Opinião

Mobile-Money a Inclusão Financeira e a UNITEL

Adebayo Vunge

Jornalista

Nos próximos dias, celebra-se o Dia da Mulher Africana. Este ano, sob o lema da Inclusão Financeira em África, onde as mulheres, obviamente, desempenham um papel singular, na medida em que esta é uma ferramenta poderosa para o combate à pobreza.

26/07/2021  Última atualização 07H55
Tem sido assinalada nos países africanos e não só que vivenciam esta realidade, sendo de destacar aqui países como o Quénia, Tanzânia, Ruanda, Etiópia e Moçambique na costa Oriental e em alguns países da costa Ocidental como o Ghana, Nigéria e Côte d´Ivoire.

A experiência do surgimento deste produto financeiro emergiu em África, especialmente no Quénia, tendo como elemento principal responder a uma necessidade: enviar dinheiro para casa, banking the unbanked, ou seja, "bancarizar os não bancarizados", o que no nosso caso ainda é um desafio considerável. No Quénia, desde 2007, o produto do M-Pesa (serviço de pagamentos via telefone) singrou fundamentalmente porque juntou uma operadora de telefonia móvel, a Safaricom (subsidiária da Vodafone) e uma empresa de microcrédito, oferecendo aos clientes soluções de pagamentos mais cómodas e simples, como quando compram uma recarga.

Para além de dispor de toda a rede comercial das operadoras de telefonia móvel é também utilizada uma rede de infra-estrutura tecnológica, fruto da grande penetração dos telemóveis em África, seja em 2G e 3G, o que ainda tem a grande vantagem de esbater os riscos então associados ao uso comum do dinheiro como é o caso dos roubos.

Para além dos serviços mais comuns como o levantamento e depósitos ou ainda a transferência, os clientes encontram igualmente benefícios na utilidade prática do Mobile-Money em relação a alguns serviços que de-mandam os seus utilizadores como é o pagamento de serviços como as propinas escolares, o e-Commerce que está em crescendo no nosso seio, em grande medida, por efeito da Covid-19, remessas nacionais e internacionais, seguros e, tanto quanto seja possível, poupanças, entre outros.

Em 2020, os números revelam ainda uma maior aceleração destes serviços. Segundo o Digital Frontiers Institute, os valores transaccionados na África Ocidental andaram à volta dos 178 mil milhões de dólares em comparação com os 273 mil milhões da África Oriental. Para uma outra discussão, estes números revelam-nos o peso da economia informal no PIB dos países africanos, o que na maioria dos casos não é captado nos indicadores formais dos países.

Entretanto, em Angola, o fenómeno emergiu com o "defunto” Banco Postal – fenómeno comum ao que ocorreu na Índia onde o licenciamento e burocracias obstaculizaram a expansão do Mobile- Money. Outras iniciativas do Banco Central e dos bancos comerciais têm vindo a promover a bancarização e a inclusão financeira, como é o caso do Bankita e do É Kwanza Bai.

Esperamos todos que a recente notícia de licenciamento da UNITEL ajude a conferir outro dinamismo, permitindo que a população tire maior proveito, em matéria de inclusão financeira com o Mobile- Money, das ferramentas tecnológicas e da telefonia móvel tão alicerçadas no nosso mercado onde os números revelam um nível de penetração alto, embora ainda não saturado, o que se atesta no interesse que o concurso internacional revelou e que permite a entrada de um novo operador já nos próximos meses.

Obviamente, quando falamos da inclusão financeira estamos a admitir uma maior formalização dos processos em que trabalham os pequenos operadores económicos informais. Na mesma senda, e capitalizando a sua rede de agentes, estamos em crer que poderemos assistir um desafogamento da pressão sobre os aparelhos de multicaixa para efeitos de levantamentos.

Segundo um verbete recente de Alexandra Egipto, Antonieta Gomes e Luís Prata, em sede do fenómeno Mobile-Money, "um agente tem sete vezes mais alcance do que os Multicaixas e 20 vezes mais alcance do que as agências bancárias”. Esperamos todos que seja agora que o dinheiro possa também circular e dinamizar a economia das zonas e municípios mais recônditos e pobres do nosso país, conforme os dados do INE.

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