Economia

Moçambique: Sobem preços das viagens para a África do Sul

O preço de transporte de passageiros entre Moçambique e África do Sul, uma das maiores economias africanas, sobe a partir de amanhã, mas para quem faz o trajecto regularmente o aumento justifica-se face à vertiginosa inflação.

31/07/2022  Última atualização 12H05
Transporte de passageiros entre Moçambique © Fotografia por: DR

"O aumento vai afectar as minhas contas, mas eles [os transportadores] têm razão, não há dinheiro. Tudo subiu em Moçambique, menos o salário”, disse à Lusa Rosta Massingue, moçambicana que faz o trajecto há mais de 20 anos para visitar a família que vive na África do Sul.

Sentada num autocarro com destino a Rustenburg, no terminal da baixa de Maputo, Rosta Massingue faz as contas, que nunca batem, e lamenta o aumento dos preços.

Esta moçambicana começou a fazer viagens em 2001, quando o transporte custava 180 rands (4,7 mil kwanzas), e hoje, tendo de pagar 500 rands (13,1 mil kwanzas), cogita reduzir as visitas à sua família.

Com a subida dos preços dos combustíveis em Moçambique e também na África do Sul, a situação ficou "mais pesada” e "sufocante” para os transportadores, obrigando-os a aumentar 50 rands (1,3 mil kwanzas) no custo das viagens, explica Francisco Mandlate, secretário da Moçambique, África do Sul Transportes Associados (Mosata).

"Nós tentámos resistir [à subida dos preços com a inflação global] por um tempo. Mas ficámos sufocados e daí tivemos de aumentar um bocado a tarifa”, refere o responsável.

A viagem de Maputo para Rustenburg subiu de 450 rands (11,8 mil kwanzas) para 500 rands, enquanto da capital moçambicana para Durban subiu de 400 rands (10,5 mil kwanzas) para 450 rands.

Por outro lado, viajar de Maputo para Joanesburgo passa de 350 rands (9,2 mil kwanzas) para 400 rands e da capital moçambicana para Nelspruit há um aumento de 30 rands (789), passando de 200 rands (5,2 mil) para 230 rands (cerca de seis mil).

Segundo a Mosata, que faz também viagens para o reino Essuatíni (antiga Suazilândia), as receitas "baixaram drasticamente”, o que se agrava pelo facto de atravessarem fronteiras e movimentarem-se em países com preços diferentes.

"A subida devia ter sido de 100 por cento para que a gente voltasse à rotina normal de ganhos”, defende Marcos Abílio, motorista que faz a rota Maputo-Rustenburg, referindo que mesmo a nova tabela "não vai compensar” os custos das viagens.

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