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Militares reforçam posições no Governo de Transição

Numa acção que já era aguardada, o Presidente de Transição do Mali, coronel Assimi Goita, entregou, ontem, aos seus companheiros de armas, as principais pastas do Go-verno, dando assim um passo atrás no que era a transição do poder para os civis.

14/06/2021  Última atualização 04H55
Militares continuam a patrulhar as principais ruas da cidade de Bamako, capital do país © Fotografia por: DR
Assimi Goita, que foi empossado no passado dia 07, deu também ele, ontem, posse ao novo Governo, que conta com militares nos principais postos.

Segundo a agência AFP, os cargos ministeriais de Defesa, Segurança, Interior e Reconciliação Nacional são ocupa-dos por personalidades militares, algumas das quais já detinham esses títulos depois do golpe de Estado de 18 de Agosto de 2020, que removeu o então presidente Ibrahim Boubacar Keita.

Está nessa situação o major Ismaël Wagué, que continua a ser ministro da Reconcilia-ção Nacional, e o Coronel Sadio Camara - que regressa como ministro da Defesa, depois de ter sido afastado no final de Maio pelo recém-destituído Presidente interino Bah N'daw.

O ex-chefe adjunto do Estado-Maior do Exército do Mali, major Daoud Aly Mo-hammedine, e o tenente-coronel Abdoulaye Maïga assumem as pastas da Segurança e da Administração Territorial, respectivamente.
Na cerimónia de investidura, que decorreu ontem em Bamako,o coronel Assimi Goïta prometeu que o retorno ao poder civil regressaria no início de 2022. Goita também se comprometeu em respeitar um acordo de paz que é crucial para a estabilidade no Sahel.

Tropas francesas matam dirigente da Al-Qaeda

O Exército francês matou, recentemente, no Norte do Mali, um líder do grupo Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (Aqmi), responsável pelo rapto e assassinato de dois jornalistas franceses em Novembro de 2013, tendo o facto sido revelado apenas ontem pela ministra da Defesa gaulesa, Florence Parly, citada pela AFP.

Trata-se de Baye ag Bakabo e outros três alegados terroristas, cujas mortes aconteceram numa operação no dia 05 do mês em curso, em que os jihadistas integravam um grupo que iria atacar um en-clave gerido pelo batalhão tchadiano da missão das Na-ções Unidas no Mali (Minus-ma), revelou numa declaração à comunicação social, Florence Parly.

 Ag Bakabo, de acordo com a ministra, orquestrou o rapto e assassinato dos jornalistas Ghislaine Dupont e Claude Verdon, da Radio France In-ternationale (RFI), em Kidal, no Norte do Mali.

Parly, assinalou que as forças francesas presentes no Sahel detectaram, sábado, a organização do ataque em Aguelhok, tendo activado o seu dispositivo de resposta. A ministra salientou o "profissionalismo" dos soldados envolvidos na operação "delicada e complexa" e assinalou que a acção reflecte a prioridade de França em combater o terrorismo no Sahel.
 

Influência francesa

O anúncio surgiu um dia depois de o Presidente francês, Emmanuel Macron, ter revelado que a força Barkhane irá sofrer uma "profunda transformação". Macron anunciou, na quinta-feira, uma redução da presença militar francesa no Sahel, indicando que a operação Barkhane, existente desde 2014 e que conta actualmente com 5.100 militares, será substituída por uma operação de apoio aos exércitos da região que queiram cooperar.

O líder francês considerou que o objectivo do seu país não é substituir "eternamente as forças dos países em causa”.
Num comunicado, Parly precisou que o dispositivo militar francês será orientado para a assistência e cooperação operacional, o que será discutido nos próximos dias com os membros da Coligação Internacional para o Sahel, lançada em 2020 com o objectivo de apoiar o G5 Sahel (Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger).

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