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Ministra defende pacto para gestão de químicos

A ministra do Ambiente considera urgente que os países estabeleçam um “pacto global” para melhor gestão dos produtos químicos, desde a produção, transporte, armazenamento, comércio, utilização e descarte de forma segura.

05/12/2019  Última atualização 18H15
João Gomes | Edições Novembro © Fotografia por: Ministra do Ambiente alerta para os riscos da utilização de produtos químicos

Paula Francisco, que falava ontem num seminário sobre “Gestão de produtos químicos”, lembrou que grande parte destes produtos tem causado muitas vítimas humanas.

A crescente utilização desses produtos, disse a ministra, representa “uma permanente e iminente” ameaça à saúde humana e ao ambiente, particularmente nos sectores da agricultura, indústria de transformação, transportes, mineração, petróleo, gás e ciências médicas.
“À medida que o ser humano busca o conforto e comodidade, há cada vez mais necessidade de combinar substâncias, por isso, todos os dias, milhares de novos produtos surgem a nível global, em quase todos os sectores”, frisou.
Paula Francisco recordou alguns estragos que os acidentes químicos causaram à natureza e às sociedades humanas, como os das centrais nucleares de “Chernobyl”, em 1986, e o de “Fukushima”, em 2011.
A ministra frisou que o seminário é um evento há muito aguardado e marca uma etapa importante para que as instituições do Estado, empresas públicas e privadas delineiem os procedimentos correctos para que Angola integre os esforços globais para melhor gestão dos produtos químicos.
Durante o encontro, foi abordado o tema “Os produtos químicos na perspectiva da defesa da soberania nacional”, apresentado por Agostinho Carlos, da Direcção de Protecção Nuclear, Biológica e Química.
Agostinho Carlos lembrou que, durante o conflito armado, determinadas regiões do Sul do país foram flageladas por projécteis contendo produtos químicos severamente nocivos. Em 2004, frisou, foram descobertas grandes quantidades de produtos químicos no Alto Catumbela (Benguela). No mesmo ano, acrescentou, ocorreu um incêndio num armazém de produtos químicos contendo 20 toneladas destes produtos. Ainda em 2004, disse, no município de Cacuaco foram descobertos, numa lixeira, produtos químicos que provocaram o surgimento de uma doença de foro neurológico, que afectou 250 pessoas.
“Em 2011 as nossas equipas de especialistas acudiram um incidente que resultou na deflagração de um recipiente plástico de 1000 litros contendo ácido sulfúrico no interior de uma empresa que afectou 52 pessoas”.
Segundo Agostinho Carlos, em Outubro de 2012, grandes quantidades de sheltox e dragão (produtos utilizados para eliminar insectos), ambos de marca “Spritex”, foram destruídos por apresentarem altos volumes de substâncias nocivas à saúde humana.
“É preciso que a população tome muito cuidado na aquisição deste tipo de produtos, principalmente quando estes têm como finalidade o uso no interior das residências, pois muitos, quando pirateados, podem causar a morte lenta de pessoas”.
Para fazer face a este tipo de situações, a Direcção de Protecção Nuclear, Biológica e Química, em parceria com técnicos do Ministério do Ambiente, têm feito esforços para controlar a importação e exportação de produtos químicos.

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