Entrevista

Monteiro Capunga: “Sou contra a inversão das normas na sociedade dos nossos dias”

Francisco Curihingana | Malanje

Jornalista

O entrevistado que trazemos hoje é um homem ligado aos negócios. Foi deputado pela bancada parlamentar do MPLA durante 10 anos. Passou pela Escola de Oficiais Nicolau Gomes Spencer, no Huambo, e por conta disso é Major das Forças Armadas Angolanas na reserva. Cristão de gema, cultua na Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo (Os Tocoístas).

11/12/2022  Última atualização 07H41
© Fotografia por: Francisco Curihingana | Edições Novembro

Ajudar os necessitados é o lado mais fértil do homem que há largos anos investe na província de Malanje nos mais variados domínios, através do grupo empresarial Miamop, que tem o município de Marimba como um dos destinos dos seus investimentos. Monteiro Capunga condena a inversão de valores na sociedade angolana, e, por conta disso, pede ao Estado para ser implacável contra todos aqueles que atropelam as normas e os valores sociais

 

O senhor diz que há muita imoralidade na sociedade dos nossos dias, o que o leva a afirmar isso?

Sim. Hoje assistimos a muitos actos indecorosos. Não se pode compreender, por exemplo, que um pai viole a sua própria filha. Afinal, que tipo de sociedade vamos construir com esse tipo de pais? Continuamos hoje a verificar situações muito imorais, são coisas que não vivíamos no passado.

 

Que tipo de medidas devem ser tomadas contra esse tipo de pessoas?

Olha, as coisas devem voltar à normalidade já. E para que isso aconteça é preciso que a "mão pesada” da lei se aplique contra esses indivíduos. O que muitos não sabem é que as vítimas desses indivíduos podem crescer com pesadelos enormes, vão ser discriminadas. Então, para impedir isso, é necessário que se tomem medidas urgentes para acabar com esse fenómeno que acontece quase todos os dias.

 

No passado aconteciam actos semelhantes?

Não. Apesar da longa noite colonial, no passado assistia-se à observância das regras da moral e dos bons costumes. Hoje, os irmãos namoram com as irmãs, os primos namoram entre si, e o que é mais estranho, assiste-se hoje os pais a namorarem com as filhas. Isso é abominável, não pode ser. O Governo deve, com urgência, disciplinar as coisas e fazer parar esse tipo de actos. Tudo deve passar por uma punição exemplar contra os que tomam essas atitudes.

 

O que acha que está na base de tudo isso?

Bom, acho que nas escolas devem ser traçados programas virados à educação moral e cívica. Deve-se trabalhar muito no sentido de se inverter as coisas. É preciso que as crianças, que constituem o futuro do país, sejam ensinadas a  conviver, a se comportarem ante os adultos, enfim, tudo isso vai permitir que se reduza essa barbaridade que assistimos nos dias de hoje. Assistimos hoje a coisas que nos deixam muito desapontados. No passado, um vizinho podia repreender o filho de um outro vizinho, hoje se isso acontecer é confusão. Os idosos eram respeitados, hoje um idoso é levado para um centro de acolhimento pelos próprios filhos, enfim, há muitas situações que se inverteram. Isso não pode continuar assim. As igrejas têm um papel importante a desempenhar. É preciso que o Evangelho chegue a todos, para que a nossa sociedade possa crescer sã e evitemos esse tipo de situações abomináveis.

 

Em vários círculos alega-se que o desemprego contribui para esse tipo de comportamento. Concorda com isso?

Bem, o Governo está a criar políticas que visam minimizar a situação. A par disso, o sector privado tem vindo a realizar acções para empregar os jovens. É certo que o grau de necessidades supera as oportunidades, mas é preciso termos fé, que as coisas vão funcionar e vão dar certo. Temos de ajudar os jovens a encontrar oportunidades de emprego.

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