Economia

Ministro defende transição energética sem imposições

Victorino Joaquim

Jornalista

A transição energética (passagem da matriz energética dos combustíveis fósseis para uma com baixa ou de zero emissões de carbono), não deve ocorrer por imposição, devendo respeitar as condições de partida dos diferentes países para não acentuar as desigualdades, defendeu, ontem, em Luanda, o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás.

10/09/2021  Última atualização 07H00
Diamantino Azevedo realça a importância dos hidrocarbonetos para o crescimento do país © Fotografia por: Rafael Tati | Edições Novembro
Diamantino Azevedo, que falava à imprensa, à margem da 2ª Angola Oil & Gás  (AOG 2021, uma conferência do sector angolano dos hidrocarbonetos), reconheceu a importância da transição energética para a Humanidade e para o planeta, mas, chamou a atenção para que o processo tenha em conta o nível de desenvolvimento que cada país apresenta.

"É preciso ter em conta que o desenvolvimento económico, social e energético de cada país, não está ao mesmo nível. Há países, como o nosso, que estão mais dependentes dos combustíveis fósseis e que precisam de um tempo mais alargado e, também, de outras condições para atingir o preconizado” no domínio da transição energética, disse.

O ministro considerou ser necessário que a transição energética ocorra com base no nível de desenvolvimento económico e social, bem como as condições de partida, apelando a que a transição energética seja "democrática e que não contribua para o aumento do fosso entre os que estão mais e os que estão menos desenvolvidos, para que não se acentue a pobreza energética”.

"Todos devemos olhar para as metas a serem cumpridas, a serem atingidas neste aspecto da redução da emissão do carbono. Se isto assim for feito, estaremos todos alinhados e haverá condições para todos os países contribuírem para a redução da emissão do carbono, para que as outras fontes de energia, nomeadamente, as energias renováveis, possam finalmente ocupar parte do espaço ocupado pelos combustíveis fósseis”, realçou o ministro. 

O Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, segundo Diamantino Azevedo,  tem vindo a dar um contributo na estratégia ambiental do Executivo, havendo, neste momento, uma combinação de esforços que levaram à introdução da produção de energias renováveis e de biocombustíveis. 

O titular da pasta dos Petróleos mostrou-se confiante no trabalho que está a ser desenvolvido pelas operadoras Total Energies e outros parceiros, entre os quais a Sonangol, que, brevemente, efectuam no bloco 48 a maior perfuração já feita em Angola.
Angola Oil & Gas  A Angola Oil & Gas 2021, que decorre de forma presencial e online, conta com a participação de membros do Executivo, representantes das empresas operadoras do sector dos Petróleos e reguladores, bem como membros do corpo diplomático.

Durante dois dias, os participantes debatem os temas "Roteiro para regeneração e crescimento”, "Aumentar a competitividade de Angola em relação a outras fronteiras emergentes de petróleo e gás” e "O papel de África na garantia da estabilidade do mercado de gás global”.

 Promovida pela  Energy Capital & Power com apoio do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, o encontro enquadra-se numa  campanha de atracção de investimento para a indústria petroquímica angolana, tendo em conta as necessidades de o país reverter o declínio da  produção com o aumento das reservas, para o que contribui a renovação dos compromissos com as empresas petrolíferas internacionais.

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