Mundo

Moçambique: Estudo defende força militar regional no combate à rebelião

Os ataques de grupos armados, no Norte de Moçambique, devem ser enfrentados, a curto prazo, por uma força militar regional para evitar que a situação fique fora de controlo, defende um relatório do Instituto Tony Blair citado pela Lusa.

21/06/2020  Última atualização 17H51
DR

O estudo do Instituto para a Transformação Global, fundado pelo antigo Primeiro-Ministro britânico Tony Blair, alerta para a urgência de uma intervenção perante a deterioração da situação na província de Cabo Delgado, que atribui ao grupo terrorista Ansar al-Sunna, ligado aos extremistas islâmicos do Estado Islâmico.

“Depois dos primeiros ataques em Mocimboa de Praia, no final de 2017, o grupo faz agora mais de 20 ataques por mês numa insurgência que abrange nove grandes cidades e municípios ao longo da costa de Cabo Delgado. Uma batalha na vila de Macomia, no final de Maio, demonstrou a capacidade e ambição organizacional do grupo, além de uma escalada nos esforços contra-ofensivos do Governo”, refere o estudo.

A vila de Macomia, a 200 quilómetros da capital provincial (Pemba), foi ocupada, durante três dias seguidos, por grupos armados, que saquearam vários estabelecimentos comerciais e vandalizaram infra-estruturas, incluindo o centro de saúde local. No total, os ataques dos rebeldes em Cabo Delgado, província onde avança o maior investimento privado de África para exploração de gás natural, causaram, pelo menos, 600 mortos.

No documento são feitas várias recomendações, a curto e longo prazo, com destaque para a necessidade de uma maior coordenação regional e internacional para combater esta ameaça, incluindo a mobilização de uma força militar com soldados africanos. “Se um grupo usa armas, algumas das quais sofisticadas, e mata civis indiscriminadamente, não podemos dizer que meios militares não devem ser usados.

A prioridade deve ser a mobilização de militares com recursos suficientes em termos de comunicação, informação e armas para conter a violência e impedir que o grupo mate civis inocentes e conquiste mais território”, afirmou, à agência Lusa, Bulama Bukarti, um dos autores do relatório. Bukarti e o outro autor, Sandun Munasignhe, analisaram a evolução da actividade do grupo Ansar al-Sunna em Cabo Delgado, desde as raízes como movimento religioso não violento até à conquista de território, através de raptos, saques e assassinatos em massa.

A análise que os investigadores fazem é que esta é uma situação que tem paralelo com as actividades dos grupos Boko Haram, na bacia do Lago Chade, o Jama'a Nusrat al-Islam wa al-Muslimin (JNIM) e o Estado Islâmico no Grande Sahara (ISGS), no Sahel, e o Al-Shabab, na Somália. Outras recomendações a curto prazo incluem apoio humanitário aos cerca de 200 mil deslocados.

Nas recomendações, a longo prazo, os autores sugerem medidas para tentar combater as “narrativas ideológicas” dos “extremistas islâmicos”, que exploram questões como o desemprego, desigualdade, problemas sócio-políticos ou mesmo geográficos. Em paralelo, dizem, o Governo moçambicano precisa, com assistência internacional, de enfrentar os factores sócio-económicos das comunidades de Cabo Delgado para promover o desenvolvimento, educação e emprego.

Nyusi lança nova campanha agrícola

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, inaugurou, hoje, uma campanha de comercialização agrícola, que pretende colocar 15 milhões de toneladas de diversos produtos no mercado. “Reconhecemos que a comercialização agrícola, na sua amplitude, enfrenta vários constrangimentos, mas a nossa estratégia visa garantir maior competitividade a toda cadeia de valor”, declarou Filipe Nyusi, citado pela Lusa, no lançamento da campanha em Marracuene, província de Maputo.

A nova campanha com duração de um ano, ambiciona disponibilizar 15 milhões de toneladas de diversos produtos ao mercado, contra os 13,8 milhões de toneladas na campanha passada. Além de garantir maior competitividade ao sector, o Chefe de Estado disse que o objectivo é garantir benefícios a pequenos agricultores.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Mundo