Cultura

Ministro da Cultura quer a criação de licenciatura em Estudos Angolanos

Manuel Albano

Jornalista

A criação de uma licenciatura em Estudos Angolanos, com incidência na reconstituição da história cultural angolana, é um passo fundamental, para o ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, Jomo Fortunato, um factor chave à valorização e maior divulgação da identidade nacional.

18/10/2021  Última atualização 10H55
Uma das premissas da exposição são as obras produzidas pelos jovens participantes de uma oficina de banda desenhada © Fotografia por: Contreiras Pipa | Edições Novembro
Jomo Fortunato disse haver "muito material disperso” sobre cultura, que precisa apenas da sistematização do ensino. Uma licenciatura em Estudos Angolanos, fundamenta, seria uma mais-valia para investigar mais sobre a História de Angola, a literatura e as artes angolanas, assim como a História de África e as Línguas Nacionais.

A maioria deste espólio cultural, referiu, precisa de melhor tratamento. "A valorização da História evitaria que muitas pesquisas desaparecessem”, informou, acrescentando ser importante, também, um maior reconhecimento de figuras que ajudaram a escrever a História do país, nos vários domínios.
"Ir para frente, olhando para trás" é a base da tese fundamentada pelo ministro, para sustentar a necessidade de se melhorar os conteúdos académicos no ensino angolano.


Exposição

O ministro assistiu a inauguração, na sexta-feira, no Memorial António Agostinho Neto, em Luanda, da exposição "Henrique Abranches - Um traço angolano”, numa iniciativa do Goethe - Instituto Cultural alemão em Angola, em parceria com o Estúdio Olindomar, para lembrar os feitos do desenhador angolano, considerado o "pai” da banda desenhada nacional.

A exposição, continuou, acaba por ser um contributo em torno da investigação da História do país. "Precisamos conhecer quem foram as figuras que deram contributo ao engrandecimento da cultura nacional, nas mais várias disciplinas artísticas, incluindo o Carnaval”.

A exposição, que fica patente até 31 de Dezembro, no Memorial, é parte do projecto Africomics. Para a directora do Goethe-Institut, Gabriele Stiller Kern, a vida e obra do homenageado vai além da banda desenhada. "O nome de Henrique Abranches está ligado a diversos capítulos da História de Angola”.

A directora do Goethe recordou, ainda, o papel activo do artista na guerra de libertação de Angola, assim como os vários projectos de investigação antropológica e arqueológica feitos por ele, que lhe permitiram agregar valores ao currículo artístico, no qual se destaca como desenhador, escritor, pintor e co-fundador da União dos Escritores Angolanos e da União dos Artistas Plásticos.

O homenageado, destacou, foi um "génio universal” que pintava, desenhava e teve tempo para formar grandes artistas como  Abraão Eba, Etona, Olímpio e Lindomar Sousa, Lito Silva, Sérgio Piçarra, Hugo Fernandes e Carnot Júnior.

Uma das premissas da exposição, revelou, são as obras produzidas por 15 jovens artistas, que participaram de uma oficina de banda desenhada, realizada de 20 a 23 de Setembro, no Memorial. Os trabalhos expostos, disse,  foram produzidos no âmbito do Africomics, um projecto regional do Goethe-Institut, realizado paralelamente em 13 países africanos.

Como continuidade do projecto, informou, o Goethe pretende criar um website, com vídeos legendados em português, inglês francês e alemão, sobre a banda desenhada de alguns países africanos, incluídos no projecto. "O objectivo do Africomics é dar visibilidade aos criadores africanos noutros continentes, particularmente na Europa e sobretudo na Alemanha”, contou.

A exposição tem como curador o artista plástico Don Sebas Cassule e contou com o apoio de Wanda Lara e Cristina Pinto, amigas de Henriques Abranches, que cederam algumas peças raras. A mostra "Henrique Abranches - Um traço angolano” é acompanhada de uma publicação, com uma selecção das obras do homenageado. Para a materialização da publicação, vários antigos alunos do artista foram entrevistados, entre os quais Abraão Eba, Olímpio e Lindomar Sousa, Lito Silva, Sérgio Piçarra e Carnot Júnior.

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