal, Brasil, Moçambique, Cabo Verde, Cuba e Reino Unido. Com a banda participou nos Lps "Canto Livre de Angola” e "Semba Tropical in London”. 


Com passagens por diversas formações e registos em vários temas onde deixou a magia da sua dikanza nos últimos anos era presença regular na Banda Welwitchia, Conjunto Angola 70 e o Grupo Kituxi, este último levado pelo amigo e também homem da dikanza, Raúl Tolingas.


Francisco Terramoto Van-Dúnem Ananias "Paquito”, nascido a 1 de Maio de 1958, é outro senhor da dikanza como fabricante e executante, um homem ligado ao Carnaval se destacou com o sucesso "Peixeira" e teve o seu apogeu musical entre 1984 e 1987. Antes da doença que o vitimou foi durante um tempo colaborador do do programa radiofonico Poeira no Quintal e também foi voaclista dos conjuntos musicais Grito Di Povo, Anjos, África Nzoji, Simpáticos, Anangola e África Ritmos. Teve participação no Prémio Semba de Ouro e foi a melhor canção no Carnaval com tema do grupo Dimba Dya Ngola.


Outra perda foi  o baixista e compositor Domingos António Salvador, de nome artístico Pai Adão, ocorrida no sábado, em Luanda, vítima de doença. Nasceu em Luanda no dia 4 de Maio de 1947,  tendo  iniciado a sua carreira artística em 1968, no agrupamento musical "Mamukuenu e os seus Kubanzas”.

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