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Missão Militar da SADC custa 29,5 milhões de USD

A Missão Militar da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral em Moçambique (SAMIM, na sigla inglesa) vai permanecer no país por mais três meses, numa operação orçada em 29,5 milhões de dólares, anunciou a fonte oficial, citada, ontem, pela Lusa.

14/01/2022  Última atualização 06H00
Presença das tropas da SADC e do Rwanda permitiu aumentar a segurança em Cabo Delgado © Fotografia por: DR
 "Foi decidido o prolongamento da missão por mais três meses, mas isso é indicativo. O terrorismo não termina em um mês ou um ano. Naturalmente as actividades contra o terrorismo terão de seguir”, disse o Chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi.

O Presidente moçambicano falava à Comunicação Social em Lilongwe, no Malawi, no final da cimeira extraordinária da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) que debateu a SAMIM, que a organização enviou para apoiar Moçambique no combate à insurgência em Cabo Delgado, Norte do país.

Segundo o Chefe de Estado, o prolongamento da Missão militar que apoia Moçambique na luta contra os rebeldes em Cabo Delgado vai custar 29,5 milhões de dólares, tendo a maior parte dos líderes regionais que estiveram na cimeira assumido o compromisso de disponibilizar as verbas dentro dos prazos estipulados. "O orçamento foi também aprovado e promulgado e grande parte dos países durante a sessão disseram que vão cumprir com o prazo estipulado”, frisou o Chefe de Estado moçambicano.

Num momento em que surgem sinais de alastramento do conflito para a província do Niassa, vizinha de Cabo Delgado, com ataques esporádicos a pontos recônditos que já provocaram a fuga de cerca de três mil pessoas nestes locais, Filipe Nyusi esclareceu que a SADC está aberta para apoiar Moçambique em qualquer ponto do país.

"Os nossos amigos colocaram-se à disposição para apoiar o combate ao terrorismo em Moçambique e, para eles, não é só em Cabo Delgado. Se o terrorismo puxa para a direita ou para a esquerda, nós vamos ao encontro do terrorista”, declarou o Chefe de Estado moçambicano, frisando que os rebeldes que "se movimentam para zonas que acham que lhes são favoráveis terão a resposta que merecem”.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico. O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projecto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas.
Desde Julho, uma ofensiva das tropas governamentais com apoio do Rwanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas aos rebeldes, nomeadamente a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde Agosto de 2020.

Ontem, a Human Rights Watch (HRW) divulgou um relatório onde refere que a situação dos direitos humanos em Moçambique voltou a degradar-se em 2021 devido à violência em Cabo Delgado. Segundo a Lusa, no capítulo dedicado a Moçambique do seu relatório anual, a Organização Não-Governamental concluiu que os combates entre as forças do Governo e os grupos islamitas no Norte do país contribuíram, em 2021, para o retrocesso nos direitos humanos e para o agravamento da crise humanitária na região, o que já tinha acontecido no ano anterior.

"Cabo Delgado é a nossa maior preocupação e a verdade é que a questão humanitária piorou e com ela vieram vários outros problemas de direitos humanos”, disse à Lusa a responsável da HRW em Moçambique, Zenaida Machado, lembrando que foi em 2021 que se registou "uma das maiores crises de deslocamento de população”, depois do ataque de Março a Palma pelo grupo islamita Al-Sunna wa Jama'a (ASWJ).
Segundo Zenaida Machado, também foi em 2021 que a HRW percebeu a dimensão dos abusos a que tinha sido sujeita.
No relatório recordou-se que vários parceiros internacionais, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), os Estados Unidos e a União Europeia, responderam ao pedido de ajuda do Governo para as suas operações militares contra a ASWJ em Cabo Delgado.No entanto, lamentou que o avanço das forças de segurança para algumas áreas tenha "deixado uma brecha” que permitiu a entrada dos rebeldes em outras áreas do país, nomeadamente na província do Niassa.
 
Cheias afectam o país

Cerca de 22 mil pessoas estão isoladas devido à subida das águas do rio Umbeluzi, colocando submersa uma passagem para pessoas e viaturas que une oito bairros à vila de Boane, província de Maputo, disse uma fonte oficial. Segundo uma fonte local, citada pela Lusa, o problema é recorrente naquela região no período das chuvas, devido ao mau estado da passagem, referindo que se está em conversação com o Governo central para a obtenção de soluções.

As autoridades moçambicanas têm relatado a interrupção de vias de acesso um pouco por todo o país, na sequência de chuvas e descargas que aumentam o nível das águas, um problema frequente no país. Na província de Tete, no Centro de Moçambique, está interrompida a ligação rodoviária entre o posto administrativo de Mucumbura e M’phende, devido ao corte de 20 metros numa estrada.
 
 
 

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