Cultura

Monumentos de Benguela clamam por recuperação

Maximiano Filipe | Benguela

Jornalista

Governo de Benguela criou um programa específico para a recuperação de bens culturais, reconhecidos como património histórico e cultural nacional, destruídos por fenómenos naturais, calamidades e pelo conflito armado

19/04/2022  Última atualização 09H15
© Fotografia por: DR

Os diversos monumentos e locais históricos, existentes em Benguela, continuam a degradar-se aos olhos de toda a sociedade, sem deixar vestígios para o conhecimento da futura geração.

Com inúmeros monumentos, alguns dos quais com longos séculos, Benguela vê hoje a deterioração destes locais se tornar uma realidade.

Divididos por características diferentes, constam entre estes espaços, o edifício da administração Municipal de Benguela e do Tribunal de Benguela, o Forte da Catumbela, a Igreja da Nossa Senhora do Pópulo, o Museu Nacional de Arqueologia e o Regional de Etnografia, no Lobito.

Este conjunto histórico inclui, ainda, o Largo da Peça, as instalações da antiga Companhia do Açúcar de Angola, que actualmente alberga, o Núcleo de Jovens Pintores de Benguela,  e o edifício da ex-companhia do Cabo Submarino, que antes respondia pelas questões da cultura da província, mas foi destruído por um incêndio.


Projectos futuros

No âmbito da preservação, conservação e inventariação dos monumentos e sítios históricos de Benguela, a direcção da Cultura, desenvolveu, em 2014, estudos para saber a natureza destes edifícios e outros locais importantes, num total de 12 monumentos e 7 complexos arqueológicos classificados, assim como 133 monumentos, 9 sítios e 2 complexos arqueológicos inventariados.

Apesar de espalhados por toda a província, os municípios do Lobito, Catumbela, Benguela e Baía Farta, aglomeram, em conjunto, 85 por cento destes espaços, existentes desde a  época colonial.

Os outros, existentes nos demais municípios da província, foram destruídos por fenómenos naturais, calamidades e o conflito armado.

Devido a este quadro, o Governo Provincial de Benguela criou um programa específico, que inclui trabalhos de recuperação destes locais.

Atendendo a urgência, o governo local pretende acelerar a materialização das referidas acções, tendo já alguns locais específicos, dentre os quais o Cine Nimas 500, o Centro Recreativo e Cultural do Cubal, o Cine Benguela e o Museu Nacional de Arqueologia. O espaço, onde estava instalado o cabo submarino, destruído por um incêndio, é outro dos locais a serem reabilitados, com a construção de uma sede de estilo moderno.


Descaracterização

O historiador e pesquisador Joaquim Grilo disse, ontem, ao Jornal de Angola, que lamenta o facto de até à data os monumentos e sítios de Benguela continuarem abandonados à sua sorte, sem o mínimo de atenção. "Tal comportamento também descaracteriza a originalidade histórica da província,  conhecida a nível internacional por alguns destes locais históricos”.

Para o especialista, é urgente a recuperação destes locais, em especial a Igreja do Pópulo, cujo primeiro restauro foi feito em 1952, pelo arquitecto português Fernando Batalha, que projectou a cidade do Lubango e construiu o Cinema Teatro Monumental.

Na Catumbela existem algumas ruínas e também uma fortaleza, construída em 1846, por Francisco Craveiro Lopes. No Dombe Grande existiu um outro, feito de pedra bruta, que acabou por desaparecer com o tempo. Muitos desses monumentos,  explicou Joaquim Grilo, ainda não foram catalogados pelo governo local, mas em função do valor histórico merecem ser inventariados e recuperados.

"O Cemitério da Camunda, que data desde 1835, é outro monumento de respeito que deveria ser melhor valorizado”, sustentou o historiador.

Realidade actual dos monumentos

Entre os monumentos locais de maior referência, o destaque vai para o Museu Nacional de Arqueologia, que recebe, mensalmente, 500 visitantes, maioritariamente estudantes de diversas instituições de ensino, nacionais e estrangeiros.

As pesquisas arqueológicas existentes na instituição datam de 1800. Actualmente, a instituição conta com 15 mil peças no  acervo histórico.

O especialista em recursos turísticos e ambientais, Manuel Bandeira, considera que os monumentos e sítios da província, em função da sua história e pelo valor cultural, podem contribuir no crescimento da economia local, mas, para isso, precisam ser recuperados.

"O país está em condições de mostrar ao mundo estes valores e atrair mais turistas, captar receitas e também criar novas oportunidades de emprego para os jovens, por meio destes monumentos”, disse.

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