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Militares mantêm Presidente detido

O Presidente do Burkina Faso, Roch Marc Christian Kabore, o líder do Parlamento, Alassane Sakandé e vários ministros, estão detidos, desde domingo, num acampamento militar, em Ouagadougou, capital do país, estando o país a ser dirigido por chefias militares que ordenaram a detenção destes dirigentes, informou, ontem a agência de notícias Reuters.

25/01/2022  Última atualização 05H00
Principais artérias da cidade de Ouagadougou estão a ser patrulhadas por tropas do Exército © Fotografia por: DR
Soldados encapuzados tomaram posição em frente da sede da televisão nacional do Burkina Faso, em Ouagadougou, um dia depois de motins em vários quartéis do país, atingido pela violência jihadista. A situação está confusa e tensa em Ouagadougou, onde a má qualidade das ligações telefónicas e o corte da Internet móvel   não facilitam a verificação das informações desde domingo.

Domingo à noite, o ministro da Defesa interveio na televisão nacional para tranquilizar a população, anunciar um recolher obrigatório e garantir que nenhuma instituição foi atingida depois de se registar tiroteio durante a tarde desse  mesmo dia em vários quartéis do Exército.

  O Ministério da Educação anunciou também, em comunicado, que as escolas vão permanecer fechadas em todo o país nos próximos dois dias.

"Estamos a acompanhar a situação. De momento, não sabemos muito sobre os motivos desses tiros, mas garantimos a não existência de motivos para preocupação”, disse o general Aime Barthelemy Simpore, citado pela Reuters. Nesse dia, foram ouvidos disparos num quartel junto à residência do Presidente Roch Marc Christian Kabore, levantando suspeitas de um golpe militar em curso depois de soldados amotinados terem tomado uma base militar no início do dia.


Sinais  de tomada do Poder

No início da semana, o Governo anunciou a prisão de oito soldados em conexão com um desenvolvimento, que a mídia do país descreveu como uma tentativa de golpe.  O assassinato de 53 pessoas por supostos jihadistas, em Novembro passado, provocou indignação pública contra o Governo e aumentou os temores de um golpe militar no país.

Na sexta-feira, as autoridades bloquearam o acesso ao Facebook por motivos de segurança. Em declarações à France Press, o porta-voz do Governo, Alkassoum Maiga, disse que esta opção visava garantir as condições para que as Forças de Segurança possam manter o controlo da situação.

Nesse dia, quatro soldados franceses da Operação Barkhane ficaram feridos na explosão do seu veículo, num aeródromo em Ouahigouya, no Norte do Burkina Faso. De acordo com o Estado-Maior General das Forças Armadas francesas, citado pela France Press, um soldado gravemente ferido foi evacuado com os outros para a cidade maliana de Gao. Nesse mesmo dia, o Governo anunciou que mais de três mil escolas foram fechadas, ou seja, cerca de 13 por cento das infra-estruturas educativas, o que colocou na rua mais 500 mil crianças.
  CEDEAO  apela à ordem constitucional

A Comunidade Económica dos Estados da África (CEDEAO) anunciou, segunda-feira (24), em comunicado que está a acompanhar "com grande preocupação" o desenvolvimento da situação no Burkina Faso.
A organização regional "responsabiliza os militares pela integridade física do Presidente Roch Marc Christian Kaboré", que fontes militares afirmam ter sido detido por soldados amotinados em Ouagadougou.
Na nota, a CEDEAO considera que a acção dos militares, "é de extrema gravidade", e exortando-os a "regressarem aos quartéis, manter uma postura republicana e a privilegiarem o diálogo com as autoridades para a resolução dos seus problemas".
O Presidente Kaboré, no poder desde 2015, e reeleito em 2020 com a promessa de lutar contra os terroristas, têm vindo a ser cada vez mais contestado por uma população atormentada pela violência de vários grupos extremistas islâmicos e pela incapacidade das Forças Armadas do país responderem ao problema da insegurança.
Vários quartéis no Burkina Faso foram este domingo palco de motins de militares, que exigiram a substituição das chefias militares e os "meios apropriados" para combater os grupos terroristas, que atacam o país desde 2015. As estradas da capital estão vazias , excepto nos postos de controlo fortemente vigiados por soldados.
A France Press informou que soldados revoltosos terão assumido o controlo do quartel militar de Sangoulé Lamizana na capital, Ouagadougou, desde domingo.
O Governo do país não faz quaisquer declarações desde domingo, tendo a última sido a do ministro da Defesa, Aimé Barthelemy Simporé, que afirmou à imprensa que alguns quartéis tinham sido afectados pela agitação. Os ataques ligados à Al-Qaeda e ao  Estado Islâmico têm vindo a aumentar  desde a chegada ao poder do actual Presidente.

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