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Moçambique a Guiné-Bissau reforçam relações históricas

Os Presidentes moçambicano e da Guiné-Bissau, Filipe Nyusi e Umaro Sissoco Embaló, respectivamente, assumiram, sexta-feira, o objectivo de reforçar as relações históricas entre ambos os países, na primeira visita de Estado de um Presidente guineense a Moçambique, descrita como “uma semente” colocada por dois irmãos.

23/06/2024  Última atualização 10H44
Trata-se da primeira visita de Estado de um Presidente guineense à República de Moçambique © Fotografia por: DR

"É verdade que esta é uma visita histórica. É a primeira visita de Estado de um Presidente da Guiné-Bissau à República irmã de Moçambique. Eu penso que nós já cimentámos uma alavanca, isso tem que continuar", afirmou Umaro Embaló, citado pela Lusa numa declaração na Presidência da República, em Maputo, após reunir-se com o homólogo moçambicano.

Nyusi descreveu mesmo Embaló como o "irmão mais novo" e enfatizou a importância desta visita: "Significa que houve uma semente que estamos a colocar na terra e acreditamos que, muito brevemente, todos nós vamos sentir a troca de visitas a diferentes níveis, da economia, política, sociais, mesmo nos parlamentos. Para trocar experiências, para ver o que é que um faz, o que o outro faz e o que é que pode fazer-se melhor".

Neste primeiro dia de visita de Estado do Presidente guineense ambos assistiram à assinatura, pelos respectivos chefes da diplomacia, de um acordo geral de cooperação, que vai permitir a criação de uma comissão mista, a qual definirá as "balizas" das aéreas e prioridades de colaboração.

Abordando o terrorismo que afecta a província de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, o Presidente da Guiné-Bissau garantiu a Nyusi que veio a Maputo para "reiterar em nome do povo guineense" toda a "solidariedade com o povo irmão de Moçambique". "Temos que reforçar esse quadro na amizade que existe", apelou, garantindo a intenção de aproveitar a disponibilidade de Moçambique para receber guineenses na academia policial e no Instituto de Administração Pública.

 
Oposição moçambicana boicota cerimónia ofIcial

O Conselho Municipal de Maputo atribuiu ontem a chave da cidade ao Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, em cerimónia boicotada pela oposição moçambicana, que considera que o Chefe de Estado guineense "não é um bom exemplo".

A cerimónia contou apenas com os membros da assembleia municipal da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, tendo sido boicotada pela Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, e pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceiro maior partido.

Justificando a atribuição da Chave da Cidade de Maputo, o presidente do Conselho Municipal, Razaque Manhique, disse que a distinção "simboliza o reconhecimento pela especial amizade que [o Chefe de Estado da Guiné-Bissau] sempre manifestou em relação a Moçambique e ao seu povo e, em particular, à cidade".

Manhique afirmou que o percurso político de Umaro Sissoco Embaló não deixa dúvida do seu empenho na luta pela construção de uma Guiné-Bissau livre da pobreza.

Umaro Sissoco Embaló agradeceu a distinção, elogiando a "vitalidade" democrática da autarquia de Maputo.

"O Conselho Municipal de Maputo, legitimado directamente pelo voto dos cidadãos, é um exemplo de vitalidade da democracia moçambicana, é dessa vitalidade democrática que decorre a responsabilidade pelo desenvolvimento do projecto autárquico de servir Maputo e o bem-estar dos cidadãos da cidade capital de Moçambique", afirmou Embaló, num breve discurso.

O presidente do MDM, Lutero Simango, disse que o Presidente da Guiné-Bissau "não é um bom exemplo a seguir", contestando a sua receção na Assembleia da República. "Nós não nos podemos associar com um Estado que impede o funcionamento de um parlamento. Quando num país não existe um parlamento, então esse país não se pode classificar como democrático, muito menos multipartidário que defende um Estado de Direito", afirmou Lutero Simango, em conferencia de imprensa.

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