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Mnangagwa forma Governo para modernizar a economia

O novo Governo do Zimbabwe, nomeado ao final da tarde desta última sexta-feira pelo Presidente Emmerson Mnangagwa, tem o seu foco na criação de condições para levar de vencida a missão urgente e inadiável de modernizar e recuperar a economia do país, em queda acentuada há já quase 20 anos.

09/09/2018  Última atualização 12H02
João Gomes | Edições Novembro

Com poucas caras novas em relação ao anterior, a grande figura deste Governo, pelo menos aquele de quem os zimbabweanos mais esperam, é o conceituado economista Mthuli Ncube, professor na prestigiada universidade britânica de Oxford e antigo patrão do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
Mthuli Ncube foi a pessoa escolhida pelo Presidente Mnangagwa para coordenar a nova equipa económica do Governo, assumindo a pasta das Finanças.
De acordo com uma fonte do partido no poder no Zimbabwe, contactada desde Luanda pelo Jornal de Ango-la, Mthuli Ncube deverá indicar nos próximos dias os nomes das pessoas com quem irá trabalhar, havendo uma grande expectativa em redor de se saber quem ele irá indicar para governar o banco central.
A mesma fonte referiu ainda que, além de criar as condições para desenvolver e modernizar a economia do país, este Governo terá que combater o desemprego, que neste momento afecta mais de 90 por cento da população, e regularizar o pagamento dos salários aos funcionários públicos, interrompido por falta de liquidez financeira.
A ele compete também, de acordo com a mesma fonte, a missão de estabelecer a estratégia para rentabilizar os recursos naturais do país, de modo a que estes possam representar uma efectiva mais-valia para a desejada recuperação económica e financeira.
Mthuli Ncube vai também ser o artífice da engenharia estratégica de negociação com a União Europeia (UE) e os Estados Unidos para o levantamento das sanções económicas impostas em 2000 como forma de “protesto” pelo modo como o então Presidente, Robert Mugabe, im-punha a sua vontade à margem do respeito pelos direitos humanos.

Falta dinheiro em circulação

No imediato, o novo Governo tem que resolver urgentemente um problema que afecta a população zimbabweana e que se prende com a escassez de dinheiro “vivo” em circulação no país, fruto do facto de não existir uma moeda nacional desde a suspensão do dólar zimbabweano, afogado em desvalorizações que chegaram a atingir a marca percentual de vários triliões.
Com o dólar norte-americano a servir de moeda de referência e o rand a ser a segunda principal divisa aceite no mercado, os bancos têm naturais dificuldades em responder à procura da população e do empresariado, depois que o banco central decidiu restringir a venda de divisas.
A alternativa a estas dificuldades é o recurso aos cartões de crédito, que a maioria da população não tem, e aos pagamentos através do telefone, uma opção que torna as transacções mais onerosas devido às taxas cobradas, tanto num como no outro sistema.
Uma alternativa possível tem sido a emissão de “bonds”, um papel carimbado pelo banco mas que tem tido pouca aceitação por parte dos vendedores e de alguns estabelecimentos comerciais.
Há cinco anos, para tentar evitar que a situação chegasse a este ponto, o Governo então comandado por Robert Mugabe decidiu liberalizar a aceitação oficial de divisas, alargando a lista às moedas japonesa, chinesa, australiana e namibiana, que assim se juntaram ao rand e ao euro como moeda aceite para qualquer tipo de transacção, tendo sempre como referência o dólar norte-americano..
Uma das possibilidades para resolver o problema, que mais tarde ou mais cedo terá que acontecer, é a criação de uma moeda nacional de verdade, para que a economia interna deixe de depender das divisas internacionais.
Até por razões psicológicas, essa moeda não se deverá chamar “dólar zimbabweano”, pois a sua imagem ficou extremamente desgastada pelo efeito da taxa de inflação que subiu em flecha desde 2000 até 2008, depauperando completamente os cofres do Estado e os bolsos dos cidadãos.

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