Política

Ministros da OEACP abordam preparativos da 10ª Cimeira

O ministro das Relações Exteriores, Téte António, está desde sábado em Bruxelas, onde vai participar na 115ª Sessão do Conselho de Ministros da Organização dos Estados da África, Caraíbas e Pacífico (OEACP).

27/11/2022  Última atualização 08H01
Chefe da diplomacia chefia delegação ao Conselho de Ministros © Fotografia por: Edições Novembro

Os participantes no evento, a decorrer de hoje até terça-feira, vão debruçar-se sobre a preparação da 10ª Cimeira da organização, a realizar-se de 6 a 10 de Dezembro, em Luanda, bem como da 45ª Sessão do Conselho de Ministros ACP/União Europeia, refere um comunicado do Ministério das Relações Exteriores enviado à redação do JA.

Nesta deslocação à Bruxelas, o chefe da diplomacia angolana faz-se acompanhar pelo director para Europa do Ministério das Relações Exteriores, Júlio Maiato, e pelo coordenador para a preparação 10ª Cimeira da Organização dos Estados da África, Caraíbas e Pacíficos, embaixador itinerante José Guerreiro Alves Primo.

Criado em 1975, a Organização dos Estados da África, Caraíbas e Pacífico, pretende transformar-se numa instituição forte e capaz de trabalhar em solidariedade, para melhorar as condições de vida dos povos das 79 nações membros.

A OEACP tem relações de parceria histórica com a União Europeia, mas pretende, também, alargar as suas relações com outros parceiros estratégicos, assim como reforçar a cooperação entre os Estados-Membros.

O embaixador Georges Rebelo Pinto Chikoti é o primeiro angolano a ocupar um cargo de destaque na OEACP, como secretário-geral da organização.

Em entrevista à Angop, na sexta-feira, o secretário-geral da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP) disse que a próxima Cimeira, em Luanda, representa, para Angola, uma oportunidade para mostrar a sua capacidade de liderança, no âmbito das organizações internacionais.

Georges Chikoti destacou, também, o facto de o evento puder vir "dar o devido apoio aos países, na sua relação com parceiros internacionais, na angariação de fundos, na formulação das suas opiniões, relativamente aos desafios de desenvolvimento que os países enfrentam, desde a criação da Organização”.

"Devo dizer que felicitamos os esforços que Angola tem feito, porque todos eles se enquadram no desafio para que venhamos a organizar uma grande Cimeira, com resultados positivos, numa altura em que a OEACP se transformou numa organização internacional, que luta pelo interesse dos 79 países”, sublinhou.

O secretário-geral da OEACP destacou, também, o acordo que o grupo acabou de negociar com a União Europeia (UE), do qual resultou o compromisso daquela entidade, no sentido de disponibilizar, para os próximos 10 anos, 500 milhões de euros, para o Pacífico, 800 milhões, para o Caribe, e 29,1 biliões, para o continente africano.

"Pode não ser estrondoso, mas é algo importante para os nossos países. É uma ajuda importante de que os nossos países irão beneficiar”, destacou. 

Georges Chikoti referiu-se, ainda, ao facto de a nova parceria entre a União Europeia (UE) e a OEACP continuar com algumas zonas cinzentas, sobretudo nos capítulos da luta contra o terrorismo e a lavagem de dinheiro, o que, segundo disse, tem afectado, negativamente, alguns dos membros da Organização.

"Na verdade, as listas que são estabelecidas pelos nossos parceiros muitas vezes são discriminatórias, sem fazerem provas de que um determinado país faz lavagem de dinheiro ou está vinculado ao financiamento do terrorismo”, disse.

Segundo ele, "muitos dos países que constam daquela lista são aqueles que nada têm a ver com essas práticas”.

No seu entendimento, um dos caminhos a seguir para que se clarifiquem essas zonas cinzentas é o de se fazer com que haja uma "verdadeira e profunda” discussão entre os parceiros, para que cesse essa discriminação e alguns países da OEACP sejam colocados nessas listas.

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